MME quer gás natural mais barato

Publicação: 2019-06-27 00:00:00 | Comentários: 0
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O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse nesta quarta-feira, 26, na Câmara dos Deputados, que o preço cobrado pelo gás natural no Brasil encarece os custos de produção, tornando a indústria brasileira “economicamente inviável”. Para o ministro, o melhor aproveitamento do composto derivado de combustíveis fósseis resultaria em significativo barateamento da energia, beneficiando tanto os consumidores industriais quanto os residenciais.

Ministro Bento Alquequerque destacou, durante fala na Câmara dos Deputados, que custo atual impede avanço da indústria nacional
Ministro Bento Alquequerque destacou, durante fala na Câmara dos Deputados, que custo atual impede avanço da indústria nacional

“Estamos procurando melhorar isso com o novo modelo para o mercado de gás”, disse Albuquerque ao participar de reunião da Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, onde apresentou detalhes da nova proposta do governo para o mercado de gás. Na terça-feira, 25, o Conselho Nacional de Políticas Energéticas publicou, em edição extra do Diário Oficial da União, as novas diretrizes políticas para o setor energético. As medidas visam a promover maior concorrência por meio da abertura do mercado de gás natural.

De acordo com o ministro, entre os objetivos do novo modelo para o mercado de gás natural estão, além de garantir o abastecimento nacional, ampliar os investimentos em infraestrutura de escoamento, processamento, transporte e distribuição do produto e aumentar a geração termelétrica a gás. Albuquerque comentou a oportunidade de futuro aproveitamento das reservas que vêm sendo encontradas em águas profundas – e cujo potencial produtivo está sendo analisado, em fase inicial de estudo, segundo a Petrobras.

A principal meta do novo modelo concorrencial, no entanto, é baratear o preço do produto por meio da ampliação da concorrência, evitando a formação de monopólios. Durante sua fala na comissão, o ministro lembrou que o gás natural brasileiro é um dos mais caros entre os países do chamado G20 – grupo formado pelas 19 maiores economias mundiais mais a União Europeia. De acordo com Albuquerque, enquanto, no Brasil, o gás natural custa US$ 10,40, na Argentina custa US$ 4,62. Nos Estados Unidos, US$ 3. No Japão, que não tem reserva de gás natural, US$ 9. E na Europa, US$ 8.

“A produção de gás precisa de infraestrutura”, disse o ministro ao apontar algumas das causas do elevado preço do produto. “Por isso precisamos aperfeiçoar o sistema de transporte e estimular a competição. Porque, hoje em dia, não há competição. Só há um fornecedor, praticamente um produtor. E sabemos que, sem mercado, não há competição nem redução de custos”, acrescentou o ministro, enfatizando que entre 30% e 50% da energia usada pela indústria brasileira provêm do gás natural.

Segundo Albuquerque, enquanto, no Brasil, o uso do gás natural responde por cerca de 12% da composição da matriz energética, na Argentina e nos Estados Unidos, a fatia corresponde a, respectivamente, 52% e 33%. Apesar disso, enquanto o país vizinho, com cerca de um terço da dimensão territorial brasileira, conta com quase 30 mil quilômetros de gasodutos, o Brasil dispõe de apenas 9,4 mil quilômetros. Os Estados Unidos, por sua vez, têm cerca de 490 mil quilômetros de gasodutos instalados.

A infraestrutura para escoamento insuficiente força a indústria a devolver aos poços parte do gás natural extraído. De acordo com Albuquerque, nos últimos anos, à medida que a produção cresceu, aumentou também o volume de gás natural forçosamente reinjetado. Isso aconteceu porque os poços, principalmente os do pré-sal que passaram a ser explorados, têm uma grande quantidade de gás que, sem conseguir escoar, a Petrobras tem que, ou queimar, ou reinjetar nos poços – o que facilita o processo de extração de óleo.

Potigás expande rede de gás no RN
A Companhia Potiguar de Gás (Potigás) ampliou a rede de gás natural canalizado no Rio Grande do Norte. Em 2019  foram construídos cerca de nove quilômetros de tubulações subterrâneas. Essa infraestrutura atende quase 25 mil clientes nos quatro segmentos de atuação: comercial, residencial, industrial e veicular. Na cidade de Mossoró, a rede foi acrescida em cerca de seis quilômetros para diversos bairros, principalmente o Alto de São Manoel que agora conta com o gás natural canalizado. A Grande Natal também recebeu os investimentos para a tubulação de gás, possibilitando o atendimento de novos usuários.     As obras de expansão da rede implicaram no crescimento do número de clientes da Potigás. Até o mês de maio de 2019, foram interligados à rede de gasodutos da Companhia quase dois mil novos usuários, sendo a maioria pertencente ao segmento residencial.

“O papel da concessionária de gás natural canalizado é prover infraestrutura para os municípios, então a Potigás vem cumprindo sua missão e levando um combustível mais econômico, prático, sustentável e seguro para os potiguares”, afirma Eliana Bandeira, Diretora Administrativa e Financeira da Potigás.





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