Mudança em data de Olimpíadas fará com que preparações sejam alteradas

Publicação: 2020-03-29 00:00:00
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Lausanne, Suíça (AE) - O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, defendeu a decisão da entidade de adiar para o meio do ano que vem os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020, no Japão. Em teleconferência com jornalistas, o dirigente alemão afirmou que a saúde pública mundial se torna prioridade na luta contra o avanço da pandemia do novo coronavírus e que a doença se apresenta como um dos maiores desafios para o esporte olímpico.

Créditos: Reprodução/FacebookDe acordo com a jogadora de voleibol da Seleção Brasileira, Camila Brait, em 2021 os atletas terão condições de se preparar melhorDe acordo com a jogadora de voleibol da Seleção Brasileira, Camila Brait, em 2021 os atletas terão condições de se preparar melhor

"Nunca vimos um vírus que se espalha tão rápido pelo mundo", disse Bach. A decisão foi anunciada nesta terça-feira, apenas dois dias depois de o próprio COI ter pedido um prazo de um mês para avaliar se manteria ou não a realização da Olimpíada no Japão com início para 24 de julho. "Estamos diante de um desafio sem precedentes", completou o dirigente.

Esta é a primeira vez em mais de 100 anos de Olimpíada que uma edição dos Jogos é adiada. Anteriormente, o evento havia sido cancelado em 1916, 1940 e 1944 em razão da Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Porém, Bach disse ser perigoso fazer comparações entre a ocasião atual e os problemas do passado e reiterou a necessidade de o mundo procurar ter tranquilidade neste momento.

O dirigente alemão e o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe conversaram por telefone antes de tomar a decisão final. Os dois manifestaram a esperança de que a Olimpíada em 2021 tenha um motivo extra de comemoração. "Que os Jogos sirvam para comemorar que a humanidade tenha superado esta crise jamais vista na história", comentou Bach. Apesar da disputa estar prevista para 2021, o nome oficial vai permanecer: Tóquio-2020.

O presidente do COI afirma que a entidade ainda vai pensar em novas datas para realizar o evento. Por enquanto, a única certeza é que será no verão de 2021. "Os Jogos Olímpicos são um dos eventos mais complicados para organizar neste planeta. Para deixar tudo pronto, não basta só uma chamada telefônica", comentou. Bach disse que o Comitê Organizador terá como uma das prioridades justamente definir quando será o início da competição.

O adiamento trará um grande prejuízo ao COI, como admitiu Bach. Mas o dirigente garantiu que prefere não fazer estimativas. "O importante é salvar vidas, portanto as considerações financeiras não são prioritárias", disse. Na conferência, o dirigente enviou mensagens de apoio aos atletas de países mais afetados pela pandemia e afirmou que torce pela recuperação da saúde mundial.

Treinos
O adiamento vai causar uma radical mudança no ciclo de quatro anos de preparação dos atletas. O desafio agora é mudar completamente o foco. Desde o fim dos Jogos do Rio, em 2016, a preparação teve como objetivo deixar o atleta pronto para julho deste ano. A partir de agora, será preciso reconstruir o trabalho, com o cuidado para não desgastar o competidor e ao mesmo tempo, deixá-lo nas condições ideais para poder render o máximo da forma física em outro prazo, apenas em 2021.

"Agora todo mundo tem de sentar, fazer planilhas e analisar em que ponto o atleta estava, como estava fazendo o crescimento e planejar uma curva de crescimento, inclusive de olho nos concorrentes. Será uma situação muito diferente", disse ao Estado o Médico do Esporte Páblius Staduto Braga, do Centro de Medicina Especializada do Hospital Nove de Julho. "Será uma ocasião interessante para a própria ciência do esporte evoluir", afirmou.

O recomeço do planejamento já fez a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) prometer mudanças. O consultor técnico da entidade e treinador de Hugo Calderano, o francês Jean-René Mounié, afirmou que a nova data vai causar alterações profundas no trabalho. "Muda bastante. Vamos ter que criar uma nova estratégia", explicou.

Por isso, boa parte das competições no fim deste ano e no início do próximo vão ganhar importância para os atletas olímpicos. Esses torneios deixaram de ser do início do ciclo olímpico para se tornarem a retomada da preparação, que havia ficado afetada recentemente pelos treinos em quarentena e atividades em casa, distante de colegas e do contato com treinadores.

Os próprios esportistas garantem que agora será melhor ter um novo foco. Na opinião deles, ter mais um ano de preparação será importante porque nas últimas semanas o quadro de incerteza sobre a realização da Olimpíada prejudicou o rendimento nos treinos. "Nós, atletas, estamos sendo prejudicados por ter de ficar em casa e não conseguir treinar. Em 2021 os atletas vão se preparar melhor para a Olimpíada e conseguir dar o seu máximo", disse a jogadora de vôlei Camila Brait.







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