Mortes e prisões em operação da PM na Comunidade do Mosquito

Publicação: 2018-06-14 00:00:00 | Comentários: 0
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O corpo de um adolescente foi colocado por moradores da comunidade do “Mosquito”, na  avenida Felizardo Firmino Moura, no bairro Nordeste, no início da manhã desta quarta-feira (13). A ação foi uma maneira de protesto de moradores após a morte de três pessoas, em confronto com a Polícia Militar durante uma operação que ocorreu nas primeiras horas da manhã. Após ir até onde o corpo foi jogado, o delegado Matheus Trindade disse que o caso será investigado pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Em protesto pelas mortes, moradores atearam fogo em pneus e mantiveram a avenida Felizardo Moura bloqueada por meia hora
Em protesto pelas mortes, moradores atearam fogo em pneus e mantiveram a avenida Felizardo Moura bloqueada por meia hora

A operação na comunidade do Mosquito, na zona Oeste de Natal,  ocorreu após uma viatura da PM ser alvo de tiros quando fazia ronda durante a madrugada, por volta das 5h, e passava próximo ao local, de acordo com relatos da Polícia Militar.  “Foi pedido reforço, e ao entrar no Mosquito fomos recebidos com tiros”, explicou o tenente-coronel Rodrigo Trigueiro, comandante do Batalhão de Polícia de Choque (BPchoque).  Os feridos foram socorridos e encaminhados ao Hospital Dr. José Pedro Bezerra,  o Santa Catarina, na zona Norte, mas não resistiram aos ferimentos.

Segundo o comandante,  os três homens que morreram seriam ligados à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e teriam orquestrado os recentes ataques a ônibus em Natal. Dois dos mortos foram identificados: Claudécio Lopes da Silva (vulgo Baleado), José Wilson Souza da Silva (vulgo Zé Wilson). A terceira pessoa morta em confronto com a polícia não foi identificada.

A quarta pessoa que morreu era o adolescente (J.O.F, segundo boletim do Itep) de 17 anos e, de acordo com o tenente-coronel Rodrigo Trigueiro, seria o responsável por avisar a organização criminosa sobre a chegada da polícia dentro da comunidade (chamado de fogueteiro). Por estar dormindo, ele teria sido punido pela facção. “Foi morto pelos criminosos porque não soltou o rojão quando a gente chegou”, esclareceu Trigueiro.

Polícia apreendeu armas, drogas, celulares e fardas camufladas
Polícia apreendeu armas, drogas, celulares e fardas camufladas

Na mesma ocorrência, outras cinco pessoas foram detidas, três homens e duas mulheres. Armas, drogas, coletes balísticos e fogos de artifício também foram apreendidos e enviados a Central de Flagrantes da Polícia Civil, em cidade da Esperança. Todos os cinco presos foram autuados na Central de Flagrantes da Polícia Civil e responderão por tráfico de drogas e outros crimes como posse ilegal de arma de fogo. Não houve registro de policiais feridos na troca de tiros com as pessoas.

Dos presos, Cícero Eduardo da Silva era foragido do sistema penitenciário. Já Adriele Barbosa foi autuada pelo crime de tráfico de drogas. Na casa dela, os policiais apreenderam porções de droga e embalagens para acondicionar as substâncias. Michael David da Silva foi autuado pelos crimes de tráfico de drogas e posse ilegal de arma de fogo. Ele estava em uma residência com quatro tabletes e porções individuais de droga; seis cartuchos calibre 12; seis aparelhos celulares e uma câmera digital.

Em uma outra residência foram presos pelos crimes de tráfico e associação para o tráfico Givaldo Batista da Silva; Kleberson Felix da Cruz e Cícero Eduardo da Costa. Eles estavam com tabletes e porções de drogas; uma balança; duas gandolas camufladas; uma capa de colete; um coldre e um aparelho celular.

Protesto
Em protesto, moradores da comunidade levaram um corpo para a pista, onde mantiveram o bloqueio por cerca de meia hora. A identidade do cadáver não foi confirmada. O trânsito foi interrompido nas duas vias e a polícia foi deslocada ao local, onde as pessoas que participavam do bloqueio atiraram pedras e rojões nos veículos que trafegavam pela rodovia próximo às comunidades do Mosquito e Beira Rio.

PM afirma que adolescente teria sido morto por criminosos
PM afirma que adolescente teria sido morto por criminosos

Com a chegada de maior efetivo da Polícia Militar e reforço da Polícia Civil, o trânsito foi liberado, mas o corpo continuou na via, aguardando a chegada do Itep, que faria o recolhimento para perícia. Equipes do Corpo de Bombeiros e do Instituto Técnico-Científico de Perícia foram acionadas. Policiais militares ajudaram a desobstruir a avenida. Por volta das 9h, uma faixa de cada pista havia sido liberada.

Mosquito
A comunidade do Mosquito fica em uma das áreas periféricas da capital. Considerada por autoridades de segurança como um dos bairros mais “perigosos” de Natal, por ter um “importante” reduto do PCC. Fica entre a linha do trem que cruza a Ponte de Igapó e o Rio Potengi. A comunidade constantemente é alvo de operações da polícia em combate a criminalidade. Em janeiro deste ano, dois homens morreram e 20 pessoas foram presas durante uma ação da PM.

Os moradores que participaram do protesto na manhã de ontem reclamava da violência, tanto “por parte da polícia e também da facção”, reclamou uma das moradoras, que pediu para não ser identificada. “A polícia chega aqui e não dá chance de defesa a ninguém, entra em casa de família e quebra as coisas de gente inocente, que não tem nada  a ver com essa guerra”, reclamou a mulher, que também alegou que alguns moradores são obrigados a omitir informações pela facção. “Se abrir a boca eles matam”, disse.

Balanço
Os presos
Cícero Eduardo da Silva
Givaldo Batista da Silva
Kleberson Felix da Cruz
Adriele Barbosa de Oliveira
Michael David Da Silva Pereira

Mortos durante confronto:
Claudécio Lopes da Silva (vulgo Baleado);
José Wilson Souza da Silva (vulgo Zé Wilson);
O terceiro homeme não tinha sido identificado até o fechamento desta edição

Materiais apreendidos:
6 tabletes inteiros de maconha
6  tablete fracionado de maconha
2 trouxas de maconha
2 trouxas de crack
6 munições cal .12
3 relógios
1 câmera digital
8 celulares, sendo 2 iPhone
2 Tablets
Faca caseira
Rolo de papel filtro
R$ 213,00  fracionados
4 fardas camufladas
Capa de colete com placa de metal
3 revólveres calibre .38
13 munições calibre .38, sendo 6 deflagradas
Cinto e coldre para arma de fogo
Moto roubada TITAN QGM 21 83
Apetrecho para fabricação de arma caseira

Fonte: Comunicação PM e Degepol


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