Negros são subutilizados na força de trabalho de Natal, aponta IBGE

Publicação: 2019-11-14 00:00:00 | Comentários: 0
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O informativo Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, divulgado nesta quarta-feira (13), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que pela primeira vez no país a proporção de pessoas pretas e pardas (que compõem a população negra)  cursando o ensino superior em instituições públicas brasileiras chegou a 50,3% em 2018. No entanto, Natal tem a segunda maior taxa da região Nordeste de negros subutilizados. De acordo com a publicação, a capital potiguar tem o índice de 31% de negros  subutilizados, atrás apenas de Recife, com 32%. Do Norte e Nordeste, a capital potiguar tem a terceira maior taxa, logo depois de Recife (32%) e Belém (32,4%). Entre as grandes regiões, o Nordeste tem a maior proporção de negros e pardos subutilizados, 37,5%. A média do Brasil é menor, 29%.

Pesquisa diz que 31% dos negros em Natal são subutilizados na força de trabalho
Pesquisa diz que 31% dos negros em Natal são subutilizados na força de trabalho

A força de trabalho subutilizada é composta por três grupos: 1) pessoas subocupadas (quem trabalhava menos de 40 horas semanais; quem gostaria de trabalhar mais horas que as habitualmente trabalhadas; e quem estava disponível para trabalhar mais horas); 2) desocupadas (sem trabalho formal ou informal, mas que procuravam ocupação); e 3) pessoas na força de trabalho potencial (quem procurou emprego, mas excepcionalmente não estava disponível para trabalhar na semana de referência da pesquisa).

Em todo país, os negros ou pardos representavam 54,9% da força de trabalho no país (57,7 milhões de pessoas) e os brancos, 43,9% (46,1 milhões). Entretanto, a população preta ou parda representava 64,2% dos desocupados e 66,1% dos subutilizados. Além disso, enquanto 34,6% da população ocupada de cor branca estava em ocupações informais, para os trabalhadores pretos ou pardos, este percentual atingiu 47,3%.

A taxa composta de subutilização da população negra e parda (29,0%) era maior do que a dos brancos (18,8%). A desigualdade persistia mesmo quando considerado o recorte por nível de instrução. Entre os que tinham pelo menos o nível superior, essa taxa era de 15,0% para os pretos ou pardos e de 11,5% para os brancos e entre os sem instrução ou com fundamental incompleto: 32,9% e 22,4%, respectivamente.

Maiores rendimentos
Essa tendência ocorre nos últimos três anos do estudo (2016, 2017 e 2018). Em 2016, a proporção do grupo social das pessoas que formam os 10% com maiores rendimentos eram 52,2% dos pretos e pardos, enquanto os brancos eram 47,5%. No entanto, em 2018, essa proporção muda. Os brancos atingiram 52%. Os pretos e pardos passam para 47,5%.

A média do Nordeste é de 59% de pretos e pardos e 40% de brancos no grupo dos 10% com maiores rendimentos. A média brasileira é de 70,6% de brancos e 27,7% de pretos e pardos.

O estudo do IBGE mostra ainda que a  população negra tem 2,7 mais chances de ser vítima de assassinato do que os brancos. . Segundo a analista de indicadores sociais do IBGE Luanda Botelho, enquanto a violência contra pessoas brancas se mantém estável, a taxa de homicídio de pretos e pardos aumentou em todas as faixas etárias.

“Na série de 2012 a 2017, que foi o período que a gente analisou neste estudo, houve aumento da taxa de homicídios por 100 mil habitantes da população preta e parda, passando de 37,2 para 43,4. Enquanto para a população branca esse indicador se manteve constante no tempo, em torno de 16” disse ela.

De acordo com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, foram registradas 255 mil mortes de pessoas negras por assassinato nos seis anos analisados.

Entre os jovens brancos de 15 a 29 anos, a taxa era de 34 mortes para cada 100 mil habitantes em 2017, último ano com dados de mortes disponíveis no DataSus. Entre os pretos e pardos, eram 98,5 assassinatos a cada 100 mil habitantes. Fazendo o recorte apenas dos homens negros nessa faixa etária, a taxa de homicídio sobe para 185. Para as mulheres jovens, a taxa é de 5,2 entre as brancas e 10,1 para as pretas e pardas.

Segundo o levantamento, a violência vivenciada na escola também atinge mais a população preta e parda do que a branca. O IBGE analisou dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2015 com alunos do nono ano e concluiu que 15,4% dos pretos ou pardos e 13,1% dos brancos deixaram de ir à aula em algum dia por falta de segurança no trajeto entre a casa e a escola.

Do total de estudantes, 53,9% dos pretos e pardos estudavam em escolas localizadas em áreas de risco, enquanto entre os brancos a proporção cai para 45,7%. A diferença cresce na comparação apenas entre escolas privadas, com 40,7% dos pretos ou pardos e 29,5% dos brancos.

Entre os estudantes pretos e pardos, 15,1% disseram ter sido agredidos fisicamente por um adulto da família. Entre os brancos, a proporção é de 13,1%.

Segundo o IBGE, jovens expostos à violência têm mais propensão a sofrer de doenças como depressão, vício de substâncias químicas e problemas de aprendizagem, além de suicídio.

Números
50,3% das pessoas que estão nas instituições de ensino superior públicas são negras.

54,9% da força de trabalho do país é formada por negros





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