Movimento na reabertura do Alecrim frustra lojistas

Publicação: 2020-03-31 00:00:00
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O dia de reabertura do comércio de rua do Alecrim frustrou os lojistas e camelôs que voltaram às atividades nesta segunda-feira, 30. O movimento de clientes foi praticamente zero nas pequenas lojas durante todo horário em que permaneceram abertas, das 8h às 14h. Funcionando com expediente reduzido para evitar aglomeração devido à pandemia de coronavírus, parte dos comerciantes pensa em antecipar o fechamento para o meio dia, como medida para reduzir gastos e ficar menos expostos ao risco de assaltos.

Créditos: Magnus NascimentoLúcia Dantas, vendedora, tentou atrair clientes oferendo máscaras mas vendas foram muito baixasLúcia Dantas, vendedora, tentou atrair clientes oferendo máscaras mas vendas foram muito baixas


“A loja esteve vazia desde que eu abri e foi assim na maioria que abriu”, contou Emanoel Dantas, proprietário de uma loja de alumínios na avenida Coronel Estevam (Av. 9), uma das principais do bairro. “Já estamos pensando em fechar mais cedo porque assim não vale a pena. A gente fica exposto ao próprio vírus e a assaltos, já que o bairro está deserto, e gasta energia á toa. Depende do que a gente ver na semana.”

Dantas reabriu a loja depois de uma semana fechada. Pesou na decisão o fato de uma rede de varejos vizinha ao seu comércio decidir reabrir. Para seguir as regras de prevenção ao coronavírus, ele adotou o álcool em gel na loja e estava pronto para as restrições do número de clientes no ambiente interno. “Fiquei com menos medo de abrir porque a Americanas abriu e isso dá mais movimento ao bairro, mas mesmo assim foi fraco”, afirmou.

Segundo a Associação dos Empresários do Bairro do Alecrim (Aeba), cerca de 30% entre 4,6 mil estabelecimentos existentes no local abriram. As ruas mais populares, como a do camelódromo, estavam vazias e com a maior parte do comércio fechado. Grandes redes do varejo e segmentos como o de óticas também não abriram nesta segunda-feira, 30.

Quem pensou que ia encontrar todos os estabelecimentos abertos também se frustou. Jailma Otaviano foi ao bairro para resolver problemas imobiliários, mas ao chegar no local às 8h viu que estava fechado. Três horas depois, ela ainda esperava o ônibus de volta para casa - a frota está reduzida desde o início das restrições do isolamento social. “Vim só fazer isso e não consegui. Agora tento voltar para casa, mas está bem difícil”, disse.

Serviço bancário
O único movimento do bairro foi o do serviço bancário. Esta segunda-feira foi o dia em que muitas empresas realizaram o pagamento de funcionários. Agências da Caixa Econômica Federal e do Bradesco tiveram longas filas na parte externa. Apesar da prioridade para idosos, considerados grupo de risco para o novo coronavírus, e da disponibilidade de água e sabão para lavar as mãos, muitos não seguiam a recomendação de 1,5 metro de distância para manter a segurança nas filas.

Do baixo movimento que teve nas lojas nesta segunda-feira, uma parte foi ao centro comercial para utilizar o serviço bancário e aproveitou para consumir. Katia Magali, de 37 anos, foi uma dessas. Ela procurou o banco para o serviço de atendimento ao cliente e fez a compra de uma hélice de ventilador para a vizinha. “Não consegui resolver o que tinha no banco porque o serviço de atendimento ao cliente não estava funcionando, mas deu certo comprar o que a minha vizinha pediu. Fiz isso justamente para evitar que ela saia de casa”, relatou.

Álcool em gel e máscaras
Duas mudanças perceptíveis nos produtos vendidos no Alecrim nesta segunda-feira foram a presença do álcool em gel nos balcões das lojas e camelôs e o uso e comercialização das máscaras. Com a alta procura desde que a pandemia chegou ao Rio Grande do Norte, parte dos comerciantes tentam manter as vendas com os dois produtos.

A vendedora de roupas Lúcia Dantas, de 60 anos, montou uma banca na fachada da loja com máscaras, mas afirma que nem assim está vendendo. “Não teve movimento nenhum. As pessoas passam pela loja, mas não entram. Eu acho que muita gente já está com esses materiais em casa e não precisam mais comprar”, afirmou.

Emanoel Dantas, da loja de alumínio, fez parecido com o álcool em gel. No sábado, 28, ele aproveitou o retorno de feira livre do Alecrim para vender o produto que havia acabado de conseguir com uma fábrica. Nesta segunda, decidiu interromper as vendas porque restavam poucas unidades e ele quis garantir para os clientes e funcionários que visitam a loja.

Ambos temem o novo vírus e não escondem que permanecem abertos porque precisam. Lúcia, que faz parte do grupo de risco, vestia uma máscara, touca, uma camisa de manga longa e uma capa de chuva para se prevenir do coronavírus sem abrir mão da sua única renda. “O que resta é pedir a Deus para isso passar logo. É uma crise, mas isso vai passar. Não há mal que dure para sempre”, declarou esperançosa.





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