Economia
No Brasil, 2 a cada 5 já possuem contas em bancos digitais
Publicado: 00:00:00 - 05/09/2021 Atualizado: 11:17:47 - 04/09/2021
A alta desbancarização, que atinge mais de 34 milhões de brasileiros, é um dos principais gargalos para o futuro do Pix no País. Segundo pesquisa da Zetta, associação de fintechs, que reúne marcas como Nubank, Mercado Pago e Banco Inter, divulgada na última quinta-feira (2), de 1.520 entrevistados, 13%  afirmaram não ter acesso a produtos financeiros, como conta bancária, empréstimo ou cartão de crédito. No entanto, a ascensão dos bancos digitais é cada vez mais nítida no Brasil.
Tiago Queiroz/AE
Bancos digitais têm conquistado cada vez mais pessoas, e para ampliar clientela as finthecs têm feito ofensivas no interior do País

Bancos digitais têm conquistado cada vez mais pessoas, e para ampliar clientela as finthecs têm feito ofensivas no interior do País

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Dados de pesquisa do Instituto Locomotiva mostram que 39% dos brasileiros já possuem contas em bancos digitais e/ou tradicionais. Aliado a isso, 48% dos jovens com 18 a 29 anos afirmam possuir conta em banco digital, sendo 17% exclusivamente neste formato. Os dados são referentes a janeiro de 2021 em comparação com o mesmo período do ano passado. 

Um desses casos é do vendedor autônomo Suerllen Marinho, 25 anos, morador de Natal. Ele atua no ramo de venda de camisas e produtos importados e atualmente utiliza exclusivamente um banco digital, o Nubank. Segundo ele, toda a sua vida financeira é concentrada em bancos virtuais.

“A principal razão é a comodidade. Uso muito o Nubank. Quando tenho uma dúvida já entro em contato com o chat e eles respondem quase de imediato. Esses dias tive uma dúvida às 2h da manhã e às 2h30 já tinha resposta. Isso facilita muito”, explica. Ele comenta que utiliza também outras funções, como Mercado Pago e o banco Ton.

Suerllen Marinho também faz parte de uma parte dos brasileiros sub-bancarizados, que são pessoas que possuem contas nos bancos físicos mas movimentam pouco. Segundo ele, “é raro” ir à bancos físicos, apenas para vendas e transações específicas com seus clientes.

“Tem também a questão das taxas. Antes eu usava BB e Caixa, porque tinha cartão universitário. As taxas eram um pouco altas, para TED, DOC, tinha limite de saques e depósitos. Isso limitava um pouco principalmente depois que comecei a vender virtualmente”, acrescenta. “A dificuldade do Nubank é a para fazer depósito, porque uma parte dos pagamentos recebo em espécie, e preciso depositar na virtual, para não ficar com tanto dinheiro em mãos”, acrescenta.

Ao passo em que o Brasil começa a ampliar sua carteira de clientes em bancos digitais, por outro lado, 34 milhões de brasileiros não têm acesso ao sistema bancário ou movimentam pouco suas contas bancárias. Esse quantitativo é o equivalente a 21% da população que movimenta aproximadamente R$ 347 bilhões ao ano. São 16,3 milhões de pessoas desbancarizadas, ou seja, sem conta em banco; e outras 17,7 milhões sub-bancarizadas. Em comparação com janeiro de 2020, houve um recuo de 9% em relação a essa categoria.

“Muitos brasileiros precisassem sacar o auxílio emergencial e outros programas similares que partem de governos estaduais”, explica o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles. “O aumento do número de pessoas com conta em banco não significa, necessariamente, o aumento da bancarização. Porque ser bancarizado significa ter acesso à credito e aos demais serviços que um banco oferece e que não estão disponíveis a muitos correntistas”, reforça.

Já para o membro do Conselho da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), José Luiz Rodrigues, a bancarização foi impactada “negativamente” pelos custos de operacionalização e taxas.

“O que vimos até bem pouco tempo é que a bancarização foi impactada negativamente pelo alto custo de manutenção de contas, pela burocracia para abertura dessas contas, pelo foco dos bancos tradicionais em produtos e serviços, muitas vezes direcionados a quem possuísse melhores cadastros e, ainda, pela carência de educação financeira”, explica

Ainda de acordo com José Luiz Rodrigues, as fintechs, as contas digitais e o Pix “têm um importante papel na democratização desses serviços e produtos, principalmente por proporcionar acesso descomplicado e focar na experiência do cliente”, explica.

Migração para plataformas fintechs é realidade

O movimento de migração dos bancos físicos para as plataformas fintechs é uma realidade, segundo explica Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva. De acordo com ele, a expectativa é de que as fintechs e os canais digitais cresçam e se tornem cada vez mais acessíveis, ainda mais neste momento de implementação do open banking.

“Esse movimento de migração começa a acontecer em duas direções: de um lado tem aqueles que buscam a modernidade do digital, mas que não abrem mão da conta no banco tradicional, e do outro aqueles que migraram em busca de uma maior praticidade para realizar algumas ações como, por exemplo, receber o auxílio emergencial ou abrir o próprio negócio”, comenta Renato Meirelles.

Pensamento semelhante tem o diretor executivo da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs) Renan Schaefer. Segundo ele, o grande desafio das fintechs é chegar na população interiorana das cidades e sem acesso à internet.

“As pessoas estão cada vez mais com acesso à internet, smathphone. Com isso a gente consegue abrir contas em bancos digitais. Com a tecnologia se permite que mais pessoas sejam bancarizadas e que mais pessoas consigam obter serviços financeiros. As fintechs entram nesse sentido. ”, explica.

“Tivemos um caso emblemático na pandemia que foi a Caixa Econômica Federal, que mesmo sendo um banco público, criou o maior banco digital do Brasil, por conta do auxílio emergencial. Foram mais de 60 milhões de contas bancárias para dentro da Caixa por causa do auxílio. Não é uma fintech, mas foi através da tecnologia. As fintechs fazem muito isso”, completa.

PIX no Rio Grande do Norte
Balanço
Em 45 dias de 2020, 2.240.145 operações resultando em R$ 1.667.261.272,92 

O valor representou 1,2% do que foi lançado em todo o Brasil, que foi de R$ 32.286.967.970,09

Em 2021, 36.324.608 operações, que somadas chegaram a R$ 16.890.816.275,75

Novembro/20 a junho/21
R$ 18.558.077.548,67 foi o valor movimentado pelo RN com o PIX
38.564.753 operações foram feitas no Estado
R$ 1.640.497.973.547,75 é o valor movimentado no Brasil

Top-5: Cidades que mais movimentaram Pix no Rio Grande do Norte

Natal:  1.183.916 operações e movimentação de R$ 1.021.066.151,68 
Mossoró: 248.651 operações e movimentação de R$ 311.250.679,11
Parnamirim: 355.575 operações e movimentação de R$ 186.460.972,84
São Gonçalo do Amarante: 80.127 operações e movimentação de R$ 28.837.678,43
Macaíba: 41.321 operações e movimentação de R$ 22.995.259,50

Cidades que menos movimentaram Pix no RN
Jardim de Angicos: 639 operações e movimentação de R$ 148.050,74
Viçosa: 589 operações e movimentação de R$ 173.284,98
Pedra Preta: 738 operações e movimentação de R$ 175.307,53
Jundiá:  579 operações e movimentação de R$ 192.837,10
Francisco Dantas: 728 operações e movimentação de  R$ 219.537,44

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