Nicolás Maduro assume segundo mandato na Venezuela

Publicação: 2019-01-11 00:00:00
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Em cerimônia no Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, tomou posse nesta quinta-feira, 10, para um novo mandato, que se estenderá até 2025. O juramento à Constituição foi feito na Suprema Corte, porque Maduro não reconhece a Assembleia Nacional Venezuelana, dominada pela oposição. Em discurso, Maduro prometeu combater a corrupção e fazer “uma revolução moral" no país.

Créditos: Ariana Cubillos/Estadão ConteúdoEm discurso de posse para o segundo mandato seguido, Maduro disse que vai combater corrupçãoEm discurso de posse para o segundo mandato seguido, Maduro disse que vai combater corrupção
Em discurso de posse para o segundo mandato seguido, Maduro disse que vai combater corrupção

Para Maduro, a luta contra a corrupção é de toda a sociedade venezuelana, que sofre as consequências dos desvios e da desonestidade. “Esta não é uma luta de Maduro, é uma luta moral de toda a sociedade. Esta luta implica mudança cultural de toda a sociedade", afirmou. “Temos um inimigo a vencer: a corrupção."

Maduro disse que, no segundo mandato, pretende fazer da Venezuela um lugar melhor para viver, capaz de atrair investidores do mundo inteiro. “Não podemos falhar e não falharemos. Juro por minha vida", afirmou.

Sucessor de Hugo Chávez (morto em 2013), Maduro chega ao segundo mandato em meio a uma forte crise econômica, com registros de hiperinflação e desabastecimento de alimentos e combustíveis, e humanitária no país.

Contingentes de venezuelanos têm seguido para os países vizinhos, fugindo do desemprego e da fome. Maduro  foi eleito em maio do ano passado, com 67% dos votos válidos, mas o pleito foi marcado por denúncias de fraude e por uma abstenção de 54%.

O presidente venezuelano rebate as acusações, dizendo que as disposições constitucionais foram cumpridas e que seu mandato é legítimo. “Estou de pé para democraticamente tomar as rédeas de nosso país em direção a um destino melhor", afirmou. “Aqui estou, assumindo a Presidência da República para o segundo período, por ordem do povo."

Ilegitimidade
A Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou nesta quinta-feira uma declaração conjunta na qual diz que não reconhece a legitimidade do novo mandato do presidente reeleito da Venezuela, Nicolás Maduro. A iniciativa ocorreu logo após a posse de Maduro, em Caracas.

“Saudamos o compromisso dos países das Américas reconhecendo como ilegítimo o regime de Nicolás Maduro. O povo da Venezuela não está sozinho, seguimos trabalhando para recuperar a democracia, os direitos e as liberdades de todos”, afirmou o secretário-geral da OEA, Luís Almagro, via sua conta pessoal no Twitter.

O Conselho Permanente da OEA se reuniu nesta quinta-feira extraordinariamente para discutir a situação de Maduro e da Venezuela. A declaração foi aprovada com 19 votos a favor, 6 contrários, 8 abstenções e 1 ausência. O Brasil votou favoravelmente à medida. Ao lado da Venezuela ficaram Bolívia e Nicarágua, entre outros países.

No começo do mês, o Grupo de Lima, formado por 14 países, inclusive o Brasil, aprovou manifestação semelhante, na qual recomenda Maduro transmita o poder para a Assembleia Nacional, que assumirá o compromisso de promover novas eleições.

Representação
A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, foi para Caracas para a posse do presidente Nicolas Maduro. Em nota, a deputada federal eleita disse reconhecer a eleição de Maduro como legítima, apesar das denúncias de fraude da oposição venezuelana, e confirmou sua presença na cerimônia como um contraponto ao posicionamento cada vez mais hostil do governo de Jair Bolsonaro ao venezuelano.

“(Estarei na posse) Porque reconhecemos o voto popular pelo qual Nicolas Maduro foi eleito, conforme regras constitucionais vigentes, enfrentando candidaturas legítimas da oposição democrática", disse no texto divulgado no site do partido.



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