Natal, a equação

Publicação: 2020-02-18 00:00:00
A+ A-
Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Créditos: DivulgaçãoPrefeitura MunicipalPrefeitura Municipal

O silêncio tem sido um bom refúgio para o ex-prefeito Carlos Eduardo Alves, mas não será por muito tempo. Vai chegar o dia, perto das convenções de junho, ou coisa assim, que ele vai ficar diante de uma decisão: apoiar a candidatura de um nome novo ou retomar a aliança com o prefeito Álvaro Dias. Se lançar candidato próprio, herdará a vitória ou derrota; se apoiar aquele que foi seu vice, dividirá o bônus nem pagar o ônus nas vésperas de 2022.

Ninguém hoje pode afirmar que Alves é candidato ao governo, num acerto de contas com a governadora Fátima Bezerra que o derrotou nas urnas de 2018. Pode disputar uma vaga de deputado federal ou senador, este se atrelado a um conjunto de forças. Mas, em qualquer hipótese, é melhor não colher uma segunda grande derrota nos seus ombros com dois anos de antecedência. Vencer, em política, ainda é o melhor elixir para enfrentar a luta seguinte.

Ao mesmo tempo, o ex-prefeito tem um desafio: sair das eleições municipais com uma bancada que não lhe vexe o passado. Só ele é a garantia de uma tração capaz de puxar uma bancada mínima com a força de sua maioria em Natal, sobre Fátima, de mais de oitenta mil votos. Mas - é bom não esquecer - sua posição dentro do PDT já não é tão hegemônica e com laços tão confiáveis no seu conjunto. Ele sabe e não esconde dos nomes hoje inconfiáveis.

Tanto ele pode ser candidato, o que seria muito bom para o PDT, como, sendo, pode contribuir para eleger quem não merece seu apoio. Pode lançar sua mulher e quanto mais ela puxar votos, mas pode beneficiar a formação de uma bancada de verdade. Não é fácil a equação de Natal, mas, em matéria de equações, a política sabe construí-las e desconstruí-las, sempre de acordo com o seu pragmatismo, próprio e intrínseco de sua natureza como arte.

O grupo mais autenticamente ligado a Alves admite o apoio a Álvaro Dias como uma forma de coesão, fixando-se os compromissos com antecedência. O que parece mais distante, o apoio do MDB de Garibaldi e Walter Alves, não é fácil, mas não é impossível, embora o partido hoje não tenha as melhores condições para reunir o grupo familiar num só nome, como antes. Ter partido, é bom lembrar, é ter autonomia de tempo de tevê e fundo partidário.

O prefeito tem dito aos poucos interlocutores, em conversas que não chegam às redes sociais, que ainda não sabe a quem vai apoiar. Sabe. Claro que sabe. Mas tem tempo para não antecipar a decisão, protegendo-se de fatos novos que possam surgir de última hora. Nada deve ser posto na conta do impossível. Até pelo peso das forças estranhas quando descem do alto dos sonhos de poder. Mas, tudo tem tempo certo. Até o ponto de fio que faz o bom mel.

SINAL - O retrato da noção de modernidade no Brasil é assim: a empresa aérea Gol acaba de lançar uma promoção ‘moderna’: o direito da madame levar de lado o cãozinho de estimação.

ALIÁS - As promoções revelam o que a imprensa alertou: a cobrança de bagagem que iria baixar o valor das tarifas vem sendo usado como promoção. E as tarifas sobem como antes.

NOME - Na nota do doutorado que o juiz Cícero Macedo defenderá na Espanha, seu nome saiu como se fosse ‘Martins’. O que leva este cronista a, encabulado, pedir desculpa pelo erro.

PASÁRGADA - Enquanto nesta aldeia nada se festeja, Pernambuco presta homenagem no seu suplemento aos 90 anos do poema ‘Vou-me Embora pra Pasárgada’, de Manuel Bandeira.

DATAS - Neste 2020, são os 210 anos de nascimento de Nísia Floresta. O Teatro Alberto Maranhão e a Biblioteca Câmara Cascudo, ambos de portas fechadas. Quando vão reabri-las?

CANTORA - O marketing governamental é como a cantora de cabaré: só entoa sua voz se é para cantar loas maviosas. Se a estatística do crime piora, cala-se como uma monja pudica.

PODE - Deu no TL de Laurita Arruda: o deputado Eliéser Girão pagou R$ 1,5 mil por uma entrevista exclusiva no site ‘Trombeta News’, com verba parlamentar. O poderoso pode tudo. 

TARÔ - De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, vendo uma nímia representante do trade oficial prevendo o futuro: “Parecia uma cartomante antecipando nossas frustrações”.

GOZO - De um poderoso aposentado, via e-mail, no gozo da vitória: “Os cerebrais já nascem poderosos. O aumento de 16,38% para os grandes salários neutralizou a alíquota dos 16% que a reforma vai cobrar. Para os poderosos não haverá reforma”. Só cabe uma palavra: genial.

FRIEZA - São poucas as chances - é matemático - do Poder Legislativo mudar esse jogo. Foi justamente a maioria governista que antes já privilegiou os grandes salários quando negou o mesmo aumento de 16,38% aos que, ativos ou inativos, ganham até três salários mínimos.  

ALIÁS - Ao devolver ao Poder Executivo mais de R$ 5 milhões de reais sobrados do seu ano orçamentário, e apesar do presidente da Câmara, Paulinho Freire ter dito que era para servir de exemplo, o gesto caiu no vazio. No buraco negro que soterra de silêncio uma nova luz. 







Deixe seu comentário!

Comentários