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Brasil
MP de SP denuncia procurador por tentativa de feminicídio contra colega
Publicado: 18:47:00 - 23/06/2022 Atualizado: 18:55:28 - 23/06/2022
O Ministério Público de São Paulo denunciou, nesta quinta-feira (23), o procurador Demétrius Oliveira de Macedo por tentativa de feminicídio no caso do espancamento da procuradora-geral de Registro Gabriela Samadello Monteiro de Barros. Demetrius foi preso na manhã desta quinta (23), em uma clínica de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.

Reprodução
Procurador municipal Demétrius Oliveira de Macedo espancou, no Vale do Ribeira, a procuradora-geral Gabriela Samadello Monteiro

Procurador municipal Demétrius Oliveira de Macedo espancou, no Vale do Ribeira, a procuradora-geral Gabriela Samadello Monteiro


"O ataque contra a incolumidade física da vítima e a gravidade dos ferimentos, estampada nas fotos da ofendida, atingida primordialmente no rosto e cabeça, região vital, não deixam dúvidas que Demétrius buscava a morte da vítima, que apenas não ocorreu por circunstâncias alheias a sua vontade, qual seja, a interferência de terceiras pessoas presentes na repartição pública, ambiente de trabalho de ambos", registra a denúncia.

A promotoria cita ainda a qualificadora de recurso que dificultou a defesa da vítima, em razão de Demétrius ter jogado a chefe no chão e continuar a golpeá-la "feroz e continuamente, aproveitando possuir porte físico muito superior".

A denúncia é assinada pelos promotores, que narram que Demétrius com "evidente intento homicida, tentou matar" Gabriela, "por intermédio de violentos golpes desferidos principalmente contra a cabeça" da procuradora, "apenas não se consumando o delito por circunstâncias alheias a vontade do agente".

A Promotoria ainda imputa ao procurador suposta coação no curso do processo e injúria. A primeira está ligada ao fato de o procurador, segundo o MP, ter usado de violência contra a procuradora-geral, "pessoa que funcionava ou era chamada a intervir em processo administrativo, com o fim de favorecer interesse próprio". Já a acusação de injúria tem relação com as ofensas de Demétrius à dignidade e o decoro de Gabriela em razão das suas funções, "ao chamá-la de 'puta', 'vagabunda', dentre outros nomes de baixo calão".

O MP ainda requereu a manutenção da prisão preventiva do procurador, decretada na noite desta quarta-feira, 22, pelo juiz Raphael Ernane Neves, da 1ª Vara de Registro, atendendo a um pedido do delegado Daniel Vaz Rocha, do 1º Distrito Policial da cidade.

Ao representar contra o Demetrius, Rocha sustentou que Demetrius "vem tendo sérios problemas de relacionamento com mulheres no ambiente de trabalho, sendo que, em liberdade, expõe a perigo a vida delas, e consequentemente, a ordem pública".

O pedido de prisão preventiva foi fundamentado com fotos e vídeos da agressão, além de depoimento da procuradora-geral, diz o governo do estado.

Partiu do ouvidor das Polícias de São Paulo, Elizeu Soares Lopes, a requisição para prender o promotor municipal. Ele disse que a medida é necessária para "salvaguardar o direito da vítima".

Estadão Conteúdo

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