Natal precisa de R$ 1,5 bilhão para obras

Publicação: 2019-04-21 00:00:00 | Comentários: 0
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Sílvio Andrade
Repórter


Os problemas  de alagamentos  provocados pelas chuvas têm solução definitiva mas a Prefeitura não tem de onde tirar R$ 1,5 bilhão para investir nas obras de drenagem necessárias para os 84 pontos críticos identificados pelo Plano Diretor de Drenagem e Manejo de Águas Pluviais da Cidade do Natal.

As previsões da meteorologia apontam boa quadra chuvosa na faixa leste (litoral) a partir de maio. Essa área inclui Natal e deixa apreensivo quem mora em áreas onde é comum alagar.

O secretário de Obras e Infraestrutura de Natal, Tomaz Neto, explicou que o montante de R$ 1,5 bilhão é baseado no Plano Diretor de Drenagem, mas a Prefeitura não tem esses recursos para melhorar o sistema de drenagem na capital.
Moradores da rua Santa Luzia, em Igapó, relatam suas dificuldades quando as chuvas caem
Moradores da rua Santa Luzia, em Igapó, relatam suas dificuldades quando as chuvas caem

O Plano cadastrou 120 pontos críticos de drenagem em Natal e, ao  contrário do que se propaga, não é a zona Norte que tem a maioria das áreas vulneráveis. A zona Sul tem 46 desses pontos enquanto a zona Norte, tem 39. A zona Leste tem 22 e a Oeste, 13.

Tomaz Neto apontou dez pontos críticos de alagamento na cidade por falta de drenagem: avenida da Integração, avenida Ayrton Senna, Arena das Dunas, Salgado Filho com a rua Almeida Barreto (em frente ao Crea-RN), avenida Capitão-Mor Gouveia,  San Vale e Parque das Colinas, rua Santa Luzia em Igapó, Santarém na zona Norte, rua Mipibu e rua Afonso Pena.

No documento de 2011 estão anotadas soluções de macrodrenagem prioritária, como é o caso do túnel Arena das Dunas, e também de microdrenagem, a solução em execução na rua Santa Luzia, no bairro Igapó.

O túnel Arena das Dunas, segundo o secretário, é a obra de drenagem mais importante realizada em Natal nos últimos 50 anos. Há um porém: a obra de R$ 17 milhões está paralisada esperando o sinal verde da Caixa Econômica Federal. O túnel de 4,7 km sozinho vai solucionar 33 pontos de alagamentos ao longo da Capitão-Mor Gouveia, passando pela avenida Jerônimo Câmara, até uma lagoa às margens do Rio Potengi antes do descarte final da água no próprio rio.

Dos 4,7 km, 860 metros já foram concluídos antes da paralisação para ajustes como a construção de um extravasor na lagoa do Centro Administrativo e uso de jet grouting, um sistema de permeabilização interna do túnel que evita acidentes devido à alta profundidade que varia de 16m a 33m, com diâmetros entre 1,6 metros e 3,3 metros.    A zona Norte tem vários pontos de alagamentos pela falta de drenagem e pavimentação. Muitos loteamentos também viram área de alagamento, apontou o secretário. 

 Entre os bairros de Tirol e Petrópolis, a rua Mipibu,  na zona Leste, alaga casas, prédios comerciais e edifícios porque as galerias da microdrenagem ficam entupidas de lixo que descem das encostas de Mãe Luiza e das ruas no entrono como a Maria Auxiliadora, Dr. Renato Dantas e Dom José Pereira Alves.

Há mais de um mês foram retirados mais de 6 toneladas de lixo que entupiu a galeria, que também provocou o afundamento de trechos da avenida Afonso Pena. “De certa forma é vergonhoso para a comunidade como um todo”, criticou o secretário. “Fica difícil conviver com lixo e drenagem. São coisas que não combinam”, afirma o secretário.

A área do entorno da Arena das Dunas, a confluência da Salgado Filho com a rua Almeida Barreto em frente ao CREA, e os bairros San Vale e Parque das Colinas, segundo o secretário, alagam por causa dos mesmos problemas da maioria dos bairros da zona Norte que não têm drenagem e também têm uma contribuição significativa e negativa do acúmulo de lixo, que obstruem galerias.

População reclama dos alagamentos 

O comerciante Geraldo Adelino Soares, não tem esperança das obras de drenagem da rua  Santa Luzia, em Igapó, zona Norte, onde mora, ficaram prontas antes do início de maio, quando começa o período de chuvas em Natal.

A casa do comerciante e cheia de  barramentos de concreto para evitar a invasão das água. Uma loja da família alagou em mais de um metro. Nesta quinta-feira (18) ele lamentou o atraso nas obras e disse que na quarta-feira (17) um trabalhador quase foi ferido por uma jato de água quando tentava desentupir uma tubulação da drenagem. “Os trabalhadores (da obra) não querem tirar a areia da tubulação”, lamentou.
Geraldo Adelino mostra os ajustes que teve que fazer em sua casa para evitar alagamentos
Geraldo Adelino mostra os ajustes que teve que fazer em sua casa para evitar alagamentos

Também na zona Norte, no  conjunto Santarém, bairro Potengi, o aposentado José Teixeira de Moura, 66, reclamou que a rua Taraucá, da falta de obras de drenagem. Segundo ele, uma obra inacabada faz com que o esgoto transborde e até fezes saia da tubulação para rua, principalmente, porque a lagoa de captação do conjunto tem lixo e o mato crescido provoca mau cheiro e risco de proliferação de mosquitos como o transmissor da dengue. “A lagoa está imunda”, disse.

Segundo ele, qualquer chuva provoca alagamento na rua por falta de drenagem.

Adriana Matias, vizinha de José Teixeira, endossou as reclamações e acrescentou que a Estação Elevatória da Caern, construída em frente à sua casa, foi concluída em 2018 não está funcionando e oferece risco à população porque há um tanque aberto com água parada, além de exalar mau cheiro e ser um potencial criadouro de mosquitos.

Na avenida da Integração, o problema apontado pela proprietária de uma oficina mecânica, Patrícia Moura, é que os alagamentos afastam a sua clientela. Na semana passada funcionou apenas três dias porque a  água chegou a mais de um metros em frente à sua oficina. Além do mais, ao lado, tem uma lagoa que transborda sempre que chove muito. 


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