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TN Família
Número de mamografias na rede pública diminuiu 42% no ano passado
Publicado: 00:00:00 - 10/10/2021 Atualizado: 10:43:43 - 13/10/2021
Tádzio França
Repórter

A campanha do Outubro Rosa vem com responsabilidade redobrada em 2021. A ação, que visa conscientizar sobre o câncer de mama, encontra um cenário no qual muitas mulheres se descuidaram do problema no ano passado, por causa da pandemia. Segundo um levantamento publicado em abril na Revista de Saúde Pública, o número de mamografias na rede pública diminuiu 42% em 2020,  comparado com o ano anterior. A diferença de 800 mil exames não realizados ano passado, significa que 4 mil casos de câncer de mama não foram diagnosticados em 2020. Portanto, informar é ainda mais essencial para compensar o atraso.

Alex Régis
Campanha visa ampliar a conscientização sobre o câncer de mama. Ações da ONG Reviver ganharam um reforço de peso: a atriz paulista Simone Zucato (acima)

Campanha visa ampliar a conscientização sobre o câncer de mama. Ações da ONG Reviver ganharam um reforço de peso: a atriz paulista Simone Zucato (acima)


“Desde o início da pandemia, a Sociedade Brasileira de Mastologista acendeu o sinal de alerta sobre o impacto que o isolamento social poderia causar no rastreamento periódico das mulheres bem como no tratamento das pacientes de câncer de mama”, afirma Daniella Gama, presidente da SBM regional do RN. No estado, a diminuição de mamografias em 2020 foi de 38%. Segundo ela, dados preliminares não publicados apontam que ainda não houve recuperação para os níveis anteriores à pandemia. 

Nesse contexto, o Outubro Rosa vem, através da SBM e outras instituições, reforçar a conscientização sobre a  importância de realizar os exames de rastreamento, e o governo, deve ofertar e facilitar o acesso das mulheres ao exame. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estimou no Brasil 66.280 casos novos de câncer de mama em 2021, com um risco estimado de 61,61 casos a cada 100 mil mulheres. O RN deverá encerrar o ano com aproximadamente 1.130 novos casos, a maioria, em estágio avançado da doença. 

Para quem não saiu de casa para se consultar, ressalta-se a importância do autoexame (o toque nos seios), que depende muito da conscientização da mulher. A dra. Daniella só faz questão de ressaltar que o exame físico não é preventivo e nem substitui à mamografia. “O toque de um ente querido ou mesmo uma amiga para a mulher realizar sua mamografia pode fazer a diferença e salvar vidas”, completa.

Toda mulher, sem fator de risco relevante, deve começar a partir dos 40 anos de idade a realizar anualmente a mamografia, segundo Daniella. “É importante fazer o rastreamento e os devidos exames para detecção precoce da doença. A prevenção é um dos melhores caminhos para manter a saúde.
Divulgação
Atriz paulista Simone Zucato apoia campanha potiguar com ONG Reviver

Atriz paulista Simone Zucato apoia campanha potiguar com ONG Reviver

E quanto mais cedo o diagnóstico, maior a chance de cura”, diz. Mudar o estilo de vida também faz parte das prevenções, já que estudos evidenciam que o sedentarismo e a obesidade aumentam os riscos para câncer de mama, e ainda proporcionam uma má qualidade de vida para quem está em tratamento.

O amparo dos parentes, cônjuges, amigos e filhos é imprescindível para que as mulheres diagnosticadas com câncer de mama sintam-se fortalecidas na luta conta a doença. A presidente da SBM ressalta que o câncer pode trazer diferentes impactos emocionais e sociais à paciente, desde o diagnóstico até a alta, pois ela se depara com várias possibilidades de perdas. “Nesse momento, é muito importante que o seu emocional esteja bem, sendo fundamental o apoio de um profissional e da própria família nesse período de incertezas”.

Acolhimento 
A Rede Feminina Estadual de Combate ao Câncer, que administra a Casa de Apoio Irmã Gabriela, é um espaço acostumado a aliar acolhimento e informação. A pandemia também afetou as atividades do local, mas, segundo a presidente Magda Oliveira, aos poucos está voltando aos trabalhos. Estão programadas para outubro palestras em comunidades vulneráveis, postos de saúde, supermercados (voltados para funcionários), igrejas, rádios,  e alguns palestras online. “Apesar da pandemia, não podemos perder o foco, que é a detecção precoce do câncer”, ressalta. 

Uma das ações mais importantes da RFCC no quesito educativo, são as visitas aos bairros carentes da cidade, onde  a desinformação e a falta de acesso à saúde são ainda mais graves. “Já vimos de tudo. As mulheres não se consultam por terem medo de 'procurar e achar', ou pior, os maridos não as deixam ir ao médico por ciúme. Há mulher que nem faz preventivo por isso. É mais que preconceito, já é ignorância”, explica. 

Magda ressalta que as abordagens nas comunidades exigem muita conversa e tato – às vezes, literalmente. “Elas pedem para nós mesmas fazermos o exame do toque, pois 'desconfiam' que algo pode estar errado, mas não tiveram como procurar um profissional”, diz. A partir daí a Rede encaminha a pessoa para o hospital da Liga, que possui um setor de triagem para mastologia. Magna afirma que é preciso ir além da palestra, e também promover ações diretas. 

As palestras da RFCC são frequentadas por pessoas de todas as idades, e segundo Magda, a ideia é fazer com que elas percam  o medo de fazer o exame. “A gente explica que nem todo nódulo no seio é maligno ou significa um câncer. Elas não podem ter medo de procurar, esconder nesse caso é muito pior”, enfatiza. Apesar do foco no câncer de mama em outubro, a Casa de Apoio é mista, recebendo pessoas com todos os tipos da doença. 

A própria presidente da Rede Feminina teve câncer de mama, no ano passado. Magda descobriu por uma ultrassonografia durante um exame de rotina. O nódulo era pequeno (1cm), e ela retirou com uma cirurgia, sem precisar de quimioterapia. Um dos melhores exemplos de como funciona a prevenção. E mesmo assim, não é fácil de encarar psicologicamente. “Por mais que você seja forte, quando recebe um diagnóstico do tipo, é como se puxassem um tapete debaixo dos seus pés. Por isso o apoio psicológico é tão importante”, alerta. 

O amparo dos parentes, cônjuges, amigos e filhos é imprescindível para que as mulheres diagnosticadas com câncer de mama sintam-se fortalecidas na luta conta a doença. Magda conta que é comum receber pessoas com depressão ou desmotivadas na Casa de Apoio, portanto, o local costuma promover pequenas festas, com música e petiscos, para que as pessoas possam cantar, dançar, e se sentirem melhor. “É importante ressaltar que câncer não é sinônimo de morte. É uma etapa da vida que vai passar”, diz. 

Embaixadora 
A ONG Reviver, fundada em 2012 por mulheres que venceram a neoplasia mamária maligna, convidou a atriz paulista Simone Zucato para embaixadora de sua campanha em Natal. A organização vende camisetas para financiar recursos para oferecer exames gratuitos para as mulheres, e Simone comparece como “garota propaganda” - ela mesma, tendo enfrentado o câncer de mama recentemente. A parceria visa divulgar a campanha nas redes sociais com o objetivo de informar melhor as mulheres sobre os perigos da doença.

“Hoje podemos falar que, com o avanço da medicina, o câncer de mama é uma doença tratável e na maioria dos casos, curável. Principalmente se for diagnosticado na fase inicial”, ressaltou Simone. A atriz enfatiza  que apenas o autoexame das mamas não é o suficiente para fazer diagnóstico.  “Falo isso porque vejo que as mulheres ainda hoje têm medo de fazer a mamografia, falando que incomoda, que dói...Mas é preciso ter consciência de que quanto mais cedo for diagnosticado o câncer de mama, menor será a agressividade do tratamento e maiores serão as chances de cura”, completa. 

Simone, atualmente com 45 anos, faz exames de rotina desde os 31, por ter desenvolvido displasia mamária, comum em mulheres. Foi assim que ela descobriu o câncer. Não tinha nódulo palpável, mas estava em estágio inicial. “Já estou curada. A doença eu deixei de ter quando fiz a retirada do tumor na cirurgia. Faço a quimioterapia para o câncer não voltar com o passar dos anos”, diz. O último trabalho da atriz na TV foi a novela “O sétimo guardião”, entre 2018 e 2019, na rede Globo.  

Para ampliar a prevenção ao câncer de mama, o Grupo Reviver fará, neste mês de outubro, 80 mamografias por dia, gratuitamente.   em outubro,  contemplando as cidades de Assu, Natal e Parnamirim.  Segundo a fundadora associada do Grupo Reviver, Idaiza Fernandes, o projeto, que surgiu em 2012, tem auxiliado o sistema de saúde a dar vazão às demandas reprimidas. Só em 2021, segundo ela, foram pelo menos 13,5 mil mamografias feitas pelo grupo, através do carro móvel, de um total de 18 mil feitas no Estado. Mas, o grupo também tem um cronograma permanente, com capacidade de até 1.200 mamografias por mês. 

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