Cookie Consent
Natal
Número de matrículas no Estado é menor do que antes da pandemia
Publicado: 00:01:00 - 17/05/2022 Atualizado: 22:05:43 - 16/05/2022
De acordo com a Secretaria de Estado da Educação, da Cultura, do Esporte e do Lazer (SEEC/RN), o Sistema Integrado de Gestão da Educação (SIGEduc) indica uma redução de mais de 2,5 mil alunos em relação a 2019, antes da pandemia de covid-19. Naquele ano, a rede registrou 216.206 matrículas, ante  213.676 (-2.530 alunos) em 2022. Contudo, vários fatores podem contribuir para a queda e os dados finais sobre o número de estudantes matriculados só serão consolidados no final do ano pelo Censo Escolar. 

Magnus Nascimento
Em 2019, rede estadual tinha 216.206 alunos. Em 2022, o número é de 213.676 estudantes

Em 2019, rede estadual tinha 216.206 alunos. Em 2022, o número é de 213.676 estudantes


Segundo a pasta, questões demográficas (distância entre o local onde aluno mora de uma escola estadual) e o aumento de matrículas em outras redes de ensino interferem nos números. Além disso, conforme explicou a Secretaria, “dentro do princípio constitucional, a SEEC tem dialogado com os municípios sobre a transferência de estudantes do ensino fundamental, etapa que compete às redes municipais de ensino”. A pasta destaca que o quantitativo deste ano é variável, “um retrato do número de estudantes em 16 de maio de 2022 e que pode sofrer alterações”.

Para a SEEC, durante o ano letivo, existe um fluxo de entrada e saída de estudantes, algo comum “em uma rede com muitos públicos destintos”. Em 2021, segundo a pasta o Estado registrou 215.733 matrículas; em 2020, foram 213.288. Os dados, informa a Secretaria,  são uma demonstração de que a rede já espera por esses fluxos de matrículas.

 Questionada sobre evasão escolar no ano letivo corrente, a SEEC afirmou apenas que os dados serão conhecidos oficialmente com a publicação do Censo Escolar, previsto para o final de 2022. No momento, as escolas do Estado dão início ao segundo bimestre nas unidades de ensino. O momento representa um cenário desafiador, mas com boas expectativas, segundo alunos, professores e gestores de algumas escolas da rede estadual ouvidos pela TRIBUNA DO NORTE.

 Apesar das boas perspectivas, o desempenho dos estudantes ainda deve ficar aquém do período pré-pandêmico, conforme estimam docentes e diretores. No Colégio Estadual Atheneu Norte Riograndense, em Petrópolis, zona Leste de Natal, as informações sobre desempenho estudantil, que ficarão prontas com o fechamento das notas do 1º bimestre nos próximos dias, devem ser fundamentais para o planejamento sobre os desafios da escola.

“O que nós percebemos é que a aula presencial é muito importante, até porque a rede estadual não estava preparada para aulas remotas. Mas precisamos saber como está o desempenho dos estudantes com esse retorno e, no nosso caso, se eles estão à vontade com o nosso sistema de ensino, que é o integral”, afirma o diretor do Atheneu, Magno Alexandre. Segundo ele, o fato de o aluno ter passado muito tempo longe da escola, trouxe algumas dificuldades de readaptação ao sistema. 

Magno Alexandre destaca que os estudantes reclamam de cansaço, já que, dentro do sistema integral, eles encaram um jornada de aulas que começa às 7h30 e segue até 17h. “É cansativo para os alunos e isso pode respingar em transferências para as escolas que não têm ensino integral”, indica o diretor. Ainda assim, a escola comemora a consolidação do retorno presencial à sala de aula.

“Esse bimestre foi muito positivo.  Na pandemia, alguns alunos tiveram sérios problemas com internet e nós dávamos aulas em vária frentes de trabalho – além do ensino on-line, fazíamos as atividades para enviar à escola e que seriam entregues aos estudantes que não conseguiam acompanhar pela internet. Agora a gente tem observado uma grande satisfação dos alunos, com o contato direto com os professores”, relata Maritza Arruda, professora de Língua Portuguesa do Atheneu.

Estudantes têm dificuldade após retorno
Djalma Freitas, de 17 anos, está no último ano do Ensino Médio no Colégio. Ele comenta que está feliz com o momento atual da escola, mas confessa que tem notado algumas dificuldades dos colegas. “A volta foi tranquila, porque quem vem de um processo de um ensino a distância, quando chega no presencial, se sente aliviado”, conta. 

“Estou com boas notas, mas vejo colegas com dificuldades, se esforçando para alcançar bons resultados. Acho que em outros tempos, com o esforço que eles fizeram para tirar um 6, teriam tirado 8 ou 9”, descreve o estudante. Também concluinte do Ensino Médio, Diokennys bezerra, de 17 anos, comemora a consolidação do retorno do ensino presencial. Ele é aluno do Centro de Educação Senador Jessé Pinto Freire.  

“Estou vendo esse momento como de maior facilidade, porque eu compreendo o raciocínio das aulas e tenho maior foco. Sem falar que consigo absorver melhor os conteúdos. Em casa é muito fácil desviar a atenção”, relata.  Diokennys se divide entre as aulas, que envolvem atividades do Ensino Médio e do curso técnico de Administração, ofertado pelo Centro de Educação e um estágio.

Ele garante que tem conseguido boas notas, mesmo com a alta demanda decorrente das aulas e do trabalho. “Consigo distribuir bem as atividades. De manhã venho para a escola e à tarde vou para o estágio. Estou com boas notas, ainda bem”, diz. José Seabra,  professor de Matemática do Centro de Educação, também avalia positivamente o início do ano letivo. 

“Muitos dos meus atuais alunos tiveram aula on-line comigo nesse período de pandemia. Todo o conteúdo foi cumprido e por isso, não estamos encarando muitas dificuldade, pelo menos no meu caso. Eu até esperava que o desempenho deles fosse melhor,  mas, de modo geral, avalio que todos estão bem”, descreve Seabra.

O vice-diretor da unidade escolar, Leopercino dos Santos celebra a retomada, mas chama atenção para o rendimento dos estudantes. “No ano passado, nossa retomada contou com escalonamentos e muitas restrições. Não tínhamos clima de escola, o que só aconteceu este ano. Portanto, esse primeiro bimestre foi positivo, especialmente para os estudantes, que estavam ansiosos”, disse.

A ansiedade, segundo ele, é o que pode influenciar no desempenho dos alunos. “Infelizmente, essa é uma lacuna [o desempenho estudantil] que a gente vai demorar um tempo para suprir. Estamos finalizando o processo de lançamento de notas e faremos uma reunião para tratar desse tópico. Pretendemos, ainda, criar uma interação em relação às soluções”, sublinha o gestor.

A ansiedade descrita pelo vice-diretor do Centro Jessé Freire Pinto também é observada em outra unidade escolar da rede estadual de ensino, conforme relata o diretor da Escola Estadual Anísio Teixeira, Francisco Neres Viana. “Notamos  uma ansiedade muito grande entre os alunos, gerado pelo medo e o nervosismo, especialmente nas meninas. A direção conversou com os professores para que reduzam a pressão e apliquem os conteúdos paulatinamente”, esclareceu Neres.

“Com o fechamento das notas, apenas daqui a uns 15 dias é que conseguiremos uma análise fiel sobre o rendimento dos alunos, mas a gente percebe um desempenho mais lento”, afirmou Neres em seguida.

Reposição de aulas será feita em uma semana
O ano letivo de 2022 na rede estadual de ensino começou com greve. Professores reivindicavam a implantação do piso salarial conforme definido em legislação federal. Foram quase 15 dias de paralisação. De acordo com a SEEC, a orientação da pasta é que seja utilizada uma semana do recesso escolar para realização de aulas, bem como a ministração de aulas aos sábados.

“Cada unidade de ensino reorganizou o calendário escolar para inserir os 12 dias letivos dentro do corrente ano letivo. Ainda existe a possibilidade de uma parte da carga horária ser reposta com atividades não presenciais”, explicou a Secretaria Estadual de Educação.

No Atheneu, cuja adesão à greve foi de 100%, a reposição já começou e, ainda nesta semana, um calendário deverá ser implantado para que as aulas sejam supridas. “Esta semana vamos oficializar o calendário de reposição. Nosso quadro de professores hoje está completo, mas, no início das aulas não estava e nós usamos alguns horários vagos para repor horas”, explica Magno Alexandre. 

Na Escola Anísio Teixeira, onde a paralisação foi parcial, a reposição ainda será planejada, mas deverá funcionar com um horário a mais no final do dia.  No Centro de Educação Jessé Pinto Freire, onde a paralisação também foi parcial, o calendário de encerramento das aulas será dividido em duas datas: em dezembro (para quem não aderiu à greve) e nas duas primeiras semanas de janeiro de 2023, para quem participou do movimento.

Leia também

Plantão de Notícias

Baixe Grátis o App Tribuna do Norte

Jornal Impresso

Edição do dia:
Edição do Dia - Jornal Tribuna do Norte