Na música, um ano de encontros

Publicação: 2017-12-30 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Ramon Ribeiro
Repórter

Na música potiguar, o ano de 2017 foi de encontros. O que pôde ser visto logo em janeiro, quando instrumentistas das mais diversas culturas se reuniram no Glomus Network, evento internacional de música realizado em Natal pela Escola de Música da UFRN (EMUFRN). A Escola ainda promoveu ao longo do ano diversos eventos de abrangência nacional, como o Encontro de Trombone. Na Orquestra Sinfônica do RN (OSRN), mais encontros. No projeto Quartas Clássicas, artistas do mundo inteiro se apresentaram ao lado da orquestra como solistas convidados em concertos no Teatro Riachuelo. A OSRN ainda foi destaque com a apresentação da ópera “La Traviata”.

Festival Glomus integrou nações através da música
Festival Glomus integrou nações através da música

Se músicos estrangeiros entraram em contato com os artistas e o público, o inverso também aconteceu em vários em várias partes do mundo. Danilo Guanais apresentou no Carnegie Hall, em Nova Iorque, sua prestigiada obra “A Missa de Alcaçuz”. Entraram na rota internacional ainda a banda Camarones Orquestra Guitarrística, com o disco novo “feeexta”; o maestro Gilberto Cabral; o casal Diogo Guanabara e Camila Masiso; e a Família Pádua. Jovens músicos da EMUFRN também partiram para o intercâmbio em renomadas universidades da Europa, como o fagotista Alan Davidson e o trompetista Grácio Zaqueu.

Espaço para encontro do público local com diferentes artistas, os festivais de música da cidade não tiveram vida fácil neste ano de arroxo econômico. O Fest Bossa&Jazz passou em branco na Pipa, Natal e São Miguel do Gostoso, só acontecendo em Mossoró. O Mada teve alguns patrocinadores que desistiram na metade do caminho, mas conseguiu manter a programação anunciada, com a banda Baiana System e o rapper Baco Exu do Blues sendo os grandes destaques do evento. O Dosol, que trocou a rua Chile pela Via Costeira, garantiu sua tradicional edição em Natal com programação mais eclética do que nunca, mas cortou os shows no interior. Mas se o festival Dosol saiu da rua Chile, outro evento chegou para ocupar o lugar: o Ribeira 360º. O evento montou um lineup composto somente com atrações locais.

Far From Akaska lançou Unlikely, na lista dos melhores do ano
Far From Akaska lançou 'Unlikely', na lista dos melhores do ano

O ano de 2017 também foi de lançamentos de vários trabalhos novos. Valéria Oliveira apareceu com “Mirá”, Dusouto com “Conecta”, Plutão já foi planeta com “A última palavra fecha a porta”, Far From Alaska com “Unlikely”, além de destaques em festivais e listas dos melhores do ano, como a APCA.

Dodora Cardoso festejou quatro décadas de carreira com o disco “60 anos de vida, 40 de música”. Dentre as estreias, de Baía Formosa apareceu Zé Maria Pescador com disco homônimo produzido por Ney Matogrosso, e o projeto carnavalesco Orquestra Greiosa mostrou “Toda cor, toda massa”. Khrystal não apresentou disco novo, mas lançou o espetáculo “Romaria”, em que passeia pelo repertório de Elis Regina.

Mesmo com a crise dos festivais, Mada trouxe atrações que marcaram o ano, como Baiana System
Mesmo com a crise dos festivais, Mada trouxe atrações que marcaram o ano, como Baiana System

Numa crescente há vários anos, a cena de samba local garantiu regularidade em alguns bairros e se espalhou para outros. Trabalhos autorais também foram lançados, como o disco “RN Autoral – Do Samba ao Choro”. Já o forró potiguar pode ser apreciado no Festival Forró de Verdade, voltado para composições autorais. O trabalho autoral de todos os gêneros musicas também tiveram espaço no projeto Som Sem Plugs, que deu continuidade a sua série de vídeoclipes e entrevistas com artistas locais.

Em processo de produção de um novo disco, o músico Pedro Mendes foi bastante lembrado em 2017 pelo aniversário de 30 anos do álbum “Esquina do Continente”, de sucessos como “Linda Baby”. Quem também foi lembrado foi Elino Julião (1936-2006), por meio do projeto Morada da Memória, com site e espetáculo inédito da OSRN. Outro que ganhou tributo foi K-Ximbinho (1917-1980) com show em celebração ao seu centenário no projeto Som da Mata. O nome do artista também batizou um espaço cultural a ser erguido na revitalização da Travessa Pax.


continuar lendo



Deixe seu comentário!

Comentários