Natal tem maior número de registros de casos

Publicação: 2019-12-01 00:00:00 | Comentários: 0
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Mais de 4 mil mulheres foram agredidas e 263 foram mortas em Natal entre 2009 e 2017. A capital do Rio Grande do Norte é a cidade com mais registros de casos no estado e a única a ter um centro de referência de acolhimento ás vítimas. Esse ano, 118 mulheres e filhos foram acolhidos pelo local, responsável por escutar as vítimas e orientar as medidas adequadas para cada caso.

Segundo a secretária municipal de mulheres, Andrea Ramalho, a política de acolhimento é um dos maiores avanços para o enfrentamento da violência contra a mulher por representar um espaço onde as vítimas podem conhecer seus direitos. “O objetivo nosso, enquanto secretaria, é fomentar e articular pautas para promover a mulher, prevenir as agressões e eliminar a violência”, afirma a secretária.

Dentro desse objetivo, existem programas para as mulheres conhecerem a lei Maria da Penha e se profissionalizarem para serem inseridas no mercado de trabalho. “A qualificação do emprego é um pilar que consideramos necessário para haver uma independência financeira por parte das mulheres”, continua.

Um problema nacional das casas de abrigo é a sensação do punido ser a vítima por ficar cerceada de liberdade e não os agressores. Em Natal, não é diferente. A chefe de investigação da delegacia da mulher da zona norte de Natal, Judite Silva, que atende diariamente vítimas de agressão, afirma que muitas questionam a inversão de estarem “presas” nas casas. “Elas dizem: 'quem deveria estar preso é ele que fez isso, não eu'. Muitas não querem ir por isso”, diz Judite.

Sem equipes adequadas para o atendimento psicológico nas delegacias, algumas vítimas optam por não irem à casa de abrigo. Questionada se a Prefeitura de Natal se preocupa com essa porta de entrada, a secretária municipal Andréa Ramalho afirmou que as equipes de acolhimento são reduzidas para fazer esse trabalho, que seria de responsabilidade do Estado. “Há de se cobrar dos outros entes que a rede seja melhorada. A proteção à mulher é uma rede e cada um precisa arcar com a sua parte”.



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