MPT discute demissões com a Ford

Publicação: 2021-01-14 00:00:00
O Ministério Público do Trabalho (MPT) fará uma audiência virtual nesta quinta-feira (14), às 9h30 com representantes da Ford para discutir as demissões decorrentes do encerramento das atividades da montadora no Brasil. Segundo a própria companhia, os desligamentos podem atingir 5,3 mil funcionários no País.

Créditos: lucas lacaz ruiz/estadão conteúdo

A audiência terá a participação do procurador-geral do MPT, Alberto Balazeiro, do titular da Coordenadoria Nacional de Promoção da Liberdade Sindical e do Diálogo Social (Conalis) do MPT, Ronaldo Lima dos Santos, e do secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco Leal.

Nesta quarta-feira, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), anunciou em reunião com os trabalhadores desempregados após fechamento da fábrica da Ford em Camaçari (BA), que o governo irá disponibilizar, entre outras medidas, um banco de dados para auxiliar a recolocação desses profissionais em outras empresas. O anúncio acompanha decisão do governo estadual de encontrar investidores para ocupar e produzir no parque fabril deixado pela montadora, que anunciou nesta semana que irá encerrar a produção de automóveis no País. O grupo de trabalho encarregado de encontrar interessados pela fábrica na Bahia inclui técnicos do Estado, membros da Federação da Indústria da Bahia e representantes do Sindicato dos Metalúrgicos.

O Ministério da Economia também já iniciou conversas para apoiar a recolocação dos trabalhadores da Ford que vão perder o emprego com a saída da montadora do Brasil. Uma das possibilidades é a criação de um programa específico para ajudar esse grupo de trabalhadores altamente qualificados.

Na segunda-feira (11), a montadora americana anunciou o fim de uma história de um século de produção de carros no Brasil. A Ford, que já tinha encerrado, em 2019, a produção de caminhões em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, comunicou que vai fechar neste ano as demais fábricas no País: Camaçari (BA), onde produz os modelos EcoSport e Ka; Taubaté (SP), que produz motores; e Horizonte (CE), onde são montados os jipes da marca Troller. Serão mantidos no Brasil a sede administrativa da montadora na América do Sul, em São Paulo, o centro de desenvolvimento de produto, na Bahia, e o campo de provas de Tatuí (SP).

Na terça-feira (12), representantes da Ford já se reuniram por videoconferência com a presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Maria Cristina Peduzzi. Segundo comunicado da corte trabalhista, o diretor jurídico da Ford, Luís Cláudio Casanova, disse que a decisão de reestruturação da empresa na América Latina foi tomada diante de prejuízos obtidos anualmente, amplificados durante a pandemia da covid-19.

Competividade
A Anfavea, entidade que representa as montadoras no País, cobrou medidas que melhorem a competitividade do setor e rebateu, embora sem citar nome, o presidente Jair Bolsonaro, que atribuiu o anúncio da multinacional americana à retirada de subsídios. "Em nenhum momento falamos de subsídio. Todas as nossas propostas visam à redução do custo-país. Não queremos subsídios, queremos competitividade", afirmou, durante entrevista a um grupo pequeno de jornalistas, o presidente da entidade, Luiz Carlos Moraes.

Bolsonaro voltou a dizer,  nesta quarta-feira, que lamenta a decisão da montadora Ford de encerrar suas atividades no País, mas reafirmou que o governo não vai conceder subsídios à empresa para que ela mantenha a produção no Brasil. 

Após considerar que o debate sobre o fechamento da manufatura da Ford tem sido politizado, o executivo da Anfavea defendeu os incentivos fiscais que permitiram atualizar tecnologias dos carros produzidos no Brasil e, referindo-se a medidas estruturais necessárias no País - em especial a reforma tributária - pediu que timing político seja determinado pelas prioridades econômicas, e não pelo calendário eleitoral.

Segundo Moraes, os desligamentos da Ford, incluindo a operação de caminhões encerrada em 2019, e da fábrica de carros de luxo da Mercedes-Benz, reduzem de 5 milhões para algo em torno de 4,5 milhões a 4,7 milhões de veículos a capacidade técnica anual da indústria automotiva. A forma de evitar que mais montadoras deixem o País, disse, é estimulando a economia e a competitividade, “reduzindo o custo. “Outra alternativa é fechar fabricas", completou o principal porta-voz da indústria de veículos.