MPRN envia à Justiça denúncia contra policial

Publicação: 2019-03-15 00:00:00 | Comentários: 0
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O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) denunciou nesta quinta-feira, 14, o policial militar Luiz Carlos Rodrigues pela morte do estudante Luiz Benes Leocádio de Araújo Junior, filho do deputado federal Benes Leocádio. De acordo com a investigação do caso, o tiro que matou o jovem saiu da arma do policial, conforme consta no laudo anexado ao processo.

Luiz Benes Leocádio foi morto no dia 15 de agosto após sequestro relâmpago. Adolescente envolvido em sequestro também morreu
Luiz Benes, filho do deputado federal Benes Leocádio, foi vítima de sequestro relâmpago

Para o MPRN, os quatro policiais militares envolvidos na operação assumiram o risco de atingir a vítima, o que de fato aconteceu. Na ocasião, Luiz Benes foi vítima de um sequestro-relâmpago, mantido refém por Mateus da Silva Régis, que também foi morto na ação, e Samuel Gutemberg Bezerra Ribeiro.

Após a realização dos laudos de microcomparação balística, foi possível afirmar que o tiro que matou Luiz Benes partiu da arma do PM denunciado. Por esse motivo, o MPRN entende que a responsabilidade da morte deve recair somente sobre ele, tendo sido cometido com dolo eventual. "O crime com dolo eventual ocorre quando o responsável, mesmo sem querer efetivamente o resultado, assume o risco de o produzir", afirma o MPRN.

Ainda de acordo com o Ministério Público, não foi possível precisar qual das armas atingiu o adolescente infrator Mateus da Silva Régis, causando-lhe também a morte. Porém, o MPRN destaca que os policiais agiram em legítima defesa na ação contra os dois adolescentes infratores, vitimando Mateus. "Não há que se falar em crime em face de que [Mateus] com sua ação criminosa, no mínimo, gerava para os policiais perigo iminente, pois encontrava-se armado", diz a denúncia enviada à Justiça.

Na quarta-feira, o policial foi indiciado por homicídio doloso  em inquérito elaborado pela Divisão de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil. Pela morte de Matheus Régis, no entanto, ninguém será indiciado.  O inquérito, portanto, não aponta indícios de cometimento de crimes por parte dos outros três PMs envolvidos no caso.

Luiz Benes Leocádio Júnior foi vítima de um sequestro-relâmpago no dia 15 de agosto no bairro do Tirol, em Natal. Ele estava próximo ao escritório da campanha de seu pai, Benes Leocádio, que na época concorria à vaga de Deputado Federal pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC).

Quando foi ao carro buscar um material de limpeza para o escritório, Benes Júnior foi abordado por dois outros adolescentes, que renderam o jovem e anunciaram o sequestro.  Benes, que não sabia dirigir, foi obrigado então a conduzir o veículo enquanto os dois praticavam assaltos pela cidade.

Quando os três já estavam na altura da avenida Moema Tinoco, na zona Norte de Natal, o carro foi alcançado por policiais militares em uma viatura, que estavam cientes do sequestro. Durante a abordagem, houve uma troca de tiros entre os PMs e os sequestradores, na qual Benes Júnior foi atingido duas vezes. Ele chegou a ser socorrido e levado à Unidade de Pronto Atendimento de Pajuçara, mas não resistiu e faleceu no local.

Outro adolescente, identificado como Matheus da Silva Régis, de 17 anos, também foi atingido durante a troca de tiros com os policiais. No KIA Branco em que estavam os jovens, foram identificadas 7 marcas de tiro, todas de fora para dentro.











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