No Brasil, 82% das grandes fábricas pretendem retomar investimentos em 2021, diz CNI

Publicação: 2021-02-24 00:00:00
Depois de segurarem os investimentos em 2020 em meio às incertezas da pandemia de covid-19, as fábricas brasileiras planejam retomar seus planos em 2021, de acordo com pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Para 2021, porém, 82% das grandes fábricas pretendem retomar os investimentos, sendo que um terço das firmas planeja aumentar a capacidade de produção neste ano. Para 61% delas, os investimentos são voltados apenas ou principalmente para o atendimento do mercado doméstico. A expectativa para a maior parte dos investimentos é melhorar o processo produtivo e aumentar a capacidade de produção.

Créditos: José Paulo Lacerda/CNIPesquisa da CNi aponta que 35% dos investimentos previstos devem ocorrer, principalmente, na melhora do processo produtivoPesquisa da CNi aponta que 35% dos investimentos previstos devem ocorrer, principalmente, na melhora do processo produtivo

No ano passado, 84% das empresas brasileiras pretendiam investir, mas apenas 69% das grandes empresas do setor realizaram algum investimento, o menor porcentual desde 2016, quando apenas 67% das maiores fábricas modernizaram ou expandiram suas linhas. Em 2019, 74% das maiores fábricas haviam investido nos seus parques de produção.

Além disso, dentre as indústrias que possuíam planos de investimentos para 2020, 53% adiaram ou cancelaram parte dos projetos. Em 2019, o porcentual de companhias com planos de investimentos frustrados havia sido de 36%. "A reavaliação da demanda e a alta inesperada dos custos de investir foram apontados como a principal razão para a frustração dos planos de investimento. Ambos são influenciados diretamente pela pandemia de covid-19, que restringiu a demanda por produtos industriais, trouxe oscilação para o câmbio e pressionou custos", destacou a CNI.

"Destaca-se que a preocupação com a eficiência e a produtividade continua a nortear os planos de investimento da indústria (a melhoria do processo produtivo segue como o principal objetivo do investimento planejado), mas a procura pelo aumento da capacidade produtiva ganhou importância no investimento previsto", acrescentou a CNI.

De acordo com o diretor de Desenvolvimento Industrial e Economia, Carlos Eduardo Abijaodi, a redução dos investimentos no ano passado ocorreu em grande parte pelo elevado custo dos insumos e pela reavaliação do mercado doméstico como destino de seus produtos.

“Sentimos que os investimentos não foram feitos e foram adiados para este ano, pelo alto custo para investir e pela falta de alternativas de financiamento. Para esse ano, percebemos uma preocupação muito grande com os processos produtivos, que devem ser melhorados, com a aquisição de novas máquinas e tecnologia”, explica Abijaodi.

A pesquisa mostra que, desde 2015, as empresas têm dependido mais de recursos próprios para tocarem seus investimentos. Em 2020, o porcentual de uso do caixa para investir ficou em 72%, mesmo patamar de 2019.

Para a entidade, o resultado mostra a falta de alternativas viáveis de recursos de terceiros para investir. A participação dos bancos privados como fonte de crédito para investimentos da indústria ficou em 13% em 2020, enquanto os bancos de fomento - como o BNDES - financiaram apenas 7% do montante investido pelo setor. Outros bancos públicos, parcerias e fontes externas de crédito ficaram com a fatia de 8% restantes. 

Perfil dos investimentos
Os investimentos previstos devem ocorrer, principalmente, na melhora do processo produtivo, de acordo com 35% das indústrias, e no aumento da capacidade de produção, com 33% das respostas. Em outros 15%, o principal objetivo é manter a capacidade produtiva e, em 11% deles, introduzir novos produtos. 

Em 66% dos casos, independentemente do objetivo do investimento previsto, há a expectativa de aquisição de máquinas. Além disso, o percentual do investimento voltados principalmente para o mercado doméstico aumentou de 36% para 39%, mas segue abaixo da média histórica, de 42%.

Nos últimos seis anos, cerca de 70% dos recursos empregados nos investimentos realizados são recursos próprios das empresas. Em 2020, o percentual ficou em 72%, idêntico ao de 2019. O resultado mostra a falta de alternativas viáveis de recursos de terceiros para investir. (AE, com informações da CNI)