Museu Câmara Cascudo lançou no fim de semana passado a campanha “José Costa Leite para sempre”

Publicação: 2020-11-25 00:00:00
Tádzio França
Repórter

Uma história gravada em madeira e talento que pode vir a ser impressa eternamente no Rio Grande do Norte. O Museu Câmara Cascudo lançou no fim de semana passado a campanha de financiamento coletivo “José Costa Leite para sempre”, que visa trazer para Natal as matrizes de xilogravura de um dos artistas mais celebrados do segmento no Nordeste. José Costa tem 93 anos e é um dos mais antigos poetas e xilógrafos vivos do país. A campanha vai até 20 de dezembro.

Créditos: DivulgaçãoJosé Costa tem 93 anos e é um dos mais antigos poetas e xilógrafos vivos do país. Muito respeitado, ele tem 73 anos de atuação como poeta, xilógrafo, editor e vendedor de folheto de cordelJosé Costa tem 93 anos e é um dos mais antigos poetas e xilógrafos vivos do país. Muito respeitado, ele tem 73 anos de atuação como poeta, xilógrafo, editor e vendedor de folheto de cordel

José Costa Leite tem 73 anos de atuação como poeta, xilógrafo, editor e vendedor de folheto de cordel. Nasceu em Sapé, interior da Paraíba, mas desde a adolescência mora em Pernambuco. Passou boa parte da vida percorrendo feiras de várias cidades pelo Nordeste afora com seus livrinhos, declamando versos para atrair os vendedores. Até que, em 2020, o mestre expressou o desejo de se desfazer de seu precioso acervo pessoal de matrizes de xilogravura.

A equipe do Museu Câmara Cascudo soube da vontade de José Costa e viu a possibilidade de não apenas salvar, mas possuir esse acervo. “O conjunto de bens do José conta com quase 650 peças, todas guardadas de forma improvisada em sua casa, dentro de caixas de papelão, sem os cuidados que merecem, correndo o risco de serem atacadas por cupins”, informa o professor Everardo Ramos, diretor do MCC. Outro risco, além da deterioração, seria ver o acervo ser disperso ao ser vendido para colecionadores privados. A partir daí surgiu a ideia de elaborar o projeto para trazê-lo para o MCC, a fim de proteger, estudar, e disponibilizar o material para todos.

 O MCC caminha para ampliar seu já significativo acervo de cultura popular, caso a campanha funcione. Em 2019, o museu recebeu a “Coleção Roberto Benjamin”, doação do acervo de uma das mais importantes coleções de gravuras populares do país, composta por 204 matrizes gravadas que vão do começo até o fim do século XX. Essas matrizes foram utilizadas em rótulos de produtos, álbuns, e capas de folhetos de cordel. “A partir daí ficamos atentos a outras coleções que pudessem vir enriquecer esse acervo inicial”, ressalta Everardo.

A campanha
O projeto é uma parceria do MCC com a Funpec e foi selecionado em um edital do BNDES+. Para cada um real arrecadado, o banco investirá mais dois reais, triplicando a arrecadação. Ou seja: o apoio do BNDES é condicionado à participação da sociedade. Para o projeto acontecer, a campanha terá que arrecadar R$ 121.000. Se a meta não for atingida, as colaborações da sociedade são devolvidas, os recursos do BNDES não entram e o projeto não se realiza. É tudo ou nada.

Como toda campanha online, quem fizer contribuições mais generosas terá direito aos “mimos”: os participantes que doarem valores a partir de R$ 10, além de garantir a execução do projeto, vão receber recompensas especialmente elaboradas para levar um pouco da arte de  Costa Leite para casa. São produtos desenvolvidos especialmente para a campanha, inspirados nas obras do xilogravurista. Everardo ressalta que o MCC completa 60 anos em novembro, e como seria simbólico que esse acervo viesse para cá.

As pelejas de Costa Leite
A obra de José Costa Leite é vasta: ele produziu mais de 1000 títulos de folhetos publicados, inúmeras gravuras de vários tamanhos, feitas para ilustrar seus próprios impressos ou impressos de outros poetas. Pela importância de sua obra, recebeu o título de “Patrimônio Vivo de Pernambuco” em 2006.  

Iniciou-se na arte da literatura de cordel e da gravura aos 20 anos, vendendo, declamando e escrevendo folheto de feira. É ele quem desenha, talha na madeira e ilustra as capas dos próprios folhetos.

As primeiras xilogravuras de José Costa são de 1949, ilustravam os folhetos de sua autoria, “O rapaz que virou bode” e “A Peleja de Costa Leite e a poetisa baiana”. Criou pelejas fictícias com importantes personagens do mundo da cantoria de viola, como Preto Limão, Severino Borges Silva, Patativa do Assaré, e Ivanildo Vila Nova. Dono de uma técnica muito pessoal, Costa Leite já expôs sua obra nos Estados Unidos, França e Chile, além de vários estados brasileiros.

Serviço:
Campanha “José Costa Leite pra sempre”. 
Acesse: benfeitoria.com/josecostaleite
















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