Momices e mesmices da política

Publicação: 2019-01-22 00:00:00 | Comentários: 0
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Valério Mesquita
Escritor

Damião Bagatela, vice-prefeito de Dix-Sept Rosado, disputava outra eleição. Cidade pequena, carente, haja peditório da parte do eleitor e promessa da ala dos candidatos. Damião era popular, atendia como podia. “Se eu for eleito”, discursava, “cumpro com o que prometi”. Eram 500 tijolos para um, 200 telhas para outro, caibros, ripas etc. Apareceu um casal e, o compromisso era um par de alianças. Queriam casar e a festa seria no dia da posse. Damião Bagatela se elegeu. Em frente à prefeitura a aglomeração era de fazer medo. Tinha mais eleitor que o número de votos computados. Vêm as cobranças em formas de “lembranças”. “Minhas telhas, Damião”, “meus tijolos, etc”. No meio do povo, um eleitor, fechando o dedo indicador da mão esquerda, enfiava o indicador da mão direita no “círculo” e, cobrando a promessa, exigia: “Prefeito, cadê oia!”. Tanto gritou e gesticulou que o prefeito, já chateado, chamou o assessor e indagou: “Veja aí na agenda se eu prometi dá o frinfa a esse cara”.

02) O deputado Valmir Targino, certa feita, numa roda de amigos, fez um brinde ao seu estilo. Erguendo a taça discursou: “Um brinde para que todas as mulheres do mundo nos amem. Para que nossas esposas nunca fiquem viúvas. Que os nossos filhos nunca se pareçam com os dos vizinhos. Que todos saibam as nossas boas qualidades e que as péssimas a polícia desconheça.” Um brinde vale quanto pesa.

03) Doralice era uma super loura, 1,80, muito inteligente e universitária em Mossoró. Surgiu uma oportunidade no “Projeto Rondon” e lá se foi a amiga de Hirohito em mais um grupo rumo ao Xingu. O trabalho incluía pesquisa junto às tribos e Dora, com a permissão da coordenação e mais a aquiescência do pajé, saiu a passeio numa pequena canoa rio abaixo, guiada por um indígena. O índio era um gigante, fisicamente falando. Seus músculos faziam inveja a Tyson. Dorinha, sentada na proa, fotografava tudo o que via, em termos de animais. A saia curta, pernas grossas, fazia do colo reservatório de pipocas, as quais, saboreava alegremente. Em dado momento, sentiu o olhar forte do remador em suas coxas e, viu que o guerreiro estava “enervado todo”. Para descontrair, a loira encheu as mãos de pipocas e ofereceu: “Índio quer pipoca?”. O nativo de olhos vidrados “na coisa” falou: “Índio querer papar. Índio querer papar...”. Foi com muita dificuldade que Dora se livrou de virar mingau.

04) Pegando carona, repriso uma história do ex-deputado Manoel de Brito. Numa conversa descontraída, perguntaram a Brito qual a sua definição sobre o casamento. De bate-pronto, fulmina: “uma ilusão gratulatória”. De outra feita, Afonso, um dos seus motoristas da atividade oficial, recebeu dele um apelido que exprimia fielmente o significado de suas proezas de paquerador. Afonso era baixinho, entroncado, mas era querido do mulheril funcional que beirava a menopausa. E Afonso “passava” as gordinhas, mal-amadas, pernetas, num comovente “ofício de caridade”. Sabedor de suas façanhas, Brito desfechou-lhe um apelido definitivo: “Areia de Cemitério”. Come tudo.

05) Wilson Mendes, laureado entre os dez maiores vendedores da Ford para o Nordeste, teve como prêmio uma volta ao mundo. Acompanhado da esposa, o empresário foi conhecer as belezas da Espanha. Apaixonado por gado, foi assistir a uma tourada. O mossoroense não gostou do que viu, além do mais, com umas boas doses de uísque na cabeça, começou a “torcer” pelo touro. “Vamos tourinho. Reage!”, gritava repetidamente. “Pega esse f.d.p. com esses chifres. Bota pra quebrar!”. A esposa resmungava: “Wilson, para com isso. O povo ta olhando pra você”. Responde o maridão: “Você não vê o que ele tá fazendo com o bichinho? Bota pra lascar, tourinho!...”. Pra ser de Mossoró tem que amar também o contraditório.


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