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TN Família
Nalva Melo: (re)criando hábitos e rotinas de beleza
Publicado: 00:00:00 - 19/12/2021 Atualizado: 11:47:00 - 18/12/2021
Tádzio França
Repórter

Após fazer a cabeça de tanta gente à frente de seu tradicional  café salão na Ribeira, a cabeleireira Nalva Melo fez a própria cabeça em relação à  profissão. Há tempos querendo incorporar novos conceitos como sustentabilidade, produtos naturais e ações terapêuticas, ela foi estudar em Portugal, há dois anos. Nas terras lusitanas, reinventou sua arte capilar com novos ingredientes, processos, técnicas e ideias. Agora ela está comandando o espaço Nalva Melo – Beleza Sustentável, na cidade do Porto, e lançou a linha BelezaBio de cosméticos naturais.  Apesar da distância, as conexões com Natal não foram partidas. 

Cedida


O estudo da cosmetologia natural foi o que levou Nalva para Portugal. Mas o que  seria apenas uma temporada rápida de seis meses para fazer um curso de biocosmética, acabou se estendendo bem mais que o previsto por conta da inesperada pandemia. “O curso terminou quase um ano depois, devido a paralisação das escolas com a covid-19”, conta. 

Nesse meio tempo, a cabeleireira matriculou a filha pequena, Esther, numa escola da cidade e foi percebendo o quanto ela poderia ganhar vivendo e estudando por lá. “Todos os acontecimentos, mesmo a  pandemia, contribuíram para as decisões que até agora vêm nos proporcionando segurança neste mundo longe de casa”, ressalta. 

O desejo de dar uma nova guinada no trabalho capilar aconteceu muito antes de Portugal e da pandemia, garante Nalva. O processo se deu enquanto ela lia cada vez mais os rótulos dos produtos que usava no salão, e foi se informando sobre o conteúdo nocivo de vários ingredientes. “Eu queria oferecer aos clientes uma rotina mais saudável de cuidados dos cabelos. Não fazia mais sentido sermos enganados e lesados pela grande indústria de cosméticos”, afirma. 

Filosofia natural 
“Fui buscar nos cosméticos naturais a verdade para uma beleza sem plásticos, para uma beleza natural, para uma beleza preocupada com a nossa saúde e o consumo sustentável do planeta”, enfatiza Nalva. Ela ressalta o fato de que na atual indústria cosmética tem crescido o desenvolvimento de produtos  e terapias a base de componentes de origem vegetal e biológicos, em detrimento dos produtos quimicamente agressivos para o corpo e para o meio ambiente.   

Os cosméticos da BelezaBio são de origem biológica, vegetal e orgânica.  O princípio da marca, segundo Nalva, é utilizar os recursos terapêuticos dos produtos naturais para cuidar da beleza sem intoxicar o organismo, e ao mesmo tempo contribuir para a preservação do  planeta. “Para além de marca, de produtos e procedimentos, é uma filosofia e uma cultura que pretende (re)criar hábitos e rotinas de beleza que diminuam a pegada ambiental dos rituais diários de cuidados pessoais”, explica. 

O trabalho de Nalva em Portugal é desenvolvido em conexão com a natureza e na utilização dos recursos naturais de forma esclarecida. “A valorização da diversidade, respeitando todos os tipos de beleza e destacando o que cada pessoa tem de única e especial, é um dos valores essenciais da linha BelezaBio”, diz. Os produtos têm sido comercializados no salão do Porto e arredores. Também são enviados à Espanha e Alemanha.

Nalva conta que ainda está organizando parcerias e transporte para dispôr esse material no  Brasil também. 

A aplicação da BelezaBio começa com uma consulta de avaliação capilar, que Nalva considera o início de uma “incrível jornada de auto conhecimento e empoderamento”. O objetivo é descobrir com a cabeleireira todo o potencial dos  próprios cabelos e revelar a  beleza natural das madeixas. 

Fios portugueses
Para além dos novos produtos e filosofias de trabalho, Nalva continua fazendo o que mais sabe. O que mudou foi o público. “Falamos o mesmo idioma, mas não mesma linguagem: cachos, caracóis, mechas, madeixas, se calhar. Há diferenças no vocabulário em quase todas as áreas, dos nomes das frutas aos nomes das ferramentas, das gírias aos tipos de roupas”, conta, sobre seu processo de adaptação vocabular. Aliado a isso, foi preciso também um pouco de paciência para trabalhar o novo método, de cosmetologia natural aplicada à terapia capilar. 

O público no Porto se divide entre brasileiros e portugueses, de forma bem equilibrada, garante Nalva. “Os portugueses adoram o trabalho de cabeleireiro brasileiro. Como eles dizem aqui, somos 'à frente'. O 'passe-a-palavra' dos portugueses tem sido meu melhor cartão de visita para o sucesso”, brinca.

Nalva também faz maquiagem e tem uma mão especial para cortes em cabelos crespos e/ou cacheados, uma linha que ela começou em Natal e continua trabalhando em Portugal.

A cabeleireira ressalta a saudade que sente da família e dos muitos amigos que estão no Brasil. Mas fazer escolhas tem dessas coisas. “As escolhas nos fazem renascer, e nos invade de coragem! Adoro me sentir forte, uma fênix!

Estou vivendo uma nova fase,  e com ela cheia de compromissos e conquistas aqui com meu novo espaço”, diz. Claro, os planos de voltar ao Brasil não estão descartados. 

“Por várias vezes aqui tive que adiar os planos, enquanto fui 'impedida' de voltar, e investi no possível enquanto fiquei/estou. O café salão deu um tempo e volta já! Outro formato, outro tempo, há sempre uma inquietação em mim e isso me faz feliz”, declara. 

Salão cultural 
Em Natal, Nalva Melo não ficou conhecida apenas pelos dotes capilares, mas também pelo incremento da cena cultural da cidade que agregou em torno de si. Ela começou aos 18 anos, em um salão no centro da cidade. Depois conseguiu uma vaga como cabeleireira e maquiadora de uma emissora de TV local. Foi a partir daí que começou sua extensa rede social presencial, que vai de artistas a políticos importantes do estado. 

O epicentro dessa movimentação foi o salão que abriu em 1994, no velho edifício Bila, Ribeira. Nalva fez do local um espaço multifuncional, onde além de fazer cabelos, também se abria para eventos, shows, galeria de arte, teatro, cinema, lançamentos de livros, cenário fashion, e pista de dança. O café salão de Nalva foi um palco para um pouco de tudo na capital potiguar. Em 2021, o lugar fez 27 anos de cortes e agitos culturais. Enquanto Nalva não volta, a casa segue fechada. 

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