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Natal
Número diário de mortes por covid-19 dobra no Rio Grande do Norte
Publicado: 00:00:00 - 02/06/2021 Atualizado: 21:49:07 - 01/06/2021
Cláudio Oliveira
Repórter
Ricardo Araújo
Editor

De janeiro a maio deste ano, a covid-19 matou mais pessoas no Rio Grande do Norte do que em todo o ano de 2020. A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN), confirmou 3.085 óbitos provocados pela doença entre os dias 1º de janeiro e 31 de maio passado. De 28 de março de 2020, data da primeira morte pela doença no Estado, até o dia 31 de dezembro do mesmo ano, o número de vidas perdidas para a infecção causada pelo novo coronavírus no território potiguar ficou em 3.064, segundo a pasta. 

Adriano Abreu
Do dia 1º de janeiro ao dia 31 de maio deste ano, 3.085 pessoas morreram por causa da covid-19 no RN. Em 2020, foram 3.064 óbitos

Do dia 1º de janeiro ao dia 31 de maio deste ano, 3.085 pessoas morreram por causa da covid-19 no RN. Em 2020, foram 3.064 óbitos


O número chama mais atenção quando o total de óbitos confirmados para a covid-19 é dividido pela quantidade de dias nos dois anos. Durante 2020, as 3.064 mortes ocorreram ao longo de 279 dias (de 28 de março a 31 de dezembro). Dividindo o primeiro pelo segundo número, chega-se a uma média diária de 10,98 óbitos. Neste ano, foram 3.085 mortes em 151 dias, o que perfaz uma média diária de 20,43 óbitos pela doença, quase o dobro do registrado em quase todo o ano de 2020. 

O preocupante dado é registrado num cenário em que a quantidade de leitos disponíveis para tratar os pacientes infectado pelo novo coronavírus também aumentou, mas a ocupação dos mesmos se mantém numa média de 95% em todo o Rio Grande do Norte, segundo a Plataforma Regula RN. As medidas restritivas ficaram menos rígidas e pacientes não idosos, abaixo dos 60 anos, passaram a se infectar e se internar mais. Os especialistas apontam que, sem restringir a circulação de pessoas, resta esperar que a vacinação em massa acelere, uma vez que, sem haver mudanças na forma da população agir, a tendência é de piora do quadro.

O pesquisador do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LAIS/UFRN), Rodrigo Silva, explicou que a média diária de confirmações de casos está em mais de mil por dia no RN e tem relação com a mudança na dinâmica do poder público na forma de lidar com a doença. 

“Quando a gente olha para esses números percebe que está tão ruim quanto em junho do ano passado, no primeiro pico. Porém, a situação é bem mais flexível na questão da circulação de pessoas. As iniciativas públicas eram pautadas nos números, nas condições em que a doença se manifestava, se baseando na ocupação para definir as medidas. Agora, desde o pós-eleição, a gente não tem visto esse mesmo tipo de iniciativa do poder público”, avaliou o pesquisador.

Para ele, os decretos estão indo na contramão das orientações da Ciência, dando às pessoas a sensação de que é seguro manter os hábitos que tinham antes da pandemia. “Tivemos a introdução de novas variantes, como a de Manaus e a do Rio de Janeiro. Não há mais controle efetivo. O cansaço das pessoas também tem levado a buscarem menos informações sobre o quadro atual, na ilusão de poder viver a vida normal”, pontuou Rodrigo Silva.

Perfil
O perfil dos pacientes mudou com o início da vacinação. Houve redução de novos casos e de internações entre idosos, mesmo com o lento processo vacinal. “Mas agora, há uma circulação maior dos mais jovens, aumentando a disseminação do vírus. Enquanto vacinou os idosos, não apertou as políticas de restrições e isso acaba se refletindo nos óbitos", ressaltou Rodrigo Silva.

Ele destacou que a tendência é de que os números continuem em alta, tanto de casos, quanto de mortes. “É possível que aumentem os registros nas próximas semanas porque teremos mais pessoas com doenças respiratórias, por causa do período mais frio e isso sobrecarrega os laboratórios com alta demanda por testes e também os hospitais. Mas também depende muito da consciência da população, já que as medidas dos governos estão seguindo o oposto do que a gente recomenda”, frisou o pesquisador.

Mortes ficaram 51% acima do esperado
No Rio Grande do Norte foi registrado um excesso de 2.685 óbitos entre 1º de janeiro e 17 de abril deste ano. O número corresponde a um percentual de 51% a mais da quantidade esperada, que era de 5.217.  No mesmo período, somente de covid, morreram 2.995 no Estado, segundo os Boletins Epidemiológicos da Sesap.

A informação sobre o excesso de mortes está num levantamento realizado pela organização global de saúde Vital Strategies  divulgado na segunda-feira (31) pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). Pelo estudo, na região Nordeste, o Rio Grande do Norte ficou atrás apenas do Ceará (82%) e do Maranhão (53%). No Brasil, o excesso de mortes foi de 64%, com mais de 211 mil mortes acima do esperado para o período analisado nesse balanço.

Segundo o Conass, a infecção por Sars-CoV-2 não é necessariamente a causa direta do excesso de mortalidade, mas o número de óbitos superior ao que era esperado para o período pode também ser reflexo indireto da epidemia. Isto porque, as mortes provocadas, por exemplo, pela sobrecarga nos serviços de saúde, pela interrupção de tratamento de doenças crônicas ou pela resistência de pacientes em buscar assistência à saúde, pelo medo de se infectar pelo novo coronavírus estão relacionadas à pandemia. As vítimas de arma de fogo e acidentes não foram incluídas.

Situação é preocupante, afirma Sesap
Os números da covid-19 no Rio Grande do Norte retratam um cenário preocupante para a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN). Se em 1º de junho de 2020, até então o pior momento provocado pela doença no território potiguar, eram 787 casos, um ano depois o Estado vivencia um novo platô com variação de 1.000 a 1.200 casos confirmados por dia. O primeiro Boletim Epidemiológico desse mês de junho mostrou que maio terminou com novos 1.259 casos, totalizando 269.685, e 11 óbitos confirmados num único dia. Já a média móvel de solicitações para um leito crítico é de 133 pacientes, 95 só para a região metropolitana.

O enfermeiro sanitarista do setor de Apoio Técnico Covid-19 da Sesap, Thialisson Ribeiro, frisou que a situação crítica tem se intensificado nos municípios. “Esperamos que a população compreenda que estamos vivendo um momento ainda muito crítico e poderemos chegar talvez a um pior momento ainda.

Quando avaliamos o Indicador Composto, verificamos que mais de 50% dos municípios apresentam-se em risco, 22% em risco elevado e quatro municípios em risco extremo. Todas as regiões do Estado preocupam de forma semelhante, algumas se agravaram mais nas últimas semanas, como a região do Seridó. Entretanto, todas estão em estágio considerado crítico”, alertou.

O Indicador Composto cruza 9 variáveis, incluindo internações e óbitos em leitos críticos, taxa de casos ativos, incidência no público de 18 a 59 anos e razão de testes positivos. 

Thialisson Ribeiro ressaltou que existe dificuldade na aquisição de insumos, cansaço da população devido à longevidade da pandemia, assim como para os profissionais da saúde, desde a linha de frente até os gestores. “O Governo do Estado sempre estimulou o distanciamento social, através dos seus decretos, e as medidas recomendadas pela OMS - Organização Mundial de Saúde. Entretanto, algumas medidas que caracterizavam alguma flexibilização foram necessárias por entender que não se poderia mantê-las de forma mais rígida e permanente”, pontuou. 

A preocupação aumenta porque, atualmente, seis novas variantes do vírus estão em circulação no Rio Grande do Norte e há dois casos suspeitos da nova cepa B1.617 (indiana). Analisando todo o contexto da pandemia, o sanitarista destacou que o caminho mais efetivo para controlar a doença será agilizar a vacinação, mas isso depende do Governo Federal.

“Temos visualizado a importância da vacinação e a sua eficácia com o baixo número de óbitos na faixa etária mais idosa, a qual possui uma maior cobertura vacinal. É importante ressaltar que uma boa cobertura vacinal depende de um bom quantitativo de pessoas vacinadas e para isso, a população precisa ter acesso à vacinação, assim como as pessoas precisam aderir à vacinação”, concluiu Thialisson Ribeiro.

Padre Naldo morre por covid-19 
A Arquidiocese de Natal comunicou na tarde dessa terça-feira (1º), o falecimento do Padre Francisco Erivaldo Barboza (Naldo). Ele estava internado na Policlínica Natal e morreu em razão de  complicações decorrentes da Covid-19, aos 41 anos de idade. Ele começou a sentir os primeiros sintomas, no início do mês de maio, em Afonso Bezerra. Foi transferido para a capital e, desde o dia 7 o mês passado estava internado na UTI da Policlínica. Uma das irmãs do Padre Naldo, como era conhecido, morreu pela mesma doença no dia em que ele deu entrada na UTI.

Padre Naldo nasceu em 22 de julho de 1979, em Itajá, e foi ordenado sacerdote em 14 de agosto de 2014, na Catedral Metropolitana de Natal, por Dom Jaime Vieira Rocha. Após a ordenação, foi nomeado vigário paroquial da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, em Ceará-Mirim. Em 15 de agosto de 2015, foi transferido para a Paróquia de São José Operário, em Jandaíra, onde ocupou a função de administrador paroquial, ficando lá até 13 de agosto de 2019, quando passou a ser pároco da Paróquia de Nossa Senhora das Graças, de Afonso Bezerra.

“A Arquidiocese de Natal agradece à equipe médica e aos demais profissionais da saúde por todo o empenho durante o tratamento do Padre Francisco Erivaldo, ao mesmo tempo em que agradece a todos aqueles que se uniram em orações constantes, nestes dias”, escreveu o arcebispo Dom Jaime Vieira Rocha.













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