"Natal tem muito potencial"

Publicação: 2011-09-18 00:00:00 | Comentários: 0
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Tiago Menezes 
repórter

Apesar da pouca tradição em esportes olímpicos, o Rio Grande do Norte costuma revelar grandes atletas, que destacam-se nos maiores eventos esportivos do mundo. É o caso dos natalenses Oscar Schmidt, do basquete, e Virna Dantas, do vôlei, como também do velocista seridoense Vicente Lenílson, medalha de prata nas Olimpíadas de Sidney, em 2000. A bola da vez é o nadador Bruno Fratus, ex-aluno do Marista de Natal que atualmente representa a equipe do Pinheiros/Sabesp, de São Paulo. 

Fratus é natural de Macaé, cidade interiorana do Rio de Janeiro, mas se considera um autêntico papa-jerimum. O jovem de 22 anos tem mãe potiguar, pai paulista e irmã baiana. Em entrevista exclusiva à TRIBUNA DO NORTE, ele explicou, entre outras coisas, a “confusão geográfica” de sua família. Bruno também comentou a vitória nos 50 metros livre do Troféu Maria Lenk, realizado no Rio de Janeiro no primeiro semestre de 2011, quando deixou para trás o campeão olímpico e recordista mundial César Cielo. 

Apesar dos grandes feitos e excelentes resultados na natação, Bruno Fratus é pouco conhecido no RN. E boa parte dos potiguares que o conhecem não sabem que ele tem raízes aqui, e deu as primeiras braçadas em piscinas natalenses. Com presença garantida nos 50 e 100 metros livre dos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, na Inglaterra, o “potiguarioca” promete dar o máximo de si para representar o Brasil e a cidade do Natal da melhor forma, se possível conquistando uma medalha olímpica.
Bruno está no Pinheiros/Sabesp desde 2007, e já garantiu índice para os 50 e 100 metros livre das Olimpíadas de Londres
Você começou na natação ainda criança. Quais as suas primeiras conquistas no esporte e quais as competições que você participava? Representava algum clube ou escola?

Eu passei por várias fases dentro da natação. Aos 11 anos me federei, na época nadando na minha cidade natal, Macaé-RJ. Aos 15 foi quando comecei a ser competitivo em campeonatos nacionais, e aos 17, na época recém-chegado no Pinheiros/Sabesp, foi quando a natação se tornou profissional. Desde então sempre participo de campeonatos nacionais defendendo o Pinheiros, e de competições internacionais com a seleção brasileira. Já fui ao Pan-Pacífico, Copa do Mundo e Mundial de Esportes Aquáticos. Participarei do meu primeiro Pan-americano neste ano, e já alcancei índice para as Olimpíadas de Londres.

Quem foi seu primeiro treinador e qual a importância dele na sua carreira?

Cada fase teve seu treinador e sua respectiva importância. Posso citar vários nomes, mas sem dúvidas os mais importantes foram Rogério Arapiraca, Alberto Silva e o meu atual treinador, Arílson Soares.

Quando surgiu a ideia de tornar-se profissional? Foi necessário abandonar os estudos ou você ainda frequenta alguma instituição de ensino?

Desde os meus 15 anos eu tinha certeza que queria nadar profissionalmente, portanto o meu segundo grau foi muito divido entre treinos e estudos. Mas por sorte eu tenho uma família que sempre me apoiou e me deu toda a base necessária para seguir meu sonho. Consegui terminar o segundo grau, até mesmo por exigência dos meus pais, mas infelizmente no nosso país é praticamente impossível conciliar o esporte de alto rendimento com os estudos, portanto tive que deixar a parte acadêmica de lado por enquanto.

Sua família apoiou a decisão?

Meus pais sempre foram meus maiores torcedores. Eles sempre me apoiaram e me ajudaram para que desse tudo certo.

Quais equipes você defendeu ao longo da carreira? Está no Pinheiros há muito tempo?

Já defendi o Vasco da Gama, Aceb (Salvador), Marista de Natal e desde 2007 defendo o Pinheiros/Sabesp.

Hoje você é atleta do Pinheiros, assim como a campeã mundial de ginástica Daiane dos Santos. Como é a sua convivência com esses atletas?

Temos alguns raros momentos de convivência. São tantos esportes diferentes, tantos programas de treinamento e um clube tão grande que fica difícil cruzar com todo mundo lá.

Jovens da sua idade costumam beber, sair à noite e frequentar baladas. Como se sente sabendo que precisa abdicar de certas coisas para dedicar-se aos treinamentos e competições?

Me sinto muito bem, para mim é um prazer me dedicar ao esporte; estou tentando construir algo concreto e notável na minha vida. Baladas e afins são divertidos, mas a partir de um certo ponto viram perda de tempo.

Você nasceu em Macaé, no interior do Rio de Janeiro, tem pai paulista, mãe potiguar e uma irmã baiana. Qual o motivo dessa “confusão geográfica” na família Fratus?

Por causa do trabalho do meu pai nós nunca passamos muito tempo em um lugar. Mas por um lado foi ótimo, porque adquiri muita experiência e conheci várias culturas diferentes.

Apesar de ter nascido em outro Estado, você costuma dizer que é potiguar. Qual o seu sentimento por Natal e pelo Rio Grande do Norte?

A família da minha mãe é toda do RN, então além de ter morado um tempo em Natal, sempre passei férias na cidade. Tenho um carinho muito grande por Natal.

Até hoje sua família vive na capital potiguar. O que fazer para matar a saudade? Nas férias, Natal é o destino?

Sempre que posso dou uma passadinha em Natal, até porque não temos muito descanso, então tento aproveitar ao máximo o tempo livre que tenho para matar a saudade da família.

No Troféu Maria Lenk, realizado no primeiro semestre de 2011, você foi ouro nos 50 metros livre, deixando o campeão olímpico e recordista mundial César Cielo para trás. Qual a sensação de bater o nadador mais rápido do mundo na principal prova da natação?

Não acho interessante quando relacionam minha vitória apenas ao fato de ter ganhado de um ou outro atleta. Trabalhamos duro para ressaltar as nossas próprias conquistas. Ser campeão brasileiro foi um divisor de águas na minha carreira. Abriu várias portas e me motivou bastante para o campeonato mundial que viria em seguida.

Fratus superou o campeão olímpico e recordista mundial César Cielo e ficou com o ouro nos 50 metros livre do Troféu Maria LenkCom os bons resultados obtidos ultimamente você garantiu índice para os 50 e 100 metros livre das Olimpíadas de 2012, em Londres, na Inglaterra. Como anda a sua preparação para o evento?

A preparação começou a partir do momento em que obtivemos o índice. Mesmo que indiretamente, o atleta precisa estar - acima de tudo mentalmente - preparado para uma competição como as Olimpíadas.

Já pensou na possibilidade de conquistar medalha nos Jogos Olímpicos? Caso isso aconteça, como imagina que será sua reação ao subir no pódio?

Todo dia de manhã, quando acordo para treinar, penso nessa medalha. No Pinheiros nós trabalhamos para atingir a excelência. Todo atleta de alto nível que se preze trabalha para chegar ao topo, e comigo não é diferente.

Como anda o tratamento do ombro contundido e como se deu a contusão? Estará recuperado a tempo de disputar o Pan de Guadalajara?

Me machuquei treinando. De tanto usar, uma hora o corpo pede um descanso. A lesão é uma forma dele se comunicar, mas com certeza estarei bem no Pan-americano. Tenho toda a estrutura que preciso para me tratar dentro do clube. Está tudo muito tranquilo, estou tratando antes de qualquer coisa para entrar no ano olímpico 100% saudável.

Sites especializados em esportes apontam o seu nome como uma das razões para o público brasileiro acompanhar o Pan de 2011. Como você se sente tendo o trabalho e o esforço reconhecidos?

Ter o reconhecimento da mídia é muito bom, pois abre portas, apesar de muitas vezes gerar uma pressão desnecessária. Mas ainda sinto falta do reconhecimento de possíveis patrocinadores. Felizmente estou bem amparado pelos Correios e pela Sabesp, mas ainda assim é muito difícil conseguir um bom patrocinador no Brasil, um país que investe bem em apenas um esporte, e esquece o esporte amador e as categorias de base acabam perdendo muitos talentos, além de limitar o seu desenvolvimento na área.

Apesar dos grandes feitos e excelentes resultados na natação, você é pouco conhecido no RN. E boa parte dos potiguares que o conhecem, não sabem que você tem raízes aqui e deu as primeiras braçadas em piscinas natalenses. Qual o seu pensamento sobre isso?

Adoraria ser melhor representado no RN, seria excelente conseguir um patrocinador potiguar. Me daria a chance de desenvolver um esporte pouco divulgado e apoiado no estado. Já vi vários talentos incríveis se perderem e ficarem limitados a JERN’S. Natal é um lugar que sempre me deu muitas alegrias, e tem muito potencial. Fica a dica para as empresas potiguares.

Agora o RN possui um nadador de ponta, com grande chance de medalhar no maior evento esportivo do planeta. Garante ou promete algo aos conterrâneos sobre o futuro na natação e a participação nas Olimpíadas?

Prometo apenas que vou dar o meu máximo para representar o Brasil, o Pinheiros/Sabesp e a cidade de Natal da melhor forma possível. Se isso significar a medalha olímpica, que seja.

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