Número de MEIs aumenta no Estado

Publicação: 2021-01-24 00:00:00
Ricardo Araújo
Editor de Economia

Empreender se tornou a saída para vencer a crise financeira provocada pela pandemia do novo coronavírus para 20.688 potiguares ao longo do ano passado. Esse é o número de novas formalizações nessa categoria de empreendedorismo registrada pela Receita Federal no Rio Grande do Norte, perfazendo crescimento de 17% em relação a 2019. Hoje, o Estado conta com pouco mais de 141,4 mil empreendedores individuais. 
Créditos: Magnus NascimentoAndré Mendes, ao lado dos irmãos, fundou a Mendes SportsAndré Mendes, ao lado dos irmãos, fundou a Mendes Sports
Apesar de todas as dificuldades enfrentadas social e economicamente ao longo de 2020 por causa das restrições impostas pela pandemia do novo coronavírus, houve espaço para a ampliação de negócios - muitos deles deixando a sala da casa dos seus idealizadores e ganhando endereços comerciais - e a necessidade de formalização deles. O microempreendedor André Mendes é um dos milhares que se formalizou ao longo do ano passado no Rio Grande do Norte, de olho na oportunidade de ampliação das vendas dos seus produtos no mercado local e nacional. “A ideia de se tornar MEI surgiu da necessidade de formalizar um pequeno negócio. Nós já tínhamos um produto com boa aceitação no mercado, e queríamos dar um  passo a diante”, afirma. E deu certo.

O empreendimento de André Mendes surgiu do compartilhamento de interesses pessoais com seus dois irmãos. Todos praticam esportes de alta intensidade e procuravam produtos de qualidade, com um bom custo x benefício, e o principal: durabilidade. A partir disso, nasceu a Mendes Sports (@gomendessports), cuja especialidade é produzir coletes de pesos para os treinos de alto impacto, muito usados pelos praticantes de crossfit, por exemplo. Durante o ano passado, a marca deu início à produção de bermudas com elastano, que passaram a concorrer com marcas nacionais vendidas em lojas de Natal, inicialmente.

“Hoje, nossos produtos tem uma excelente aceitação no mercado local. Sempre focamos na qualidade do que produzimos. Levamos a nosso clientes algo que nós mesmos gostaríamos de usar.

Há um longo caminho desde a idealização até a fabricação e venda das mercadorias. Realizamos um criterioso teste de campo antes do lançamento no mercado, submetendo o produto a condições extremas, simulando tudo que ele encontrará durante os treinamentos. Somos criteriosos, e a maior parte dos projetos não chega na fase de fabricação por não atingirem o padrão desejado. Estamos sempre corrigindo e aperfeiçoando, corrigindo e aperfeiçoando, nunca acaba”, frisa André Mendes. 

Por trás dos números de microempreendedores individuais que registram crescimento no Estado, há sonhos diversos de acordo com o gerente do Escritório Metropolitano do Sebrae no Rio Grande do Norte.  “As pesquisas GEM (Global Entrepreneurship Monitor) sempre indicaram que os dois maiores sonhos dos brasileiros eram ter uma casa própria e o próprio negócio. Oscilava a cada ano o que aparecia em primeiro lugar, no entanto, sempre eram esses dois os maiores sonhos”, afirma Medeiros. Conforme aponta, o quantitativo crescente de desempregados no mercado formal de trabalho contribuiu para que mais pessoas formalizassem microempreendimentos localmente.

“Sempre que há perda de postos de trabalho, há um movimento natural de as pessoas empreenderem por necessidade para compensar essa perda do emprego”, ressalta o gestor do Sebrae/RN. Há, ainda, um diferencial que alavanca o percentual: o processo de formalização está mais simples e completamente digitalizado. Em menos de uma hora, qualquer cidadão que cumpra os requisitos mínimos exigidos pelo Governo Federal pode se tornar um microempreendedor individual. “Em menos de uma hora, é possível abrir uma empresa como MEI e ter seu CNPJ sem muita burocracia. Isso favorece muito a formalização”, sublinha Thales Medeiros.

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