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Natal
Natal faz parte do grupo logístico de esquema criminoso
Publicado: 00:00:00 - 28/11/2021 Atualizado: 11:48:14 - 28/11/2021
No esquema específico comandado pelo ex-major da Polícia Militar, o crime se organiza em três grandes grupos: “Márcio Cristo” e “Zoio”, com ações em Paranaguá-PR e “Logístico”, em São Paulo. A capital potiguar faria parte de um subgrupo vinculado ao “Logístico”, intitulado “Barcos Natal” e “Frutas Nordeste”, que inclui ainda cidades como Juazeiro (BA) e Petrolina (PE).

Reprodução
Sérgio Roberto de Carvalho está foragido e é procurado atualmente pela Interpol

Sérgio Roberto de Carvalho está foragido e é procurado atualmente pela Interpol


No caso do “Logístico”, o papel desse grupo seria receber, armazenar e transportar para os grupos que atuam diretamente na exportação da cocaína, como o caso de Natal.

O Grupo Barcos Natal, por exemplo, segundo dois processos da Justiça Federal aos quais a TN teve acesso, “trata-se de grupo especializado na reforma de embarcação para ocultação de grandes carregamentos de cocaína em viagens transoceânicas”, disse.

Esse grupo, segundo a denúncia, seria chefiado por Lenildo Marcos da Silva, o “Cabeça”, sendo diretamente ligado ao Major Carvalho. A Justiça afirma que três embarcações foram reformadas na Rua Chile, na Ribeira, zona Leste de Natal. Entre elas estaria a “Wood”, embarcação que foi apreendida em águas internacionais com 1.100 kg de cocaína nas proximidades de Cabo Verde em maio de 2019. O pesqueiro, foi encontrado a aproximadamente 280 milhas náuticas da Cidade da Praia, em Cabo Verde. Seis dos sete tripulantes eram do Rio Grande do Norte. Eles partiram de Jaboatão dos Guararapes (PE) e o barco era inscrito na Capitania dos Portos do RN. 

Neste caso específico, a técnica utilizada pelo grupo é a “Pescaria”, que consiste no transporte da droga  em lanchas e/ou içamento para navios. No processo, a Polícia Federal cita que o carregamento da droga foi transportado por um helicóptero branco e azul “que lançou a carga ao mar a cerca de 50 milhas náuticas da costa de Pernambuco já acondicionada nos sacos”. 

Nos tabletes de cocaína haviam adesivos com as marcas da Louis Vitton, marca de bolsas, e do clube espanhol Real Madrid.

Além da “Wood”, as embarcações “Myomar” e “Dorada” também faziam parte do esquema e foram adquiridas por uma empresa fictícia intitulada “Alves Embarcações”.

Lenildo teve um pedido de Habeas Corpus negado pela Justiça Federal em fevereiro deste ano. O desembargador Gebran Neto argumentou que o mandado de prisão de Lenildo não havia sido cumprido “o que demonstra, com mais rigor, o descabimento de tal intervenção em exame perfunctório”. A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos citados. 

Major Carvalho exportou R$ 2 bilhões 
Sérgio Roberto de Carvalho, conhecido como major Carvalho, comanda uma organização criminosa internacional para tráfico de drogas e é procurado pelas polícias do Brasil e da Europa. 

De acordo com informações da Polícia Federal, o Major Carvalho teria criado uma esquema para mandar grandes quantidades de cocaína para a Europa, África e Ásia. Na Europa, ele usava a identidade falsa de Paul Wouter. 

Em agosto de 2018, “Paul”, de acordo com informações da Revista Piauí, chegou a ser preso na Espanha acusado de coordenar um barco vindo do Suriname com 1,7 tonelada de cocaína. Foi solto após pagar fiança de R$ 200 mil. Em agosto passado, prestes a ser julgado, sua defesa apresentou certidão de óbito. No entanto, em novembro de 2020, a Operação Enterprise fez com que a polícia espanhola se desse conta de que Wouter estava vivo e foragido.

A Operação Enterprise foi deflagrada em novembro do ano passado com o objetivo de combate à lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e apreensão de cocaína nos portos brasileiros. Estão sendo sequestrados aproximadamente R$ 400 milhões em bens do narcotráfico, sendo a maior operação do ano em sequestro patrimonial, consubstanciados em aeronaves, imóveis e veículos de luxo, havendo a expectativa de que novos bens sejam identificados após o cumprimento dos mandados de busca e apreensão. Em Natal,  3 mandados de busca e apreensão foram feitos, e uma prisão foi efetuada. 

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