Ministério espera prova de segurança

Publicação: 2020-08-12 00:00:00
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BRASÍLIA (AE) - O Ministério da Saúde considera que ainda não há provas de segurança e eficácia da vacina russa contra a covid-19 que justifiquem abrir negociações para a compra do produto com recursos do governo federal. Segundo integrantes da cúpula da pasta, deve ser realizada nos próximos dias uma nova reunião com desenvolvedores da droga, anunciada pelo presidente Vladimir Putin ontem como a primeira registrada para imunizar a população. 

Créditos: Erasmo Salomão/MSEduardo Pazuello reunido com membros de conselhos de secretários de saúde de EstadosEduardo Pazuello reunido com membros de conselhos de secretários de saúde de Estados


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A expectativa é que representantes da embaixada da Rússia participem do novo encontro, previsto para acontecer nesta ou na próxima semana. Na primeira conversa sobre a vacina, feita há uma semana, técnicos do ministério questionaram sobre as características e estimativas de preço. Eles também sinalizaram interesse em manter diálogo sobre o desenvolvimento das drogas. 

As tratativas iniciais foram feitas com representantes do Fundo de Investimento Direto da Rússia (RDIF).

Na mesma data, o Ministério da Saúde recebeu representantes da farmacêutica chinesa Sinopharm, que tem uma vacina em fase 3 de estudos, a última etapa antes de a droga poder ser registrada. Presente nas reuniões, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) demonstrou interesse em apoiar a pesquisa clínica das empresas da Rússia e da China. 

Procurado, o Ministério da Saúde não se manifestou oficialmente sobre discussões que envolvem a vacina desenvolvida na Rússia, mas também não negou as informações.

Por enquanto, a aposta do governo Jair Bolsonaro é no modelo desenvolvido pela farmacêutica britânica AstraZeneca e a universidade de Oxford, do Reino Unido. 

Na última quinta-feira, 6, o governo federal liberou cerca de R$ 2 bilhões, via medida provisória, para viabilizar o processamento e distribuição de 100 milhões de doses da droga pela Fiocruz.

O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, tem dito a auxiliares que é preciso "ter calma" em discussões sobre a vacina. 
A pasta não descarta investir em mais de um modelo, mas ainda vê a droga da Oxford como mais promissora e a que apresentaria maior garantia de seguança, de acordo com as pesquisa feitas até agora.

A Organização Mundial de Saúde aponta que seis vacinas estão em fase 3 de pesquisa, a última antes do pedido de registro para comercialização.

Críticas  
O presidente Jair Bolsonaro tem feito críticas indiretas à iniciativa do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), de negociar com a empresa chinesa Sinovac Biotech para receber a CoronaVac, também em testes contra a covid-19.

"O mais importante, diferente daquela outra (vacina) que um governador resolveu acertar com outro país, vem a tecnologia para nós", disse o presidente na última quinta-feira, 6.

Apesar das falas de Bolsonaro, o secretário nacional de Vigilância em Saúde, Arnaldo Correa de Medeiros, disse na última quarta-feira, 5, que o governo federal pretende comprar "a primeira vacina que chegar ao mercado", independentemente do país que a produzir.  
Em audiência na Câmara dos Deputados, Arnaldo Medeiros afirmou que pretende fazer uma visita ao Instituto Butantã, que participa do desenvolvimento da vacina contra o novo coronavírus Coronavac com a empresa chinesa Sinovac Biotech.