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Viver
Moura Rabello ganha livro sobre sua história
Publicado: 00:01:00 - 09/06/2022 Atualizado: 22:48:41 - 08/06/2022
Como era o cenário das artes plásticas em Natal nos primeiros anos do século XX, antes do modernismo surgir na cena  local?  Entre os adeptos das belas artes, artistas, salões e escolas da época, um deles se destacava: o pintor Moura Rabello (1895-1979), nome que retratou inúmeras personalidades da cidade com a maestria dos grandes retratistas. Nascido em Natal no final do século XIX, o artista ganha um olhar sobre sua obra e história graças a uma pesquisa da professora Isaura Amélia transformada em livro. “Moura Rabello: precursor da arte potiguar”, que será lançado em julho.

Divulgação


Editado pela jornalista e fotógrafa  Angela Almeida, o livro de Isaura Amélia é uma contribuição singular à compreensão do movimento artístico e cultural nos primeiros anos do século passado. “O livro percorre a Natal artística nos primeiros 50 anos do século XX, antes da exposição coletiva de Navarro, Dorian e Ivon Rodrigues,  marco bem definido  nas nossas artes plásticas como arte moderna”, comenta.

Isaura Amélia parte de depoimentos da filha mais nova de Moura, Marlene Rabello, hoje com 90 anos e dona de uma lucidez surpreendente e de memória invejável. Também fez uma vasta pesquisa na imprensa local que já registra Moura Rabello pintando em 1913. Segundo Isaura, a Escola Elementar de Belas Artes e o Primeiro Salão de Artes Plásticas instituídos por decreto são iniciativas que atestam o vigor do movimento cultural do período.

“Aliás, uma organização de dar inveja aos dias de hoje. No cerne deste movimento estava Moura Rabello. Um retratista dos bons, principalmente no uso do crayon, também pintou a óleo. Rabello deixou uma considerável obra”, conta, pictoria e literária. Moura Rabello fiou conhecido pelos retratos que fazia sob encomenda a partir de fotografias. 

Cobrava 30 mil reis por retrato e durante muitos anos foi sua fonte de renda. Nos anos 30 o filho Genival Rabelo saía vendendo cópias do quadro de Pe. João Maria no Alecrim para sobreviver. Em seu trabalho, Isaura conversou com críticos de arte como Antônio Marques, que ressaltou ser Rabello um virtuose na técnica do crayon sobre cartão. “É o mais significativo da sua produção, a maestria da sua obra”. 
Retratos perdidos

Durante a pesquisa, a autora localizou mais de 50 retratos de  autoria de Moura Rabello. Outros 10 ainda não se tem o paradeiro. Parte deste acervo pertence ao Instituto Histórico e Geográfico do RN. São 18 trabalhos encomendados pelo Governador Antônio de Sousa, o Polycarpo Feitosa, para celebrar o primeiro centenário da Independência.

Parte de sua obra foi doada pelo artista ao Governo do RN e se encontra no salão nobre da Pinacoteca Potiguar: “Augusto Severo e seu mecânico Saché”, de 1963, óleo sobre tela, tombado sob o número 0342. “Vaqueiro”, de 1944, óleo sobre tela. O retrato de Amaro Cavalcante, de 1937, óleo sobre tela. 

Também existe na Pinacoteca o trabalho de Raymilson de Moura Rabello (filho), datado de 1929, que retrata o pai. No acervo de Jardelino Lucena e da artista plástica Ana Amélia está  o quadro do Padre João Maria, provavelmente o mais antigo, talvez de 1913. Já na coleção de Manoel Onofre Júnior estão as figuras Padre João Maria a Caminho da Caridade e o retrato do filho Raymilson. Integram também a Coleção de Arte  Isaura Amelia algumas obras de Rabello e da sua família.

Manoel de Moura Rabello nasceu em Natal, morou 44 anos no Rio de Janeiro, e voltou pra morrer na capital potiguar. Participou da I Exposição de Pintura de Natal, em 1933. Sócio do IHGRN, como consta no seu necrológio, cometeu versos e lançou livros de poemas e coletâneas, inclusive deixando um livro inédito. (Cinthia Lopes Cardoso - Colaboração)

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