Nívia Arrais: “Preocupa a possibilidade de um novo surto”

Publicação: 2019-12-08 00:00:00
Na contramão dos percalços, a pediatria do Hospital Onofre Lopes é o centro de referência para receber as crianças com microcefalia para investigação, diagnóstico e acompanhamento. A pediatra responsável pelo acompanhamento e por pesquisar sobre os casos é  a médica Nívia Arrais. Para falar sobre a condição atual dos atendimentos e necessidades das crianças, a pediatra conversou com a TRIBUNA DO NORTE.
Créditos: ReproduçãoNívia Arrais é médicaNívia Arrais é médica

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Quantas crianças já passaram pelo ambulatório até hoje e como funciona o atendimento? Ainda existe demanda?
Mais de 120 crianças passaram no  serviço desde 2015, sendo que algumas delas foram diagnosticadas com outras doenças e cerca de 70 crianças tiveram o diagnóstico da Síndrome Congênita do Vírus Zika. A maioria delas continuam em acompanhamento na pediatria do HUOL e necessitando tratamentos médicos com diversas especialidades além de terapia multiprofissional que fazem no HUOL mas principalmente em diversos outros serviços do Estado. Algumas  dessas crianças nasceram na Maternidade Januário Cicco e foram encaminhadas para o ambulatório, assim como as demais crianças nascidas no Estado do Rio Grande do Norte. Nossa equipe ambulatorial contou com pediatra, infectologista, neurologista além de outras especialidades médicas, equipe multidisciplinar como nutricionista, fonoaudiologista, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, enfermagem, psicologia, assistente social e de todo o trabalho da vigilância epidemiológica do hospital para o acolhimento.

Ao acompanhar de perto a realidade das crianças e das famílias, o que se pode constatar sobre as necessidades das crianças?

São inúmeras, assim como de suas famílias. Essas crianças têm necessidades especiais e precisam de tratamentos específicos, medicações diversas, alguns suplementos alimentares, auxílio em transporte para locomoção para suas consultas, auxílio para fraldas, cadeiras de rodas adaptadas às suas necessidades, cadeiras de refeição e de banho, órteses e inúmeras outras demandas.  Hoje elas tem ao redor de 4 anos, ou seja, em idade pré-escolar e para frequentarem escolas, por isso o apoio e o preparo são necessários. Além das limitações motoras (a maioria não anda e poucas se sentam sozinhas), de fala e cognitivas, muitas tem problemas para se alimentar, infecções pulmonares e urinárias frequentes, problemas gastro-intestinais, convulsões muitas vezes de difícil controle, problemas ortopédicos, entre outros.

Como funciona o atendimento das crianças? Ainda existe demanda? A quantidade de locais de atendimento ainda é suficiente?
Temos atendimento de rotina com pediatra e/ou infectologista no ambulatório e atualmente, basicamente para consultas de retorno e acompanhamento, pois não temos tido novos casos. Nosso ambulatório acontece toda quarta-feira, quando são encaminhadas as crianças novas e as que já estão em acompanhamento. Em relação aos locais de atendimento deles, temos sim dificuldades para alguns exames e especialidades médicas, mas principalmente para as terapias de reabilitação. Como muitos pacientes são do interior do Estado, fica difícil um atendimento mais constante e intensivo devido aos deslocamentos constantes.

Qual sua preocupação hoje?

Hoje não existem casos novos, mas me preocupo com o próximo ano, da possibilidade de um novo surto de Zika.





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