Missão para o bom baiano: Daniel Alves sonha com mais um título com o Brasil

Publicação: 2019-06-30 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
O Brasil entra em campo na próxima terça-feira às 21h30 para enfrentar a Argentina. O confronto vale uma vaga na final da Copa América. O estádio será o Mineirão, cujas lembranças de uma última semifinal, a da Copa de 2014, traz péssimas lembranças para a equipe verde amarela (7 a 1, Alemanha). Para enfrentar tudo isso, nada melhor que ter um “bom baiano” como capitão. Dani Alves ficou de fora daquele mundial por contusão e agora tem a chance de mudar a história, ir para a final e quem sabe erguer a taça. Aliás, de taça e de recuperação ele entende.

Daniel Alves é o capitão da Seleção Brasileira e terá a honra de levantar a taça caso o Brasil seja campeão. Irreverente, tem na experiência a sua maior arma
Daniel Alves é o capitão da Seleção Brasileira e terá a honra de levantar a taça caso o Brasil seja campeão. Irreverente, tem na experiência a sua maior arma

Parte da mitologia grega, a fábula da fênix conta a história de uma ave lendária que, ao morrer, incendeia o próprio corpo. Passado um tempo, ressurge das próprias cinzas, ainda mais forte. Mas o que isso tem a ver com a Seleção Brasileira? Foi bem longe da Grécia, em um povoado de Juazeiro, na Bahia, que se iniciou a lenda de Daniel Alves; um jogador de futebol que, como o ser mitológico grego, usa as próprias dificuldades como combustível. Pelo menos foi assim que ele mesmo se definiu.

“Eu me considero um fênix, mas que sai da poeira. De onde eu vim, só tinha poeira, não tinha muita cinza, não (risos)”.

A conversa com Daniel Alves nunca é simples. Com a mente aberta e a cabeça fresca, o lateral já cruzou o mundo com o futebol, e não tem medo de expor as impressões que essa vida lhe deixou. Do alto de seus 36 anos de idade, Dani mantém o espírito de quando era um jovem tentando vencer a batalha pela própria sobrevivência.

Afinal, o futebol nem sempre foi uma certeza para ele. Antes de firmar carreira nas categorias de base do Bahia, precisou pular de bico em bico para se manter e ajudar o sustento da família de Seu Domingos. De figurante de filme a vendedor de geladinho, Daniel nunca disse não para as oportunidades que a vida lhe apresentou. E foi recompensado.

“É como a música do Zeca Pagodinho, eu já fiz de quase tudo nessa vida... Fui predestinado a ser um atleta profissional, fazer uma carreira brilhante, graças a minha dedicação e a fé que tenho. Sinceramente, é um grande privilégio poder falar de tudo o que vivi. É uma demonstração que não se tem barreira quando se dedica e se quer mesmo. Eu sou uma prova viva disso. Vim do interior da Bahia, de um povoado muito pequeno e precário. Mas a minha vontade era gigantesca e algo dentro de mim dizia que eu ia ser importante”, frisou.

Mesmo diante de certas dificuldades na base do Bahia, Daniel persistiu. Morando em Salvador, no alojamento do Esquadrão de Aço, chegou a pensar que não teria futuro, que talvez aquilo não fosse para ele. Mas não tem nada na vida que ele não lide com o peito aberto e o sorriso no rosto. Em meio à adversidade, enfrentando o que fosse necessário, Daniel Alves triunfou.

O lateral Daniel Alves esteve com a Seleção Brasileira durante as Eliminatórias, na Arena das Dunas

Revelado pelo Bahia, se aventurou muito cedo no futebol europeu. Transferiu-se para o Sevilha, da Espanha, com pouco mais de um ano de carreira como profissional. Foi lá que a história dele ganhou asas e se realizou, com a agradável sina de ser campeão. Fez história no Barcelona, passou pela Juventus e agora defende o Paris Saint-Germain. Em comum, os títulos e as convocações para a Seleção Brasileira, que começou a defender em 2006.

Até o momento, são 39 títulos na carreira, que fazem dele o jogador com mais conquistas na história do futebol. Mas nada é capaz de tirar seu apetite. E é pensando no 40º que ele chega para a disputa da Copa América, desta vez como capitão.

“Não tem jeito, alguém tem que ser o coroa, né? Mas não é o que você conseguiu, é a vontade de seguir conseguindo. Essa chama continua acesa e está ardendo neste momento. Tive de superar uma coisa muito grave para um atleta (a lesão). Com foco, dedicação, a gente consegue. Estou outra vez na estrada e preparado para comer poeira”.

Entre tantas conquistas, uma ainda vive na memória dele. Quando ganhou a Liga dos Campeões da Europa em 2015, com o Barcelona, Daniel Alves viu a ficha cair. No gramado do Estádio Olímpico de Berlim, abraçou seu pai, que via pela primeira vez seu filho vencer a Champions pessoalmente. Juntos, posaram para uma foto com a taça, que representa praticamente tudo para Daniel. 

Está tudo ali. Daniel, a sua persistência, a capacidade de vencer, o laço com a família e a humildade para reconhecer, em um momento de tanta glória, quem realmente importa. E é para repetir cenas como essa que Daniel Alves não para de lutar e, quando ninguém mais imagina ser possível, ressurge como se fosse, mesmo, uma fênix.

“Eu prometi para meu pai: se voltasse para casa para dar um abraço nele, seria de comemoração. Ele me ensinou que a gente tem que persistir no que a gente quer. Tive um exemplo em casa na prática, em vez da teoria, e isso eu aplico hoje. Eu sou muito objetivo, não gosto de dar voltas. Vou à solução, não ao problema. Tudo isso graças ao Seu Domingo, guerreiro nosso de cada dia. Se Deus quiser, vamos poder comemorar juntos mais uma vez. Sonhar é grátis, e eu prometo que vou sonhar muito ainda”, finalizou. (Com texto da CBF).













continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários