Na garagem de casa, natalense fabricou carro de passeio

Publicação: 2018-04-15 00:00:00 | Comentários: 0
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Ícaro Carvalho
Repórter

Ousadia, autodidatismo e determinação. Essas são três palavras que podem definir o natalense Roberto Alves, de 49 anos, que juntou esses três fatores para criar um empreendimento que chama a atenção de quem passa pela rua de sua casa, em Nova Parnamirim, na zona Sul de Natal. É que Roberto, conhecido popularmente como “Beto Fibra”,  construiu um carro na garagem de  casa.

O carro criado por Beto antes era uma carcaça adquirida por ele há cerca de dois anos e meio
O carro criado por Beto antes era uma carcaça adquirida por ele há cerca de dois anos e meio

E não é um carro simples.  Usando a imaginação e a experiência dos trabalhos com resina de fibra, Beto fabricou um híbrido de um Miura, esportivo que ganhou fama no Brasil entre as décadas de 70 e 90, com um Lamborghini Aventador, marca italiana – também esportiva – de alto luxo que encanta os amantes e apaixonados pelas quatro rodas.

O carro esportivo criado por Beto antes era uma carcaça adquirida por ele há cerca de dois anos e meio.

Mecânico de motos e adepto da resina de fibra de vidro desde o começo da vida adulta, quando iniciou os trabalhos aos 19 anos, Beto pensou em ousar e fazer diferente. De trabalhos feitos para amigos e clientes, o natalense se viu com a ideia de fazer um trabalho para si, colocando em prática os seus 30 anos de experiência com o material e os trabalhos com carros. Mas antes de tudo, o projeto começou de forma inusitada.

“Eu tive um carro, um Hoffsteter, que abria as portas para cima, daqueles de asa de gaivota. E um amigo encontrou comigo e perguntou: você fez esse carro? Não tinha sido, mas fiquei com aquilo na cabeça: será que eu tenho condições de fazer um carro? Se eu tiver uma oportunidade vou fazer um carro para mim”, revelou à TRIBUNA DO NORTE.

Parte interna do carro feito por Beto vai ter revestimento no estilo do antigo Miura
Parte interna do carro feito por Beto vai ter revestimento no estilo do antigo Miura

Tanto que assim que adquiriu a carcaça do jazido Miura ele logo começou os trabalhos na garagem de casa e em muitas ocasiões precisava trabalhar à noite. O barulho e a poeira levantadas em casa, aliadas à obsessão pela conclusão do veículo, chegaram a trazer pequenos problemas com a esposa, que ao ver o andamento dos trabalhos, foi olhando com outros olhos o empreendimento do esposo.

“A minha esposa, desde o começo, quando trouxe esse carro e coloquei aqui, que era igual a uma banheira, ela não gostou. Mas depois que viu o carro  pronto, já não fala mais nada. Passei um “muído” grande por conta desse carro”, lembra Beto, ressaltando a compreensão da companheira.

Após dois anos e meio de trabalho diário, o carro está praticamente pronto. O interessante é que nesse tempo todo, Beto Fibra trabalhou sozinho e, em raras ocasiões, contou com a ajuda de amigos para dar andamento ao processo. “Era só eu e o pó. Nem todo mundo aguenta o pó da fibra, muitos começavam e paravam. Tinha muito detalhe que tinha de ser eu mesmo”, conta. Beto  gastou em torno de R$ 30 mil em todo o projeto, valor que poderia ter sido maior, caso tivesse empregado mão de obra externa.

Em dois anos e meio, Beto Fibra transformou uma lata velha num híbrido Miura-Lamborghini
Em dois anos e meio, Beto Fibra transformou uma lata velha num híbrido Miura-Lamborghini

Mesmo tendo a ocupação de mecânico durante boa parte do dia, Beto Fibra tem um novo desafio: deixar o carro 100% pronto para o aniversário de 15 anos da filha, Analice Nóbrega, em junho. “Minha filha está completando ano agora, em junho, e surgiu a ideia dela de querer chegar no carro. Então eu vou terminar esse carro, para que nos 15 anos dela, ela chegue nesse carro, na festa. Me apressei para terminar o carro”, diz.

“Foi melhor porque em aniversário de 15 anos menina geralmente chega em limusine né? Mas eu não. Sou privilegiada e vou chegar no carro que o meu pai fez”, diz a filha Analice, aos risos e com orgulho do pai.

Depois de muito esforço e suor e de encarar várias horas com poeira no rosto, Beto não vê a hora de tirar o carro da garagem e dar uma volta nas pistas da cidade do Sol, que certamente vai arrancar suspiros e chamar a atenção de muita gente.



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