Mitos e verdades sobre o vinho

Publicação: 2017-09-01 00:00:00 | Comentários: 0
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Tão vasto, complexo, e repleto de sensacionalismos descabidos é o mundo do vinho, que não fossem alguns de seus postulantes descomplicando-o, deselitizando-o e popularizando-o através de uma didática cada vez mais objetiva e prática, o seu consumo seria ainda mais restrito e inexpressivo no nosso Brasil. Em meio a todo essa confusão promovida por pseudo-conhecedores de plantão, com suas inverdades e meias verdades, gritadas aos quatro cantos, a consequência mais natural é o surgimento de crenças indevidas e de mitos, que só tendem a afastar cada vez mais o consumidor comum. É preciso esclarecer que o vinho é, antes de tudo, um complemento alimentar, uma bebida criada original e funcionalmente para a mesa.

A fama de algumas marcas, às vezes mais midiática do que meritória, leva as pessoas a beberem rótulo e não vinho
A fama de algumas marcas, às vezes mais midiática do que meritória, leva as pessoas a beberem rótulo e não vinho

Mas no mundo de aparências em que vivemos, a fama de algumas marcas (às vezes mais midiática do que meritória), e o status que isso proporciona nas mídias a quem delas faz uso, levam as pessoas a beberem rótulo e não vinho, e o pior, a fazer uma associação direta entre qualidade e preço, como se todos percebessem qualidade pela mesma ótica, de forma padronizada. Em resposta a essa crença cabe dizer que, em se tratando de vinho, preço não necessariamente está associado à qualidade.

Outra confusão por parte do consumidor comum é acreditar que o termo Reserva ou Gran Reserva, estampado num rótulo, assegura alguma qualidade técnica independente do produtor e do país. Mas, especialmente no novo mundo, onde as leis que regem a produção do vinho são muito frouxas, estes termos tiveram seus sentidos banalizados, e o que deveria significar tempo de maturação em carvalho ou tanque, virou uma parola de apelo meramente comercial. Há também os puristas que classificam de zurrapa qualquer vinho (indiferente a sua eventual qualidade) apenas porque estes não trazem como vedante um rolha de cortiça natural, ignorando que o vinho é também um negócio, que a cortiça é algo cada vez mais cara e rara no planeta, e que há que se pensar também na sustentabilidade. Há crenças inclusive perigosas, como a de atribuir ao vinho benefícios irrestritos a saúde, quando na verdade parte das benesses dessa bebida, restringem-se em especial aos tintos, por contar com as cascas, ricas em polifenóis, utilizadas em sua elaboração, mas não sem que antes o consumo seja moderado (uma equação difícil de definir), regular e durante as refeições, e obviamente que por pessoas sem qualquer restrição a ingestão de álcool, isso para não falar da industrialização do vinho que o vem tornando cada vez mais impecável do ponto de vista estético, mas cada vez menos natural e saudável.  

Vinho da Semana
Casas Del Bosque Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2013. Um tinto poderoso, complexo, muito elegante e bem acabado. A vinícola é uma verdadeira casa de boneca, situada no Vale do Casablanca. As uvas vêem do Vale do Maipo e depois de uma longa maceração e fermentação, o vinho estagia 14 meses em barricas de carvalho francês 50% novas e 50% de segundo uso. Depois de engarrafado, afina na garrafa por 3 meses na adega da vinícola para só então ser liberado para o mercado de consumo. Um vinho de grande expressão, que revela toda a exuberância do Cabernet chileno produzido no Vale do Maipo, o terroir com a maior vocação para os grandes Cabernets do Chile. Infelizmente ainda não se encontra na cidade, mas em breve quem sabe. Uma exclusividade da Importadora Domno do Brasil, o braço importador do Grupo Valduga. 

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