Mulher atômica, beleza solar

Publicação: 2020-09-27 00:00:00
Alex Medeiros
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Para Zeca Melo

Em 28 de setembro de 1934, da Praça Violeta, em Paris, brotou a rosa do mundo, a flor dourada de toda uma geração. A atriz francesa Brigitte Bardot, provavelmente o maior ícone do cinema nas décadas de 1950 e 1960, um símbolo de sensualidade e beleza, completa hoje 86 anos de vida. Talvez não tenha sido a mais linda da época, mas foi a mais felina, a mais selvagem, a mais atrevida, a mulher do showbizz mais afrontosamente livre do seu tempo.

BB, como era cultuada por todo o universo, significou uma alteração de rumo no comportamento das mulheres na metade do século XX. Ela impôs uma mudança de feminilidade, de beleza, de moda, de juventude e de rebeldia dentro do sistema de pensamento careta, dissimulado e também brocoió que parecia teimar em se manter na fronteira do século XIX. Com sua fama e beleza, dominou a atenção da mídia no mundo e personificou uma revolução.

Profissionalmente, também foi um fenômeno, com uma marca de dez filmes entre os 18 e os 21 anos, de 1952 a 1955, véspera da grande obra que a tornaria uma deusa entre humanos, a gênese do seu reinado de sexualidade.

Em 1956, quando a bomba explodiu, este nosso mundo não estava preparado. O efeito atômico na libido e no coração dos homens, trêmulos diante das belas pernas encobertas nos brancos lençóis de um varal nos primeiros minutos do filme E Deus Criou a Mulher, do diretor Roger Vadim. E a bomba tinha nome.

Juliette, uma transfiguração da personagem de Shakespeare, era Brigitte Bardot, toda em sua glória, divina e ao mesmo tempo profana, a multiplicar pelos continentes milhões de Romeus apaixonados, embasbacados e tarados.

Aos 22 anos, a menina em modo mulher saltou das telas como novo mito sexual, encantando milhões e ruborizando milhares. Do outro lado do Atlântico, o The New York Times estampou sobre o filme: “Imoral da cabeça aos pés”.

Vários outros jornais diziam que a francesinha loira significava uma mudança de ciclo, um novo rumo da sociedade. Críticos descolados respondiam as críticas de colegas pudicos indagando “por que resistir ao pecado apetitoso?”

Enquanto o planeta girava em torno das curvas de Bardot, a sociologia entrou no circuito dando freios nas análises. E Simone de Beauvoir afirmou não ser exagero tanta elegia: “Brigitte Bardot é a locomotiva da história das mulheres”.

O epicentro europeu da explosão da ogiva BB produziu ondas de choques em solo americano, com donos de cinemas e distribuidores presos por espalharem aquele tsunami sexual pelo país. Muitos países só viram o filme nos anos 60.

E vieram mais filmes, mais sensualidade, dancinhas eróticas, boca carmim, vestidos com fendas de pecado, sussurros de gozo pra fora acima da manada – 20 anos antes de Caetano cantar. Ela desbancou de vez Lolita de Nabokov.

Contemplá-la e cultuá-la nas telas e nas revistas tinha também um aspecto de heresia não-religiosa, para os fãs de outros mitos, como Marilyn, Ava Gardner, Rita Hayworth, Gina Lollobrigida. Uma nova deusa arrebatando seus devotos.

A atriz está eternizada na definição de Rita Lee, sua fã: “uma beleza ensolarada, elegante”. Emprestou a própria vida à defesa dos animais, com consciência do fim: “minha morte dará sentido à minha vida e consagrará o meu combate”. Nunca houve outra deusa terrena como Brigitte Bardot.

Créditos: Reprodução

Pesquisas
A metodologia de aferição por telefone, por causa da pandemia, tira das pesquisas eleitorais a precisão científica necessária para que os índices tenham proximidade com a realidade. Não está fácil medir a pressão do eleitor.

Quem diria
Em tempos de pandemia, as federações de indústrias pelo País afora se tornaram campo fértil para dirigentes vitalícios. São os representantes do universo privado contagiados pelos vícios do submundo político-partidário.

Reparação
O Ministério Público do Trabalho (ah, o MPT) concluiu do alto da sociologia que o treinee exclusivo para negros implantado pelo Magazine Luíza é reparação histórica. Igual ao Oscar, que exige filme de vikings com guerreiros africanos.

Leitura
Do ministro Marcelo Navarro sobre o livro de Geraldo Melo: “Melhor romance regionalista que li em muitos e muitos anos. Um resgate da linguagem e dos costumes do interior do Nordeste, livro que é impossível não ler num fôlego só”.

Literatura
Adiado de setembro para 26 de novembro, devido à pandemia, a cerimônia do Prêmio Jabuti será virtual e transmitidas pelas redes da Câmara Brasileira do Livro. Indicados sairão dia 22/10. Adélia Prado será a homenageada da edição.

Elba 70
A cantora Elba Ramalho que festejar os 70 anos de vida e os 40 de profissão com um disco biográfico e místico em homenagem à sua neta. A paraibana declarou que deu um tempo para os homens, e que não namora há oito anos.

Críticas
Messi foi se despedir pessoalmente de Luís Suarez e não poupou críticas ao Barcelona no Twitter: “Ser expulso como fizeram, mas a verdade é que nada mais me surpreende”. E Neymar replicou: “Incrível como fazem essas coisas”.

Domingo FC
Olho na TV para Tottenham x Newcastle, Manchester City x Leicester, Atlético Madrid x Granada, Barcelona x Vilarreal, Hoffenheim x Bayern, Roma x Juventus, Reims x PSG, Palmeiras x Flamengo, Vasco x Red Bull, Atlético GO x Botafogo.