Natal à brasileira no cinema ou na sua televisão

Publicação: 2020-12-05 00:00:00
Altas temperaturas, shoppings lotados, arroz com passas, panetone, o tio do "é pavê ou pacomê". Definitivamente, o Natal no Brasil não lembra em nada as celebrações típicas retratadas nos filmes norte-americanos, com muita neve, Jingle Bells e casas enormes com fachadas iluminadas. Clássicos como Esqueceram de Mim, A Felicidade Não Se Compra, Grinch, até Duro de Matar, entre tantos outros, fazem parte da memória afetiva do público brasileiro há gerações. O cinema nacional nunca, de fato, se enveredou por esse gênero. Este ano, no entanto, diversas produções investem em histórias natalinas com o jeito brasileiro de comemorar a data. E os filmes pioneiros estreiam nesta quinta-feira, 3: Tudo Bem No Natal Que Vem, com Leandro Hassum, entra no cardápio da Netflix, enquanto 10 Horas Para o Natal, com Luis Lobianco, chega às salas de cinema (em São Paulo, elas continuam abertas mesmo após o Estado ter regredido para a fase amarela no plano de flexibilização).

É interessante perceber que Tudo Bem No Natal Que Vem e 10 Horas Para o Natal têm muitas similaridades: são comédias leves, divertidas, mas recomenda-se assisti-las com lencinhos para enxugar as lágrimas nos momentos mais emocionantes; as histórias giram em torno da figura do pai, mas preste atenção: os filhos desempenham papéis fundamentais nas tramas; há separação dos casais principais; e a jornada dos personagens vem carregada de mensagens que são reveladas no final.

Filme nacional de Natal da Netflix, Tudo Bem No Natal Que Vem conta a história de Jorge (Hassum), casado com Laura (Elisa Pinheiro), pai de dois filhos e que mora no Rio. Ele detesta o Natal, porque faz aniversário no dia 24, e, por isso, a vida inteira ganhou só um presente e nunca conseguiu fazer festa com os amigos, porque eles estavam comemorando a data com suas famílias. Numa noite típica natalina em sua casa - com muita comida, presentes e discussões entre parentes -, Jorge é obrigado a se vestir de Papai Noel e cai do telhado. Depois daquele incidente, ele acorda na véspera de Natal do ano seguinte e se dá conta que não lembra de nada do que viveu naquele ano. E está condenado a passar por isso ano após ano.

Difícil não se lembrar de O Feitiço do Tempo ou Click, mas o roteirista Paulo Cursino diz que não há referências específicas no filme. "Eu queria fazer uma história a partir de uma coisa muito brasileira, um comentário que as pessoas fazem todo final de ano: ‘eu não vi esse ano passar’. E se a pessoa não visse o ano passar, não lembrasse de nada dos outros 364 dias? Uma brincadeira com perda de memória. Essa ideia me persegue há muito tempo", conta Cursino, que volta a trabalhar com Hassum e o diretor Roberto Santucci - o trio fez sucesso no cinema com filmes como Até Que A Sorte nos Separe e O Candidato Honesto. "O Natal brasileiro é Roberto Carlos, é Simone, é família brigando. Então, isso que traz a identificação. Tenho predileção pelo humor de identificação. Bato muito nessa tecla, porque o brasileiro está precisando se identificar com as coisas", diz Hassum, que comemora o fato de o filme poder ser visto na plataforma de streaming em 190 países.

Com direção de Cris D’Amato, 10 Horas Para o Natal também trabalha nesse campo da identificação. Em São Paulo, o Natal na casa dos Silva era uma alegria até Marcos Henrique (Luis Lobianco) e Sônia (Karina Ramil), pais de três filhos, decidirem se divorciar. As celebrações natalinas passam a não ser mais as mesmas. Para uni-los de novo, as crianças (entre elas a atriz Giulia Benite, de Turma da Mônica - Laços) planejam um Natal especial e vão sozinhas à 25 de Março. Após descobrir o paradeiro dos filhos, Marcos Henrique acaba embarcando no plano. Eles têm apenas 10 horas para conseguir erguer essa festa e convencer a mãe a participar dela. Mas, claro, encontrarão (muitos) obstáculos. 










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