Mostra de Gostoso promete mais de 40 filmes na programação

Publicação: 2019-10-03 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Ramon Ribeiro
Repórter


Os preparativos para a 6ª edição da Mostra de Cinema de Gostoso estão à todo vapor. Neste ano a organização recebeu a inscrição de cerca de 840 filmes, dentre curtas e longas-metragens. Todo o material já foi apreciado pelos curadores e nos próximos dias a lista com os selecionados das mostras competitivas será anunciada. Mas a programação completa abrange pra lá de 40 filmes, além das mesas de debate, seminário sobre mercado audiovisual e a novidade deste ano: o Gostoso Lab – laboratório de desenvolvimento de projetos que visa aprimorar quatro propostas de longa de realizadores  potiguares. A Mostra de Cinema de Gostoso vai acontecer entre os dias 8 e 12 de novembro, com estrutura de alta tecnologia para exibição de filmes à beira mar, na Praia do Maceió, em São Miguel do Gostoso. O acesso a toda programação é gratuito.

Estrutura de exibição é uma item indispensável para a imersão de uma sala de cinema ao ar livre
Estrutura de exibição é uma item indispensável para a imersão de uma sala de cinema ao ar livre

Diretores gerais da Mostra, Eugênio Puppo e Matheus Sundfelfd contaram à TRIBUNA DO NORTE um pouco do que vem pela frente. A dupla não revelou nenhum filme da programação, mas garantiu que vem coisa boa por ai. “A Mostra é uma espécie de scanner da produção brasileira. O que tá rolando hoje no país, as várias questões da sociedade, a gente vê que está muito refletido nos filmes. A questão de gênero, por exemplo, recebemos muitas obras com essa temática. Feminicídio, personagens femininas fortes. Notamos também um aumento da temática indígena e ambiental, filmes de representatividade negra”, comenta Matheus.

Para exibir os principais filmes do evento, Eugênio adianta que a superestrutura está garantida. “Proposta é promover a imersão de uma sala de cinema ao ar livre, na Praia do Maceió. Projeção 2k, tela de 12x5, som 5.1, e 600 espreguiçadeiras aos estilo do Festival de Cannes. Se não for assim a gente não faz”, conta o diretor. Ele anuncia que nesta edição terão duas sessões especiais: a tradicional, de encerramento, com exibição de filme fora da competição, e uma sessão extra no sábado, às 23h.

Quanto aos prêmios, além dos já conhecidos prêmio da crítica para o melhor curta do Nós do Audiovisual, melhor curta nacional, melhor longa nacional e grande prêmio do público para melhor curta nacional e longa nacional, também serão distribuídos entre os realizadores os prêmios de empresas parceiras, como os prêmios dois prêmios de finalização de imagem (para ser usado em um próximo curta), dois prêmios de recurso à acessibilidade (Libras), e um prêmio de distribuição.

Mas a grande novidade deste ano de fato é o Gostoso Lab. A iniciativa conta com a parceria do BR Lab, de São Paulo, organismo que há nove anos promove oficinas de desenvolvimento de roteiros e aprimoramento de projetos, sendo parceiro de importantes festivais nacionais e internacionais.

“Abrimos uma seletiva de projetos de longa-metragem do RN e recebemos 11 propostas, todas no papel ainda. Durante a Mostra, vamos colocar esses proponentes em contato com quatro tutores que vão dar orientações quanto à estrutura de roteiro, enredo, criação de personagem, orçamento, viabilização financeira do projeto, distribuição, ver se o filme é melhor para TV, cinema ou internet, esses aspectos”, explica Matheus. Os tutores são o pernambucano Marcelo Lordello, do filme “Eles voltam”; Daniela Aun, produtora da Gullane Filmes, uma das maiores do país atualmente; Fernanda de Capua, roteirista de São Paulo; e Rafael Sampaio, criador do Br Lab.

Segundo Eugênio, em cinco anos acompanhando os curtas potiguares na Mostra de Gostoso, ele acha que é a produção potiguar ainda precisa avançar em qualidade, por isso criaram o Gostoso Lab. “Pra mim essas iniciativas de seminário para discutir mercado e distribuição, como a que o Goiamum e outros  tem feito, é como que colocar a carroça na frente dos bois. São importantes, mas a busca por uma melhora na qualidade do conteúdo deveria vir primeiro. A montagem, por exemplo, eu acho que é um problema grave aqui. E quem faz cinema sabe a importância de uma boa montagem. Então estamos propondo esse Laboratório para desenvolvimento dos projetos, para que, conversando com outros profissionais, os realizadores aprimorem suas produções”, comenta Eugênio.

Eugênio Puppo e Matheus Sundfelfd definem Mostra como um scanner da produção brasileira
Eugênio Puppo e Matheus Sundfelfd definem Mostra como um scanner da produção brasileira

Fruto coletivo
Outra ação importante da Mostra é o Coletivo Nós do Audiovisual, formado por jovens do município que participam dos cursos de formação técnica e audiovisual promovidos pelo evento. Neste ano o grupo estreia quatro novos curtas-metragens, sendo dois longas e dois documentários.  Mas ao todo, desde o surgimento da Mostra, em 2013, o coletivo já produziu 19 filmes, muitos deles exibidos em importantes festivais do país e até no exterior, como lembra Eugênio Puppo e Matheus Sundfelfd. “O coletivo está rendendo muitos frutos. Esse ano tivemos filme sendo exibido em Los Angeles. Também tivemos o curta 'O Grande Amor de um Lobo' na mostra competitiva do Cine Ceará, e o 'Filho de Peixe', que ganhou prêmio no Festival Kinoforum, de São Paulo”, conta Eugênio.

Matheus destaca também a seleção de dois jovens do coletivo no projeto Globo Lab do Profissão Repórter, Clara Leal e Rubens dos Anjos, cuja reportagem a emissora exibiu ontem (2). “Eles fizeram um vídeo sobre um grupo de jovens LGBTs que foram excluídos do ambiente familiar e que por isso se juntaram numa república. São cerca de cinco jovens morando juntos, lá em S. Miguel do Gostoso. Esse vídeo fez com que a dupla fosse selecionada e ainda suscitou a reportagem da Globo sobre o tema”, conta Matheus orgulhoso dos pupilos, assim como Eugênio.

“Dá orgulho ver essa autonomia da molecada. Aos poucos eles vão conseguindo desenvolver projetos pessoais, e até institucionais onde conseguem tirar uma grana. Alguns também já estão na UFRN, outros no IFRN, tem aqueles que já estão trabalhando”, diz Eugênio, ressaltando que o Coletivo Nós do Audiovisual iniciou sua segunda turma no ano passado. “Formamos 53 alunos na primeira turma (2013-2016), e agora estamos com mais 42. Ensinamos linguagem cinematográfica, fotografia, produção, roteiro, montagem. Colocamos eles para realizar seus próprios curtas e para atuar na produção do festival. Mas não é só cinema. Na verdade a gente usa o cinema para edificar esses jovens”.

Pelo terceiro ano seguido a Mostra de Cinema de Gostoso está sendo realizada com patrocínio do Governo do Estado, por meio do Programa Governo Cidadão (via empréstimo do Banco Mundial). Também viabilizam o evento a Secretaria do Audiovisual (do Ministério da Cultura), Sebrae-RN e Sprite. Toda a programação é gratuita.









continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários