Número de microempreendedores individuais cresce 18% no RN

Publicação: 2020-11-01 00:00:00
Ricardo Araújo
Editor de Economia

O número de microempreendedores individuais no Rio Grande do Norte cresceu. De setembro de 2019 para setembro deste ano, o avanço foi de 17,97%. Em números absolutos, o salto foi de 115.986 para 136.832 microempresários com registro junto ao Governo Federal. Ao longo da pandemia, esse quantitativo não recuou, mostrando avanço de 8,41% de março a setembro, conforme dados disponibilizados no Portal do Empreendedor do Governo Federal. Para promover o empreendedorismo, o Governo do Estado promulgou, semana passada, a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, que beneficiará o setor.

Créditos: Rovena RosaNúmero de trabalhadores no mundo dos microempreendedores individuais aumentou como forma de sobrevivência no mercadoNúmero de trabalhadores no mundo dos microempreendedores individuais aumentou como forma de sobrevivência no mercado

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“O MEI virou uma alternativa de trabalho. As pessoas estão empreendendo por necessidade. Além disso, as relações de trabalho mudaram também. Hoje, vários trabalhadores, vários microempreendedores individuais compartilham espaços, salas e isso movimenta positivamente a economia”, analisa Zeca Melo, diretor-superintendente do Sebrae no Rio Grande do Norte.

Até o final deste ano, conforme levantamento feito pela Agência Brasil, o número de microempreendedores individuais no país deverá ser recorde. De janeiro a setembro deste ano, o quantitativo de registro de MEIs cresceu 14,5% em comparação com o mesmo período do ano passado em todo o Brasil. São 10,9 milhões de microempreendedores individuais. Muitos deles, ex-trabalhadores da iniciativa privada que perderam seus empregos em decorrência da pandemia do novo coronavírus e precisaram se reinventar para continuarem inseridos na população economicamente ativa.

Nessa reinvenção, a internet se tornou o principal pilar, visto que, a maioria dos microempresários atua na comercialização de itens diversos através das redes sociais. “Estar presente em canais de venda digital é praticamente imperativo para milhares de pequenos empreendedores Brasil afora”, comenta Thomas Carlsen, COO e co-fundador da mywork, startup perita em controle de ponto online nas empresas e gestão de rotinas de Departamento Pessoal.

“Dentro da mywork, já tínhamos a vantagem de ser uma solução online e permitir que potenciais clientes nos contratassem através da internet. Agora, a constante atualização e melhoria dos processos no ambiente digital é o foco para qualquer negócio que quer crescer, mesmo com a pandemia”, conta o executivo.

Levantamento da Neotrust/Compre&Confie indica que as empresas que atuam com e-commerce tendem a obter bons resultados em seus negócios. De acordo com as pesquisas comparativas ao mesmo período de 2019, as vendas de PMEs tiveram um aumento de 118% em seu faturamento entre fevereiro e agosto em 2020.



Avaliação

Na avaliação do presidente do Sebrae, Carlos Melles, grande parte das pessoas que estão abrindo seus negócios “nesses últimos meses tem sido motivada” pela necessidade decorrente da falta de empregos, um dos principais impactos gerados pela pandemia. “Normalmente, as pessoas que empreendem em razão do desemprego não se preparam adequadamente e têm um sério risco de atravessar problemas na administração do negócio no futuro, mas o Sebrae está à disposição para prestar todo apoio na qualificação desses empreendedores”, afirma Melles. “Para essas pessoas, a instituição oferece um universo de cursos que podem ser feitos a distância (até mesmo pelo WhatsApp) e sem nenhum custo”, explica.

 “O MEI é o caminho da formalização, uma boa solução para quem está conseguindo manter a atividade neste período, pois ele pode ampliar as vendas, emitir nota fiscal, entre outros benefícios”, reitera Carlos Melles. Criado como figura jurídica há mais de 10 anos, o MEI nasceu para incentivar a formalização de pequenos negócios e de trabalhadores autônomos.  Podem aderir ao programa os negócios que faturam até R$ 81 mil por ano (ou R$ 6,7 mil por mês) e têm, no máximo, um funcionário.

Atento às necessidades desse público, o Sebrae criou uma página em seu portal, totalmente dedicada aos Microempreendedores Individuais. Nesse espaço, os MEIs podem saber mais sobre o auxílio emergencial disponibilizado pelo governo federal, sobre as linhas de crédito disponibilizadas especificamente para eles com recursos do Pronampe, bem como ter acesso a uma série de conteúdos que vão auxiliá-los na gestão do negócio. São e-books, vídeos, cursos e outras informações que vão desde dicas para gerir melhor a empresa, até orientações para quem quer implementar estratégicas de marketing digital.

O site também oferece suporte para as pessoas que planejam abrir o próprio negócio, mas estão em dúvida sobre quais passos seguir. No site do Sebrae, os interessados têm à disposição um guia com “Tudo o que você precisa saber sobre o MEI”, orientações sobre como construir um planejamento estratégico, entre outras informações.