Economia
Natal tem a quarta maior alta na cesta básica de alimentos no País
Publicado: 00:00:00 - 08/12/2021 Atualizado: 00:09:05 - 08/12/2021
O preço médio da cesta básica aumentou 3,25% em Natal. A alta foi a quarta maior do País, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada mensalmente pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) em 17 capitais brasileiras. Em 2021, a variação acumulada é de 13,58% e, em doze meses, de 14,41%. Os dados apontam elevação de preços em nove cidades no mês passado, com maiores altas em cidades do Norte e do Nordeste. Recife lidera o ranking, com um aumento de 8,13%, e uma cesta ao custo de R$ 524,73. 

Magnus Nascimento
Entre os produtos que registraram aumento em novembro, o tomate teve a maior alta: 40,92%

Entre os produtos que registraram aumento em novembro, o tomate teve a maior alta: 40,92%


Completam o ranking das cidades onde o custo mais aumentou: Salvador (+3,76%) e João Pessoa (+3,62%). Outras cinco capitais analisadas pela pesquisa do Dieese tiveram elevação do custo médio da cesta básica: Fortaleza (2,91%), Belém (2,27%), Aracaju (1,96%), Florianópolis (1,40%) e Goiânia (1,33%). As principais reduções no preço médio no mês de novembro ocorreram em Brasília (-1,88%), Campo Grande (-1,26%) e Rio de Janeiro (-1,22%).

Na capital potiguar, os produtos com alta de preço médio em relação a outubro foram o tomate (40,92%), café (1,93%), óleo (1,48%), pão (1,22%), manteiga (0,67%) e açúcar (0,51%). Apresentam redução de preço médio em relação a outubro,  a carne (-2,75%), banana (-1,69%), feijão (-0,99%), farinha (-0,55%), arroz (-0,39%) e o leite (-0,20%). Segundo o Dieese, a jornada necessária para comprar a cesta básica é equivalente a 104 horas e 13 minutos.

A pesquisa mostra ainda que, em Natal, o trabalhador está comprometendo 51,21% do salário mínimo líquido para comprar os doze produtos da cesta básica de alimentos. Com base na cesta mais cara que, em novembro, foi a de Florianópolis, o Dieese estima que o salário mínimo necessário deveria ser equivalente a R$ 5.969,17, o que corresponde a 5,42 vezes o piso nacional vigente, de R$ 1.100,00. O cálculo é feito levando em consideração uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças.

Análise dos produtos
A preocupação com o clima, ou seja, com impactos da geada na safra 2022/2023, repercutiu nos preços do café, tanto no mercado futuro quanto no varejo. O preço do quilo do café em pó subiu em todas as capitais, com destaque para as variações registradas em Recife (23,63%), Florianópolis (11,94%), Rio de Janeiro (11,39%), Porto Alegre (10,03%) e Curitiba (9,46%).

Já a baixa oferta de açúcar elevou as cotações no varejo. O preço do quilo do açúcar aumentou em 16 capitais e as altas oscilaram entre 0,51%, em Natal, e 7,24%, em Florianópolis. O óleo de soja registrou elevação em 16 capitais, entre outubro e novembro. As maiores altas ocorreram em Aracaju (5,64%), Florianópolis (4,19%) e Fortaleza (4,16%). A alta nos preços externos da soja, a maior demanda pelo óleo e a valorização do dólar frente ao real explicaram o aumento do óleo de soja no varejo.

O preço do feijão recuou em todas as capitais. Para o tipo carioquinha, pesquisado no Norte, Nordeste, Centro-Oeste, em Belo Horizonte e São Paulo, as retrações oscilaram entre -4,97%, em Belo Horizonte, e -0,40%, em Brasília. Já as quedas do preço do feijão preto, pesquisado nas capitais do Sul, em Vitória e no Rio de Janeiro, variaram entre e -3,05%, no Rio de Janeiro, e -0,13%, em Curitiba. Os altos patamares de preço do feijão inibiram a demanda, forçando os valores para baixo. Além disso, a maior oferta, pela colheita do sudoeste de São Paulo, reduziu os preços no varejo.

O preço do arroz agulhinha diminuiu em 15 capitais; as quedas mais importantes foram registradas no Rio de Janeiro (-5,54%), Aracaju (-4,10%), Salvador (-3,12%) e Brasília (-2,79%). A menor comercialização do arroz, devido à baixa demanda, e a expectativa de estoques elevados do grão resultaram na redução das cotações nas capitais pesquisadas.

O valor médio do litro do leite integral diminuiu em 13 capitais, com destaque para as taxas de Vitória (-4,84%), Curitiba (-3,70%), Rio de Janeiro (-3,21%), Belo Horizonte (-3,15%) e Campo Grande (-3,12%). Houve melhora nas pastagens e o período é de elevação de oferta, o que explica as quedas na maioria das cidades.

A carne bovina de primeira teve o preço reduzido em 11 capitais. A oferta foi menor, consequência do período de entressafra da carne bovina. Entretanto, no varejo, o movimento foi de redução nas cotações, na maior parte das cidades; pois, além da sanção chinesa à carne brasileira, os altos patamares de preço da carne bovina de primeira inviabilizam o acesso de grande parte das famílias brasileiras. As capitais que tiveram maior recuo nos preços foram Natal (-2,75%), Goiânia (-0,76%) e Campo Grande (-2,19%). 

Reprodução


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