MP recorre da absolvição de Tibério

Publicação: 2017-09-13 00:00:00 | Comentários: 0
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Yuno Silva
Repórter


Após 18 horas de julgamento, o policial Civil Tibério Vinícius Mendes de França, 42, que confessou ter matado o colega Iriano Serafim Feitosa no dia 3 de fevereiro do ano passado, foi absolvido pelo júri popular. O réu também era acusado por tentativa de homicídio, ao atentar contra a vida da advogada Ana Paula da Silva Nelson, viúva de Iriano, que estava com a vítima no dia do crime. A sentença foi anunciada durante a madrugada dessa terça-feira (12) pela juíza Eliana Alves Marinho, presidente do 1º Tribunal do Júri, do Fórum Miguel Seabra Fagundes, em Natal.

Tibério Franca (de costas) e a advogada Ana Paula, viúva de Iriano
Tibério Vinícius alegou que matou Iriano “sob forte emoção”. Júri popular aceitou tese da defesa

O júri popular, formado por dois homens e cinco mulheres, aceitou a tese da defesa que alegou que Tibério, apesar de ter admitido o crime, o fez “sob forte emoção”. O promotor Augusto Flávio Azevedo, representante do Ministério Público do RN que postulou a condenação de Tibério, entrou com recurso logo após a sentença. O promotor recorreu da decisão do júri popular, e tem um prazo de oito dias para apresentar os argumentos que contestam a absolvição. De acordo com informações da assessoria do MPRN, “as apelações serão fundamentadas no fato de que a decisão do júri contraria veementemente as provas dos autos”.

Para Augusto Flávio, “o processo inteiro é repleto de provas. Nos autos, ficou comprovado o planejamento do crime, já que a pessoa (Tibério) assume que modificou a própria moto, adesivando de outra cor; comprou uma pistola 9 milímetros, que é típica de matador, duas semanas antes do crime; permaneceu durante quase uma hora à espreita dos alvos e armou uma fuga com todos os elementos. A decisão pela absolvição é absurda”, declarou o promotor. Com a absolvição, o decreto de prisão preventiva foi revogado. Até o fechamento desta edição não havia informação se o alvará de soltura em favor de Tibério Vinícius tinha sido liberado.

Durante seu depoimento, que durou mais de duas horas, o policial civil Tibério Vinícius frisou que o ex-colega Iriano Serafim “era mestre em armação e em jogar uns contra os outros”, e que seu depoimento poderia gerar “uns 500 novos processos”. O réu também alegou que ele e sua família vinham sendo alvo de ameaças e perseguições por organização criminosa da qual Iriano Serafim supostamente faria parte.

Em sua defesa, Tibério Vinícius disse ainda que havia escapado de atentados que ele atribui ao ex-colega: “Comecei a ser perseguido por Iriano depois que denunciei o esquema de venda de inquéritos dentro da Polícia Civil. O que estão fazendo comigo é uma tentativa de queima de arquivo”.

Durante o julgamento foram ouvidas cinco pessoas como testemunhas, incluindo Ana Paula  na condição de vítima sobrevivente do atentado protagonizado por Tibério Vinícius em fevereiro do ano passado – ela também atuou como advogada assistente da acusação. Viúva do policial assassinado, Ana Paula foi presa em setembro de 2016 por associação com o tráfico de drogas. A advogada estava em liberdade provisória, mas foi detida novamente dia 8 de junho passado por descumprir exigências impostas pela Justiça.

Ana Paula chegou a fazer perguntas ao réu, mas Tibério Mendes preferiu permanecer em silêncio. Iriano Serafim Feitosa foi assassinado dia 3 de fevereiro de 2016, no conjunto Cidade Satélite, Zona Sul de Natal. Ele e a esposa, a advogada Ana Paula da Silva Nelson, estavam em um carro quando foram abordados por Tibério Vinícius Mendes de França, que estava em uma moto e efetuou vários disparos. Tibério foi preso no dia 22 de março, mas conseguiu fugir em junho. Foi recapturado em julho do ano passado no município de Cabrobó, no sertão do estado de Pernambuco.



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