Mochila: boa escolha e primeira lição do ano

Publicação: 2018-01-14 00:00:00 | Comentários: 0
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Tádzio França
Repórter

As mochilas são os acessórios mais cobiçados pela garotada quando o período escolar se aproxima. A diversidade de formatos, estampas e materiais deixa crianças e adolescentes animados, ao mesmo tempo em que um problema recorrente costuma passar despercebido: o excesso de peso e a forma incorreta de uso podem acarretar futuros problemas à saúde da coluna. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 85% da população sofrerá dores lombares nos próximos anos. As mochilas pesadas e a má postura estão entre as causas dessa projeção. Escolher o material e usá-lo bem pode ser a primeira lição do ano.

A fisioterapeuta Bianca Dore explica que os malefícios causados por uma mochila pesada giram em torno das compensações que o corpo precisa fazer para suportar a carga aumentada. “Provavelmente  a criança irá se manter numa postura errada para compensar a carga imposta. Isso faz com que os músculos se encurtem ou se alonguem em excesso, tornando-se fracos. Quando frequentes, essas modificações podem causar problemas irreversíveis”, diz.
O corredor das mochilas exibe o setor mais colorido da loja, repleto de modelos nos mais variados tamanhos, formatos e estilos
O corredor das mochilas exibe o setor mais colorido da loja, repleto de modelos nos mais variados tamanhos, formatos e estilos

Segundo ela, é importante que os pais atentem sobre a forma que a mochila será usada pelos filhos, ainda no ato da escolha e compra na loja. “Os pais devem reparar se a bolsa é simétrica, se vai acoplar bem ao corpo e ao peso que vai ser colocado nela”, diz. O nível de peso acima do recomendado na mochila é o que causa a maior pressão na coluna. E não apenas nela: joelhos, ombros, pescoço e quadris também podem sofrer efeitos desse sobrepeso.

Bianca ressalta que entre os sinais de que algo não vai bem na coluna, estão o aparecimento de dor localizada, cansaço, formigamento e irradiação. Os transtornos mais comuns são a escoliose (desvio lateral inadequado da coluna, que fica em forma de “esse”); hipercifose (curvatura acentuada da coluna torácica), e a hiperlordose (aumento do ângulo de curvatura na região lombar).

Pesos em harmonia


O problema, evidentemente, não está na mochila, cujos materiais e modelos estão cada vez mais práticos e modernos. O problema está nas formas de utilizá-las. Para garantir a saúde das costas dos jovens em idade escolar, é preciso saber que a carga da mochila não pode ultrapassar o referente à média de 10% do peso total da criança ou adolescente.

As duas alças da mochila devem estar sempre nos ombros, para que o peso seja melhor distribuído. Se o peso estiver em um ombro apenas, faz com que o corpo se incline para um lado, curvando a coluna, provocando desconforto, e facilitando o surgimento de uma escoliose. Também é bom que as alças sejam largas e sejam tensionadas para ficar bem junto ao corpo, cerca de cinco centímetros acima da linha da cintura.

Os itens mais pesados devem ser colocados no espaço principal da mochila, próximo às costas. Os bolsos externos devem ser utilizados para os objetos mais leves. Outra dica é que o fundo da mochila deve estar apoiado na curva da região lombar da coluna. Nem acima e nem abaixo para não influenciar na postura do usuário.

E a mochila de rodinhas, é realmente a mais adequada para quem não pode ou quer carregar sobrepeso? Sim, mas há ressalvas. “A mochila de rodinha evita que seja carregado no corpo um peso aumentado, e consequentemente diminui o risco de problemas posturais”, afirma Bianca Dore. Porém, alguns detalhes devem ser observados: a alça não deve ser nem maior nem menor que a altura do braço estendido do estudante. É também aconselhável alternar os braços a cada dez minutos para evitar o esforço excessivo e não causar assimetria de postura.

Mochila perfeita


Quem sai à procura da mochila perfeita sabe que a diversidade é grande. As peças acompanham a tecnologia atual, o design, as necessidades dos usuários – e também suas preferências e modismos. “Hoje tem de tudo, e acredito que muitos pais se preocupam com as questões de modelo, peso e postura. Já as crianças, nem tanto. Eles querem o modelo que tenha seu personagem de desenho animado favorito ou a cor mais bonita”, afirma o empresário Gleyber Uchôa, da loja atacadista Casa Norte, em Dix-Sept Rosado.

O corredor das mochilas exibe o setor mais colorido da loja, repleto de modelos nos mais variados tamanhos, formatos, e estilos. Todas são leves e práticas,  em materiais como nylon acetinado ou lonado, e EVA (etil, vinil e acetato), um tipo de borracha não-tóxica que costuma ser muita usada também em peças artesanais. O movimento de mães, pais e crianças também é intenso. A técnica de engenharia Odênia Alves estava procurando uma mochila para filha de dois anos. Escolheu um modelo com rodinhas, cor de rosa, e sem personagens famosas. Ela se diz mais preocupada com o conteúdo. “É um absurdo a quantidade de material que as escolas fazem as crianças levarem nessas bolsas”, diz.

Já a contadora Sibeli Lins estava às voltas com duas crianças, Felipe de 11 anos, e Jedeão, de nove. Segundo ela, para um dos meninos a mochila deveria ser mais resistente, já que ele estuda em escola particular, e a quantidade e livros e materiais é grande. O impasse está no modelo. “Eles fazem questão de que tudo tenha personagem do desenho ou do jogo eletrônico que eles gostam. A gente tem que negociar”, brinca. Gleyber Uchôa comenta que, em geral, a idade da criança dita o estilo da mochila. “De 4 a 10 anos saem muito os modelos com rodinhas e personagens. A partir de 11 anos, eles já querem bolsa para as costas, e sem desenhos”, diz.

Bianca Dore acredita que o peso das mochilas ocasionado pelas exigências escolares poderia ter uma solução – que partiria das próprias escolas. “Os estabelecimentos de ensino, principalmente os particulares, que fazem as maiores exigências, poderiam ter armários para reserva do material do aluno na própria escola, só sendo necessário enviar o de uso diário”, sugere. Assim que algum problema de coluna for identificado, ela recomenda que um especialista seja procurado para fazer uma avaliação e seguir com as recomendações dadas.

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