Natalenses procuram dose para poliomielite no Dia D de vacinação

Publicação: 2020-10-17 11:05:00
Ícaro Carvalho
Repórter


Buscando a vacina contra a poliomielite e a atualização da carteira vacinal, potiguares em todo o Estado procuraram, neste sábado, 17, os postos de saúde dos municípios para o Dia D da vacinação contra a poliomielite, numa campanha com mobilização nacional por parte do Ministério da Saúde. Neste sábado, a vacinação segue até às 17h, mas a campanha vai até o dia 30 de outubro e além de vacinar contra a pólio, os órgãos em saúde tem enfatizado que a campanha tem o objetivo de atualizar a caderneta de vacinação e mobilizar a população para a importância de vacinar os brasileiros contra diversas doenças como sarampo, febre amarela, rubéola, caxumba, hepatites A e B, dentre outras. Em todo o Brasil, o objetivo é imunizar mais de 11,2 milhões de pessoas.

Em Natal, as 63 salas de vacinação do município foram abertas pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS/Natal). Quem chegou cedo para vacinar seu filho foi a contadora Fernanda Sousa, 29 anos. Ao lado de Noah, 4, ela comenta que foi a unidade básica apenas para vacinar o filho contra a poliomielite, uma vez que todas as outras vacinas já estão em dia.

Créditos: Adriano AbreuCampanha de multivacinação segue até o dia 30 de outubro em todo o paísCampanha de multivacinação segue até o dia 30 de outubro em todo o país

“A caderneta esta atualizada. Acho importante vacinar porque é uma forma de proteger meu filho. Existe muita mentira por aí sobre as vacinas, mas não acredito. É uma forma de se prevenir contra as doenças”, explica a natalense, que saiu do Barro Vermelho até a Unidade Básica de Saúde de São João, em Tirol, para conseguir o serviço.

"Essa campanha tem foco na Poliomielite, mas também é uma atualização vacinal, onde estarão disponíveis todas as vacinas para menores de 15 anos (cerca de 15 tipos). O profissional de saúde irá conferir a caderneta de vacinação e, caso alguma vacina disponível não esteja em dia, será ministrada naquele momento. A expectativa apenas para a pólio é cerca de 45 mil crianças na capital", indica Juliana Araújo, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde de Natal.

As salas e cadeiras da UBS São João, uma das mais movimentadas em Natal, já estavam cheias antes mesmo das 9h, movimento que surpreendeu a técnica em enfermagem Micarla Costa. Durante todo o período, inclusive, álcool em gel a disposição dos usuários e distanciamento nas cadeiras. Com a mobilização constante na unidade, a expectativa era terminar o dia com pelo menos 200 crianças vacinadas. No momento da visita da reportagem da TRIBUNA DO NORTE ao local, todos os tipos de dose estavam disponíveis.

“Tivemos uma campanha multivacinação que havia sido muito fraca, não esperávamos esse movimento todo. Tem muita criança com vacina atrasada, porque os pais estavam com medo de sair de casa em virtude da pandemia”, salienta a servidora.

Na avaliação da subcoordenadora de Vigilância Epidemiológica, da Secretaria de Estado da Saúde Pública do Estado (Sesap), Alessandra Lucchesi, é importante que pais e filhos se vacinem não só contra a pólio, mas contra todas as outras doenças que a caderneta nacional de vacinação previne, uma vez que, sem a imunização, há a possibilidade de ressurgimento de doenças.

"Infelizmente, com o passar dos anos, foi notada uma queda nas coberturas vacinais em todo o território nacional e aqui também no Rio Grande do Norte. Essa redução das coberturas, ou seja, do número de pessoas tomara as doses compatíveis com sua faixa etária, nos proporcionam um alerta ainda maior para a possível ocorrência dessas doenças. Infelizmente essa população que não se vacinou está susceptível a ocorrência dessas doenças", diz.

Um dos exemplos citados por Lucchesi é o do sarampo. O Rio Grande do Norte passou 19 anos sem ter nenhum caso da doença e voltou a registrar potiguares com o vírus no ano passado, quando um surto atingiu todo o país e também chegou ao Estado. Com o foco na poliomielite, a ação do Governo Federal integrada com municípios tem como objetivos reduzir o risco de reintrodução do poliovírus selvagem no país, além de oportunizar o acesso às vacinas e atualizar a caderneta das crianças.

A campanha contra Pólio e multivacinação teve início dia 5 e segue até 30 de outubro. A atualização da carteira vacinal dos indivíduos dessa faixa etária acontece nas unidades de saúde com as imunizações disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).

Cobertura


A cobertura vacinal em todo o Brasil está em queda há cinco anos, segundo informações do Ministério da Saúde. Na sexta-feira, 16, a coordenadora-geral do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, Francieli Fontana, informou dados do início de outubro na Jornada Nacional de Imunizações e mostrou que as metas não têm sido atingidas no Brasil.

No Rio Grande do Norte, o cenário também não é diferente do resto do País. Uma reportagem da TRIBUNA DO NORTE na edição do dia 13 de setembro mostrou que o Estado também não vem atingindo as metas, com algumas vacinas sequer atingindo as metas preconizadas pelo Ministério da Saúde, que variam entre 90 e 95%. Entre 2015 e 2020, a cobertura vacinal despencou, em média, pela metade.

As últimas metas de imunização para o público infantil atingidas no país, em 2018, foram de 99,72% do público-alvo para a BCG, e de 91,33% para o da vacina contra o rotavírus humano. Para ambas, a meta é superar os 90%, patamar que não foi atingido em 2019, apesar de terem continuado acima dos 80%. Já até 2 de outubro de 2020, a taxa de imunização do público-alvo da BCG chegou a 63,88%, e a vacina contra o rotavírus, a 68,46%.

A maior cobertura atingida no calendário infantil até outubro de 2020 foi na vacina Pneumocócica, com 71,98%. No ano passado, essa mesma vacina chegou a 88,59% do público-alvo. Entre as 15 vacinas do calendário infantil, o que inclui a segunda dose da Tríplice Viral, metade não bate as metas desde 2015, o que inclui a vacina contra poliomielite.






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