Natal
Mossoró é a cidade do RN mais vulnerável à covid-19
Publicado: 00:00:00 - 17/05/2020 Atualizado: 10:20:16 - 17/05/2020
Luiz Henrique Gomes
Repórter

Uma reportagem do portal UOL publicada em 2005 destacou: “Situada entre duas capitais, ponto de transição entre litoral e sertão, a localização geográfica de Mossoró foi de fundamental importância para o desenvolvimento da cidade”. Quinze anos depois, o mesmo fator faz de Mossoró, na região Oeste, a cidade mais vulnerável para o novo coronavírus no Rio Grande do Norte, segundo um estudo publicado no dia 7 pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Localizada na região Oeste e com a estimativa de 297 mil habitantes, a cidade, segunda maior do Estado, é mais vulnerável do que a capital Natal, que tem mais casos e mortes causadas pelo novo coronavírus.

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Mossoró, de acordo com o estudo da Sudene, é mais vulnerável à infecção do que a capital do Estado

Mossoró, de acordo com o estudo da Sudene, é mais vulnerável à infecção do que a capital do Estado



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    O número de habitantes de Mossoró é quatro vezes menor do que a capital, mas até a quarta-feira (13), as duas cidades possuíam o mesmo número de mortes confirmadas por covid-19 (22). No dia seguinte, Natal disparou com a confirmação de 10 novas mortes, mas não reduz a situação crítica de Mossoró. A cidade do Oeste tinha 456 casos da infecção confirmados até às 23h da quarta-feira (13), atrás apenas da capital, com 1.083 casos confirmados.

    Para os pesquisadores da Sudene, Mossoró está mais próxima a focos de contágio por se situar a 236 quilômetros de Fortaleza, no Ceará, e exerce uma influência sobre outras cidades menores da região - o que, num momento de crise sanitária, sobrecarrega os seus equipamentos de saúde. “Diversos municípios de influência regional apresentam maior vulnerabilidade multidimensional que as capitais de seus respectivos estados”, destaca o estudo, assinado pelos pesquisadores Rodolfo Benevuto e Robson Brandão. “Tal fato novamente evidencia um iminente risco de sobrecarga nos equipamentos de saúde de tais municípios, tendo em vista a demanda adicional oriunda de municípios do entorno com menos acesso a equipamentos de saúde”, ressaltam.

    Para a secretária municipal de Mossoró, Saudade Azevedo, a proximidade com o Ceará, com 21 mil infectados pelo coronavírus e 1,4 mil mortes, tem efeito em Mossoró porque existe um fluxo constante entre a região Oeste potiguar e o Ceará, principalmente relacionados ao comércio. “Atribuímos essa situação em relação a proximidade com o Ceará à relação forte comercial entre a cidade e o estado vizinho. Principalmente com algumas cidades próximas, como Icapuí, mas também com Fortaleza, que tem um comércio muito forte. Ficamos extremamente vulneráveis em relação a esse processo”, declarou. Nos próprios hospitais da cidade, segundo a diretora do Hospital Regional Tarcísio Maia, Herbênia Ferreira, muitos servidores moram em cidades do estado vizinho.

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    Na última semana, o Hospital Tarcísio Maia ganhou mais cinco leitos de UTI exclusivos para covid

    Na última semana, o Hospital Tarcísio Maia ganhou mais cinco leitos de UTI exclusivos para covid



    Os hospitais públicos da cidade selecionados para dar assistência aos casos graves de covid-19 (Hospital Regional Tarcísio Maia, Hospital Rafael Fernandes e Hospital São Luiz) são responsáveis por atender uma população de 633 mil habitantes de 28 cidades próximas a Mossoró, localizadas na 2ª e 8ª regiões de Saúde. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, 206 hospitalizações de infectados ou suspeitos da doença foram registradas entre os dias 18 de março e 7 de maio. Destes, 32% (66 pacientes) eram de outros municípios.

    Segundo a diretora Herbênia Ferreira, o Hospital Tarcísio Maia, principal referência do Oeste na pandemia, já atendeu pacientes de diversas cidades da região desde o início do coronavírus. O Tarcísio Maia tem 15 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em funcionamento e outros cinco para serem abertos. “A maioria dos pacientes são de Mossoró, mas já atendemos Apodi, Upanema, Areia Branca, Assú, Baraúna e pacientes de muitas outras cidades”, afirmou.

    No primeiro mês de pandemia do novo coronavírus, a região Oeste, com epicentro em Mossoró, foi incluído pelo Ministério da Saúde entre as dez regiões brasileiras com maior coeficiente de mortalidade de infectados. A cidade de Mossoró chegou a ter apenas 10 leitos de UTI no Hospital Tarcísio Maia na mesma época, uma estrutura inferior a de Natal, mas recebeu prioridade da Secretaria de Estado de Saúde Pública do RN (Sesap) no plano de abertura de leitos para evitar o colapso. Entretanto, o município chegou a ficar com todos os leitos lotados entre 23 de abril e primeira semana de maio.

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    Prefeitura tem intensificado a desinfecção de áreas públicas, principalmente, nas praças da cidade

    Prefeitura tem intensificado a desinfecção de áreas públicas, principalmente, nas praças da cidade



    A cidade tinha 40 leitos de UTI Adultos e 10 semi-intensivo até esta sexta-feira (15), segundo a Sesap. Destes, 32 estavam ocupados e oito vagos. “É um número alcançado graças a abertura de leitos, não pelo número de internados”, destacou o secretário-adjunto de Estado da Saúde, Petrônio Spinelli. Outros leitos públicos, destinados para gestantes e infantil, também foram instalados e operam com uma capacidade considerada fora do risco de colapso.

    Número da infecção e situação dos equipamentos hospitalares
    22 mortes confirmadas
    456 casos de covid-19 confirmados

    *Dados até às 23h da quarta (13)

    Leitos públicos de UTI: 51
    20 leitos de UTI no Hospital São Luiz (contratados)
    10 leitos de UTI para gestantes e puérperas na Associação de Proteção e Assistência à Maternidade e Infância de Mossoró
    20 leitos de UTI no Hospital Regional Tarcísio de Vasconcelos Maia (HRTM)
    1 leito de UTI pediátrico custeado pela Prefeitura no Hospital Wilson Rosado (públicos)

    Leitos públicos de UTI para serem abertos (sem previsão de data):
    15 leitos de UTI no Hospital São Luiz (contratados);
    2 leitos de UTI pediátrica custeados pela Prefeitura no Hospital Wilson Rosado (públicos);
    65 Leitos públicos clínicos 
    7 UPI
    35 leitos clínicos na Unidade Hospitalar de Campanha do Belo Horizonte (custeado exclusivamente pela Prefeitura de Mossoró)
    30 leitos clínicos no Hospital São Luiz (públicos)
    7 leitos de UPI no Hospital Regional Tarcísio de Vasconcelos Maia (HRTM)

    Leitos clínicos e semi-intensivos públicos para serem abertos (sem previsão de datas)
    25 leitos Clínicos no Hospital da Polícia Militar em Mossoró
    10 leitos de Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) no Hospital Rafael Fernandes
    35 leitos clínicos no Hospital São Luiz
    4 leitos de Unidade de Cuidados Intermediárias (semi-intensivo) na Unidade Hospitalar de Campanha do Belo Horizonte

    Ocupação dos leitos de UTI/Clínicos em Mossoró - até 16h30 do dia 14/05/2020
    Unidade Hospitalar de Campanha do Belo Horizonte: 7 leitos clínicos ocupados / 28 leitos clínicos livres
    Hospital São Luiz (Clínicos): 12 leitos clínicos ocupados / 18 leitos clínicos livres
    Hospital São Luiz (UTI): 16 leitos de UTI ocupados, 1 leito de UTI interditado por problemas técnicos / 3 leitos de UTI vagos
    Hospital Regional Tarcísio Maia (UTI): 11 leitos de UTI ocupados / 4 vagos e 5 montados, mas ainda não utilizados por falta de demanda
    Hospital Rafael Fernandes (semi-intensivo): 10 leitos semi-intensivos 
    Associação de Proteção e Assistência à Maternidade e Infância de Mossoró (leitos UTI gestantes e puérperas):  10 leitos de UTI para gestantes e puérperas vagos.


    Fonte: Sesap/RN e SMS Mosoró






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