Murilo melo e humberto de Campos

Publicação: 2020-06-04 00:00:00
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Alcyr Veras
Economista e professor universitário

Na semana passada o Brasil perdeu Murilo Melo Filho. Uma das maiores expressões do jornalismo norte-rio-grandense, em termos internacionais. Cobriu guerras e eventos de grande repercussão mundial. Foi autor de inéditas reportagens sobre políticos brasileiros, como Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, e foi editor-chefe da Revista Manchete. Participou de encontros e entrevistas com influentes Chefes de Estado e celebridades do mundo pop.     

O consagrado jornalista Murilo Melo era ocupante da cadeira nº 20 da Academia Brasileira de Letras, sucessor da mencionada cadeira que antes pertencera ao ilustre acadêmico Humberto de Campos.

Vejamos o que disse o imortal acadêmico Murilo sobre seu colega de academia, em artigo publicado pelo jornal Tribuna do Norte, no dia cinco de dezembro de 2002: “de infância pobre, Humberto de Campos foi lavador de garrafas, balconista de mercearia e aprendiz de tipógrafo. Autodidata e ledor compulsivo, tornou-se um poeta parnasiano da escola de Bilac. Foi depois prosador, contista, memorialista, crítico literário, biógrafo e jornalista, escrevendo diariamente nos jornais do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Seu estilo é um dos mais refinados da literatura brasileira. De talento fértil e vasta erudição, foi saudado por Carlos de Laet e Medeiros de Albuquerque no Brasil, e por Guerra Junqueiro em Portugal” — concluiu.   

Em 1919, Humberto de Campos se elege para a Academia Brasileira de Letras, com apenas 33 anos de idade. Eleito para duas legislaturas, como deputado federal pelo estado do Maranhão, não conseguiu concluir a segunda. Atuando sempre na oposição e a favor da Reforma Agrária, na luta contra os latifundiários, foi cassado pela conservadora Revolução de 1930. Para recompensá-lo, e por reconhecimento aos seus méritos intelectuais, o governo provisório o nomeia primeiro Diretor da entidade federal Fundação Casa Rui Barbosa. Ao agradecer sua nomeação, o faz oferecendo um exemplar de um dos seus livros, com a seguinte inscrição: “A Getúlio Vargas, o homem que me venceu duas vezes: uma pela espada e, a outra, pelo coração”.

Em uma viagem de navio em 1928, partindo do Rio de Janeiro com destino a São Luis (MA), para agradecer sua reeleição, resolveu aportar em Natal. Foi recebido a bordo pelo então governador Juvenal Lamartine, que o convidou para um jantar na Escola Doméstica. Era dia de seu aniversário! Em cada prato com iguarias, estava escrito o nome de cada um de seus livros publicados.

Humberto de Campos nasceu na pequena cidade de Miritiba (hoje rebatizada com seu nome), no interior do Maranhão. É descendente de um dos três irmãos portugueses que chegaram ao Brasil, no século dezoito, atraídos pelo “boom” do ciclo econômico da cana-de-açúcar. Um deles ficou em Recife, outro veio aqui para o Rio Grande do Norte e o terceiro fixou-se no Maranhão, estado onde eu também nasci. Ele não adotava, em sua assinatura, o último sobrenome Veras (supõe-se motivado por ressentimentos ou divergências familiares). Adotando-o, tão somente, quando era obrigado a fazê-lo em documentos oficiais. Cultivava contatos regulares com os jornalistas Assis.

Chateaubriand e Roquete Pinto. Não tinha preferência religiosa. Discretamente, professava o espiritismo. Após sua morte, o médium Chico Xavier psicografou algumas “mensagens enviadas” pelo escritor. Humberto de Campos era primo de meu avô materno, Teotônio Gomes Veras. 





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