Mulheres dirigem 20% de filmes competindo em Cannes

Publicação: 2019-05-16 00:00:00 | Comentários: 0
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Marcio Delgado, de Cannes

Após mais de 15 anos, cerca de 20% dos filmes concorrentes à Palma de Ouro do Festival de Cannes novamente são dirigidos por mulheres. Parece pouco, mas desde 2011 o evento não contava com essa percentagem de mulheres atrás das câmeras.

A presença feminina na 72ª edição do evento pode ser vista em quatro dos 21 filmes sendo exibidos na mostra principal e, fora da competição, o Brasil está bem representado com a cineasta carioca Alice Furtado exibindo seu longa-metragem ‘Sem seu sangue’ na Quinzena dos Realizadores abordando a intensa relação de uma adolescente introspectiva e um garoto hemofílico.

Não há sangue latino, no entanto. Entre as quatro mulheres por trás de filmes na competição oficial estão “Antlantique”, filme de estreia no festival da atriz francesa Mati Diop, que escreveu e dirigiu o longa-metragem. A austríaca Jessica Hausner traz para Cannes o drama de ficção científica "Little Joe", um daqueles filmes que, independente de ganhar algum prêmio, deve acabar passando inúmeras vezes na TV aberta pela história criativa que narra a descoberta de uma mãe solteira, Alice, que  é uma cientista trabalhando em um laboratório desenvolvendo espécies de plantas com capacidades terapêuticas e, um certo dia, consegue criar uma planta capaz de trazer felicidade para o seu dono. Escondido da empresa, Alice leva uma destas plantas para casa e presenteia seu filho adolescente, Joe. Porém a criação se revela muito mais problemática do que a cientista poderia imaginar. Outras francesas dirigindo produções este ano são Céline Sciamma (Tomboy), com o longa de época "Portrait of a Lady on Fire", e Justine Triet, estreando em Cannes a sua comédia "Sibyl".

Mas nem tudo corre de vento em polpa durante a atual edição do Festival de Cannes.  Ao anunciar que o ator francês Alain Delon será homenageado com uma Palma de Ouro honorária durante a 72ª edição do festival, organizadores do evento atraíram mais críticas do que palmas - e tem até um grupo de americanas organizando abaixo-assinado contra a entrega do prêmio.

O motivo da insatisfação com a homenagem ao ator de 83 anos tem mais a ver com a sua posição política, visão sobre a homossexualidade - e a maneira como tratou mulheres - do que com o seu talento. Ainda um dos rostos mais conhecidos do cinema Europeu, tendo atuado em "O Leopardo" do diretor italiano Luchino Visconti e em "O Samurai", de Jean-Pierre Melville, entre outras obras, Delon já afirmou em entrevistas que estapeou mulheres com quem teve relações no passado. A sua oposição à adoção de crianças por casais do mesmo sexo também não ajuda muito os níveis de popularidade do ator francês. Mas o diretor artístico do Festival de Cannes, Thierry Frémaux, defendeu a escolha afirmando que “Nós não estamos dando o Nobel da Paz a ele.

 Quatro mulheres também estão no júri da competição principal: a atriz americana Elle Faning; a diretora italiana Alice Rohrwacher; a atriz e diretora de Burkina Fasso Maimouna N’Diaye e a diretora americana Kelly Reichardt. A diretora libanesa Nadine Labaki (Cafarnaúm) preside o júri da mostra Um Certo Olhar e a cineasta francesa Claire Denis lidera os jurados dos curtas e Cinéfondation.




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