Negócio injeta, por ano, até R$ 60 milhões na economia

Publicação: 2017-10-06 00:00:00 | Comentários: 0
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O perfil dos trabalhadores das facções não se restringe a mulheres e mães. Em São José do Seridó, por exemplo, a maior parte das pessoas empregadas na Canaã Têxtil, localizada em um assentamento rural da cidade, é de jovens, homens e mulheres, todos residentes do próprio assentamento. Jailma Cilene, de 22 anos, é uma delas. “Pra mim, trabalhar com a carteira assinada era algo que eu não previa. Meu esposo, por exemplo, trabalha fazendo bicos. Moro com ele e meus três filhos aqui perto, e hoje tenho uma qualifiação na área de costura e recebo meu dinheiro”, conta a jovem.

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O horário de trabalho nas facções visitadas, nas duas cidades, é basicamente o mesmo: das 7h às 11h30 e, à tarde, das 13h às 18h, de segunda à sexta. O ambiente de trabalho também não varia muito. A maioria é composta por galpões, ventilados basicamente com ventiladores de teto – apenas um possuía sistema de condicionamento de ar -, mesas com máquinas de costura, prateleiras e cadeiras. Nas paredes, outro ponto em comum de todas: um quadro branco, com as metas diárias a serem atingidas pelos trabalhadores, que são atualizadas de hora em hora.

A meta varia de acordo com as peças que estão sendo produzidas. De forma geral, o Seridó trabalha bastante com partes de baixo, em jeans ou sarja. Em três das quatro facções, a produção diária girava em torno de 500 peças. De acordo com a Associação de Faccionistas do Seridó, que engloba as cidades de Parelhas, Equador e Santana do Seridó e já possui 22 empresas associadas, o negócio injeta entre R$ 45 milhões e R$ 60 milhões na economia, anualmente, no Estado.

Em Parelhas, corresponde a 20% da economia local. “Não é mais porque aqui temos ainda a indústria de cerâmica e mineração”, explicou o prefeito. Já em São José do Seridó, a indústria é responsável por 60% da economia da cidade. O faturamento médio dos maiores grupos, como o CMedeiros, gira em torno de R$ 1 milhão mensal. Desse valor, 85% em média é proveniente da Guararapes.

A tese sustentada pelo MPT aponta que um grau tal de dependência por parte das empresas terceirizadas da empresa que contrata o serviço implica em responsabilidades que deveriam ser assumidas por ela. Como argumentos para sustentar o processo estão depoimentos de faccionistas que quebraram ao parar de receber pedidos da empresa e não conseguiram pagar as rescisões de contrato dos funcionários e a própria ideia da concepção do programa Pró-Sertão que, de acordo com eles, teria sido criado justamente para beneficiar a empresa.

Apesar da Guararapes ser a maior cliente das pequenas empresas terceirizadas, algumas delas já estão começando a receber demandas de empresas com a Hering. Outras mais consolidadas, como é o caso da Canaã Têxtil, já possuem contratos com empresas no Rio de Janeiro e até mesmo marcas próprias. Caso prevaleça a tese do MPT, a Guararapes terá de pagar uma multa no valor de R$ 37,7 milhões, que serão convertidos para um Fundo de Apoio ao Trabalhador, além de passar a assumir a responsabilidade solidária pelos funcionários dessas empresas, tendo que cobrir ao menos o contrato de rescisão caso ela deixe de solicitar os serviços da empresa e ela venha a falir.

Segundo os faccionistas, o resultado desse processo poderá definir o futuro da indústria de confecções no Rio Grande do Norte. Para eles, o momento atual seria justamente o de procurar novas empresas para expandir os negócios mas muitas estariam receosas, aguardando o desenrolar da Ação para investir ou não no Estado. A segunda audiência entre MPT e Guararapes está marcada para acontecer em Novembro. Para muitos dos procuradores, até lá, não faz sentido empreender campanhas contra a ação do MPT, que já afirmou que não tem intenção de recuar diante da Guararapes.



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