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TN Família
Mulheres do RN ocupam papel de destaque na Ciência; conheça histórias
Publicado: 00:00:00 - 06/03/2022 Atualizado: 10:26:38 - 05/03/2022
Tádzio França
Repórter

A contribuição feminina para a ciência é marcante da antiguidade até hoje. O que não muda nessa trajetória secular é o preconceito. Mulheres ainda são vistas como pouco “adequadas” aos laboratórios, pesquisas e cálculos, apesar de a presença no segmento estar cada vez mais próxima dos homens. Os méritos delas na área já são amplamente reconhecidos, através de diversas realizações importantes para a sociedade como um todo. Os desafios persistem, mas o cenário atual se mostra mais aberto e repleto de possibilidades às mulheres que fortalecem o avanço do conhecimento.       

ISD
Biotecnóloga, Carolina Gonzalez desenvolve importantes pesquisas sobre cérebro e memória

Biotecnóloga, Carolina Gonzalez desenvolve importantes pesquisas sobre cérebro e memória



Segundo Carolina, entender como o cérebro forma, utiliza e atualiza as memórias normalmente, é fundamental para, posteriormente, ter uma melhor compreensão dos estados anormais ou doenças. “Por exemplo, nossa pesquisa pode ter importantes implicações clínicas, já que a dificuldade em reconhecer objetos e eventos familiares e discriminar estes de outros desconhecidos é um dos primeiros sintomas do declínio cognitivo associado com a doença de Alzheimer”, ressalta.
A atuação de Carolina lhe rendeu, ano passado,  um prêmio da International Brain Research Organization, uma associação global de sociedades de neurociência que apóia o segmento em todo o mundo.  Ela explica que o prêmio visa apoiar pesquisadores no início de carreira e outorga financiamento para o desenvolvimento dos seus projetos. “Além do apoio econômico, esse reconhecimento é importante para jovens cientistas, já que evidencia a importância e a qualidade da pesquisa que estamos fazendo aqui no RN”, diz.

Jurássicos
Fascinada por dinossauros desde criança, a professora de paleontologia Aline Ghilardi cresceu acostumada a ouvir que esse tipo de interesse era “coisa de menino”. Os garotos sempre recebiam o aval para curtir os dinos, enquanto ela era “aconselhada” a procurar outras atividades. Não deu certo. “Minha mãe sempre foi na contramão e me deu muito apoio. Acho que daí veio a maior parte da resiliência para continuar e não desistir do sonho. A outra parte veio da minha teimosia mesmo”, conta.

Cedida
Paleontóloga, Aline Ghilardi se dedica ao estudo de seres extintos

Paleontóloga, Aline Ghilardi se dedica ao estudo de seres extintos

Além de lecionar no departamento de geologia da UFRN, Aline também desenvolve pesquisas em sua área, como o estudo da fisiologia e doenças de seres extintos (que ajuda a entender doenças de hoje), e outra sobre as práticas científicas em si. “Meu interesse atual nessa linha é entender como as práticas colonialistas influenciaram na ciência, em especial na paleontologia”, diz. Os estudos chegaram a informações sobre o viés que o colonialismo criou sobre a compreensão da biodiversidade do passado – e seus malefícios. 

Aline afirma que na paleontogia também há muitos pensamentos “fossilizados”. Segundo ela, é comum estudantes do sexo masculino serem mais chamados para estudos de campo, porque as meninas seriam “mais frágeis”.  Outros até preterem mulheres pois se elas engravidarem atrapalhariam o projeto de pesquisa. Ela diz que  sente alguns problemas na pele, como o fato de o marido ser da mesma área e receber muito mais convites para colaborações em artigos e revisões do que ela. 

“Muitas pessoas ao nos conhecerem acabam dando muito mais atenção ao que ele tem a dizer sobre nossa área de estudo do que eu, até descobrirem que eu sou professora e ele está no doutorado, apesar de nossas idades similares”, conta. 

Tecnologia assistiva
Graduada em engenharia biomédica pela UFRN, Luciana Mendes desenvolve ações para a área de engenharia de reabilitação e tecnologia assistiva, onde usa os conhecimentos de avaliação de tecnologias em saúde e desenvolvimento tecnológico, para melhorar qualidade de vida de pessoas com deficiência ou pessoas com limitação em atividades. 

“Minhas ações acadêmicas, sejam elas ensino, pesquisa ou extensão, são voltadas para a área de tecnologia assistiva, inovação tecnológica e avaliação de tecnologias e saúde (ATS)”, complementa. 
Os estudos que Luciana desenvolve determinam o nível de evidência e a estimativa de efeito de determinada intervenção em população específica, e podem auxiliar gestores em saúde, profissionais da saúde na escolha ou implementação de intervenções para determinados nichos da população. O segundo eixo de sua atuação é voltado para o desenvolvimento tecnológico de dispositivos assistivos para pessoas com deficiência. O objetivo é  melhorar a qualidade de vida, facilitar atividades e participação social.

Luciana é consciente de que a participação feminina nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática ainda é menor que a masculina, embora venha aumentando nos últimos anos.  Mas aa sua área, em especial, ela que há uma participação feminina maior que em outras engenharias, com mulheres representando 45% dos professores e 42% dos estudantes. Sinal de que a equidade é possível. Ano passado venceu o grande prêmio Nova Dimensão da CAPES.

Só coração
Filha de pais comerciantes, Sanali Paiva acha que se arriscar  sempre faz parte da família. Ela acredita que fez isso ao optar pela cardiologia intervencionista, uma especialidade até hoje muito pouco seguida por mulheres. Ela atua com pesquisa clínica em sua área há 20 anos, e especialmente em 2021 se viu à frente de algo crucial para a saúde pública: ela participou de uma pesquisa de desenvolvimento de um imunizante nacional, junto com outros centros entre Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, e Rio Grande do Norte. 

“Se não fossem as mulheres nessa pandemia, provavelmente os protocolos de pesquisa não teriam sido desenvolvidos”, afirma. Segundo a cardiologista, 90% dos centros de pesquisa sobre a Covid-19 no Brasil são coordenados por mulheres. “A mulher tem a capacidade de pensar várias coisas ao mesmo tempo. Ela tem uma capacidade de entrega enorme justamente por  conseguir fazer várias coisas ao mesmo tempo. E a entrega foi total”, diz. 

Para Sanali, a desigualdade entre gêneros só será superada através da educação. “As mulheres, assim como os homens, têm que estudar e se preparar, porque não é o gênero que vai determinar se você vai ou não prosperar, mas sim a sua formação, o que você investiu para assumir a posição que você quer”, conclui. 

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