Moro marca depoimentos no Congresso

Publicação: 2019-06-12 00:00:00 | Comentários: 0
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Camila Turtelli, Daniel Weterman e Vera Rosa
Agência Estado

Brasília (AE) - O ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, tentou nesta terça-feira, 11, contornar o desgaste causado com a divulgação de supostas mensagens trocadas com o procurador Deltan Dallagnol, nas quais discutem detalhes da Operação Lava Jato. Logo pela manhã, se reuniu com o presidente Jair Bolsonaro para tratar do assunto e, mais tarde, almoçou com senadores, com quem combinou que irá voluntariamente explicar o episódio em comissões da Câmara e do Senado.

Sérgio Moro é condecorado pelo presidente Jair Bolsonaro em solenidade da Marinha
Sérgio Moro é condecorado pelo presidente Jair Bolsonaro em solenidade da Marinha

A primeira audiência foi agendada para a próxima quarta-feira na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Na tentativa de evitar pressões para a abertura de uma CPI, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e outros senadores aconselharam o ministro da Justiça a se antecipar para comparecer de forma espontânea ao colegiado.

A investida de Moro para evitar desgaste no Congresso ocorre diante do silêncio do presidente Jair Bolsonaro, que até o momento não se pronunciou publicamente sobre o caso. Ontem, em visita a São Paulo, o presidente encerrou uma entrevista quando foi questionado sobre as suspeitas que recaem sobre o seu "superministro".

Segundo Alcolumbre, a expectativa é de que Moro não encontre um clima hostil no Senado na semana que vem. "Chance zero, ele é ministro da Justiça do governo federal e tem a confiança do presidente. O Congresso vai fazer sua parte", disse à reportagem O senador também colocou dúvidas sobre o conteúdo das mensagens divulgadas. "As informações são graves. Nós sabemos se esses conteúdos são todos verdadeiros? A gente tem que avaliar, cada dia com sua agonia."

O site The Intercept Brasil publicou conversas que seriam atribuídas a Moro e a procuradores da Operação Lava Jato em Curitiba, nas quais o ex-juiz supostamente sugeriu mudança de ordem nas fases da investigação, além de dar conselhos, fornecer pistas e antecipar uma decisão a Dallagnol. Conforme o site, há referências nas mensagens ao processo que levou à condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do triplex do Guarujá, que levou o petista à prisão.

Numa delas, o procurador teria demonstrado dúvidas sobre provas pouco antes de apresentar a denúncia. O site diz que recebeu as mensagens de fonte anônima. O Estado não teve acesso à íntegra do material.

A Polícia Federal investiga um ataque de hackers aos celulares dos procuradores da Lava Jato e do ministro.

Conselho
Na CCJ, Sérgio Moro conseguiu escapar de uma convocação, mas Dallagnol pode ser obrigado a se explicar. Requerimento neste sentido foi apresentado pelo senador Angelo Coronel (PSD-BA) e deve ser colocado nesta quarta-feira, 12, em votação.  O almoço deste terça com senadores não estava previsto na agenda do ministro. Foi Moro quem puxou o assunto das mensagens vazadas, segundo relatos de participantes. Alertado de que não estava ali para se explicar, passou a falar de temas relacionados ao trabalho no ministério. O encontro durou cerca de duas horas.

O tema, porém, voltou quase no fim da reunião, quando a senadora Selma Arruda (PSL-MT) criticou a tentativa de se criar uma CPI para investigar o ministro. De acordo com presentes, Selma, que a exemplo de Moro é ex-juíza, afirmou que a iniciativa poderia gerar crise entre os Poderes. O senador Marcos Rogério (DEM-RO) interferiu e lembrou que Selma havia defendido a CPI da Lava Toga, que foi enterrada por Alcolumbre justamente para se evitar uma crise institucional.

Militares
Enquanto o presidente mantém silêncio, ministros militares elogiam Moro e dizem que "escutas criminosas" não devem servir como prova para "manchar" a biografia do titular da Justiça, classificado pela caserna como um homem de conduta irretocável.

Nesta terça, foi a vez de o general Villas Bôas, ex-comandante do Exército e assessor especial no Gabinete de Segurança Institucional (GSI), publicar um texto em seu Twitter no qual sai em defesa de Moro. O general da reserva disse que o momento atual é "preocupante" e chamou a Lava Jato de "esperança" para a normalização ética das relações institucionais do Brasil.

"Momento preocupante o que estamos vivendo, porque dá margem a que a insensatez e o oportunismo tentem esvaziar a operação Lava Jato, que é a esperança para que a dinâmica das relações institucionais em nosso País venham a transcorrer no ambiente marcado pela ética e pelo respeito ao interesse público", escreveu o militar.

Nem mesmo o PSL, partido do presidente, pretende entrar na linha de frente da defesa de Moro. "O Moro nem é filiado ao PSL, tá certo?", justificou o presidente da legenda, deputado Luciano Bivar (PSL-PE). Segundo ele, cada parlamentar é livre para se manifestar sobre o caso, mas não haverá uma ação conjunta.





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