Não há risco de ruptura no País, afirma petista

Publicação: 2015-10-20 00:00:00
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Estocolmo (AE) - A presidente Dilma Rousseff descartou, em Estocolmo, na Suécia, que seu governo corra risco de impeachment em razão da crise política. Segundo ela, não haverá "ruptura institucional" no Brasil, nem "crise política mais acentuada".

As declarações foram feitas em entrevista concedida ao lado do primeiro-ministro da Suécia, Stefan Löfven, minutos após encontro bilateral com o chefe de governo. Questionada pela imprensa sueca se as crises econômica e política e a ameaça de impeachment colocavam em risco o contrato de US$ 4,5 bilhões com a Saab para aquisição de 36 aviões de caça Gripen NG, que equiparão a Força Aérea Brasileira (FAB), a presidente descartou a possibilidade

"Eu asseguro que o Brasil está em busca de estabilidade política e não acreditamos que haja qualquer processo de ruptura institucional", respondeu. "Nós somos uma democracia e temos tanto um Legislativo, como um Judiciário e um Executivo independentes, mas também que funcionam com autonomia e harmonia Não acreditamos que haja nenhum risco de crise política mais acentuada."

Dilma ressaltou ainda que países da Europa e os Estados Unidos, que sofreram mais o impacto da crise econômica de 2008, não romperam contratos firmados, e que não há razões para crer que isso poderia acontecer no caso da Saab no Brasil. Como já havia feito minutos antes em discurso a empresários suecos, a presidente reiterou a força da economia do País e o caráter "conjuntural" da turbulência econômica.

"O Brasil tem uma economia estruturalmente sólida. Nós não temos bolhas de crédito, não temos um processo estrutural que leve o Brasil a uma crise profunda, não temos problemas monetários", enumerou. "A crise do Brasil é conjuntural e está sendo enfrentada."

Em protesto, Vem Pra Rua pressiona por impeachment
São Paulo (AE) - Cerca de 300 manifestantes, segundo os organizadores, participam de uma passeata entre o Largo da Batata a e a Av. Faria Lima, em Pinheiros, para pressionar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a dar prosseguimento ao pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

Os manifestantes defendem que seja levado ao plenário da Câmara o pedido assinado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr e Janaína Paschoal. O grupo é liderado pelo Vem Pra Rua, uma das organizações responsáveis pela convocação das últimas manifestações contra a presidente Dilma. Com o mote "natal sem Dilma", o VPR afirma que vai se reunir novamente na quinta-feira se Cunha não encaminhar o pedido. "Nosso mote é o impeachment, e o primeiro passo é pressionar o Eduardo Cunha para que coloque em pauta no plenário da Câmara", afirma Rogério Chequer, porta-voz do Vem Pra Rua.

Os manifestantes, contudo, não fizeram menção às denuncias que envolvem o presidente da Câmara Eduardo Cunha, denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro na Lava Jato e que teve suas contas no exterior rastreadas pelo Ministério Público da Suíça. A documentação chegou ao Brasil nas últimas semanas e revelou que Cunha e seus familiares ocultaram R$ 61 milhões no exterior, incluindo contas em bancos suíços e nos EUA. O caso deu origem a um novo inquérito contra o presidente da Câmara e sua esposa no Supremo Tribunal Federal.

Entre os manifestantes que discursaram está o ator Alexandre Frota, que criticou outros colegas por serem contra o impeachment. "Não sou um artista vendido como o Jô Soares", afirmou.


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