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TN Família
No Brasil, expectativa de vida aumenta e idosos buscam bem-estar
Publicado: 00:00:00 - 16/01/2022 Atualizado: 13:26:26 - 15/01/2022
Tádzio França
Repórter

Envelhecer é um processo natural que pode ou não ser difícil. O aumento da expectativa de vida e o fato de o Brasil ser o 6º país do mundo com a maior taxa de envelhecimento populacional, estão fazendo com que idosos de idades avançadas (70+) procurem cada vez mais estarem ativos e bem dispostos, fisicamente e mentalmente. Homens e mulheres de 80 e 90 anos querem mais qualidade de vida e um envelhecimento saudável, utilizando os mais variados recursos que estejam ao seu alcance. Todos rumo aos 100 anos. 

Alex Régis
Advogado José Daniel Diniz, 86, mantém a mente ocupada no escritório e o corpo em movimento

Advogado José Daniel Diniz, 86, mantém a mente ocupada no escritório e o corpo em movimento


A atual expectativa de vida no Brasil é de 77 anos. Segundo a geriatra Vanessa Giffoni, a parcela de população que mais cresce atualmente no país é a de pessoas que vão chegar aos 80 anos de idade. “Será cada vez  mais comum encontrar quase centenários independentes e ativos, graças aos avanços da ciência e dos recursos da medicina”, afirma,  ressaltando  não ser apenas isso que vai garantir esse patamar. Os complementos também são fundamentais. 

Vanessa explica que a longevidade precisa estar acompanhada de qualidade de vida, junto à autonomia e independência do idoso. E em boa parte das vezes, não está. “O idoso precisa lidar com as dificuldades que surgem em seu caminho, como o sedentarismo ou sobrepeso, além de algumas doenças que prejudicam diretamente sua independência, como o Mal de Alzheimer. A missão do geriatra é orientar sobre isso e resgatar a auto-estima e qualidade de vida dessas pessoas”, afirma. 

A geriatra é uma das proprietárias da Attivo, uma academia direcionada ao público de meia e terceira idade, com uma série de atividades específicas para esse segmento. A ideia é proporcionar um processo de envelhecimento saudável do ponto de vista físico, psicossocial e cognitivo. Segundo Vanessa, a média de idade de sua clientela é 70+, mas também há alunos na casa dos 90. 
“Muitos idosos já se exercitam através de caminhadas, de pilates, e até de academias comuns de ginásticas, mas não se sentem parte daqueles grupos de gente sarada e jovem. Nós criamos um ambiente com o qual eles podem se identificar”, diz ela, ressaltando que a Attivo já tem um ano e meio de atividades. 

Enquanto as academias tradicionais têm a musculação como atividade central, a Attivo vai além disso. Vanessa explica que a academia oferece atividades que estimulam todas as esferas da vida do idoso. Trabalha com  musculação terapêutica, cujos aparelhos adaptados são mais confortáveis, diminuem risco de quedas, auxiliam contra dores crônicas, e reforçam as massas musculares e ósseas. Há também cursos de estimulação cognitiva, inclusão digital, e reabilitação de equilíbrio com uso de games. 

Os profissionais e a tecnologia dão uma força importante, mas Vanessa ressalta que há outros fatores capazes de levar alguém aos 100 anos. “É uma mistura de coisas: primeiro tem a genética, que é muito importante. Seus pais e avós foram longevos? Depois os fatores ambientais, que têm a ver com estilo de vida; e as escolhas que a pessoa fez quando jovem, se fumou e bebeu muito, pois é o que atrai doenças como AVC e infarto, por exemplo”, analisa. 

Para o geriatra Gustavo Rêgo, é preciso superar o pensamento de que “envelhecer é morrer”. “Na verdade envelhecer é a oportunidade de viver mais, é o jovem que deu certo”, diz. Para ele, a longevidade atual tem a ver também com a mudança de hábitos. “Como um todo, a população está mais adepta da prática de atividades físicas e hábitos mais saudáveis. E acredito que nas próximas gerações esse número crescerá. Há à disposição da população muito mais equipamentos como parques, áreas de atividade física ao ar livre de acesso público”, diz. 

Os hábitos mais saudáveis favorecem àqueles que almejam o centenário pessoal, aliados ao acesso a serviços de saúde, medicamentos e tratamentos cada vez mais avançados. “Ajuda muito cuidar da saúde desde cedo, a partir dos 40 anos, e se possível ter algum tipo de acompanhamento médico”, ressalta. Segundo Gustavo, a tendência realmente é viver mais.

Há ainda uma série de dicas práticas que favorecem a qualidade de vida, segundo o geriatra. “Prática regular de atividade fisica; convivência com a família; dormir bem; se alimentar bem; ingerir a quantidade adequada de água; controlar as doenças crônicas como hipertensão arterial e diabetes; evitar práticas e substâncias que danifiquem o funcionamento cerebral, como tabagismo e excesso de bebida alcoólica”, enumera. Ele enfatiza que nem sempre a longevidade tem a ver com condições financeiras. “No geral, envelhecimento saudável tem mais a ver com hábitos saudáveis”, diz. 

Octagenários na ativa 
O advogado José Daniel Diniz, 86 anos, se define como um “viciado em trabalho”. Ainda mantém a mente ocupada no escritório, e fora dele gosta de deixar o corpo em movimento. Vai duas vezes por semana à academia para fazer musculação, e em casa faz exercícios simples, como ficar na ponta dos pés para exercitar as articulações. Há dois anos ele sofreu uma queda enquanto caminhava na rua. 

“Fiquei frustrado de verdade, pois dessa vez não consegui me levantar. Seis meses depois, caí de novo. Outra decepção, mas não quis desistir. Fui aconselhado a procurar uma fisioterapia mais dirigida à minha idade, e tive resultados positivos”, conta. Na academia, José Daniel pediu uma série de exercícios que lhe desse mais força nas pernas. Esse é o seu foco, apesar de exercitar os braços também. 

Na juventude, José Daniel conta ter jogado muito futebol de salão, algo que o fez escapar do sedentarismo. Quanto aos “vícios” mais comuns, teve contato, mas foi deixando aos poucos. “Fui adolescente em Caicó. Comecei a fumar aos 12 anos, e beber cerveja aos 14. Felizmente, larguei o cigarro aos 35, e a bebida saiu de cena aos 60. Deve ser por isso que estou vivo até hoje”, brinca. Ele tem a diabetes sob controle, alimentação bem regrada, e sempre lê antes de dormir. “Nunca  pensei que chegaria a essa idade. Aos 40, dizia que não passaria dos 60. Nunca fui atleta, mas sempre gostei de cuidar do corpo”, ressalta. 

Mercedes Roqueto, 84 anos, afirma que odeia ficar sentada. Levanta às 5h da manhã, faz uma caminhada ao redor do prédio onde mora, e depois vai cuidar das coisas de casa. Faz todas as tarefas domésticas, com entusiasmo. Descansa à tarde, claro, e volta às funções depois. Duas vezes por semana vai à academia, onde se exercita por uma hora. “Adquiri mais resistência, mais disposição”, diz.   Paulista, aposentada e viúva, ela conta que só em 1987, ao se mudar pra Natal, começou a se exercitar. 

“Entrei na natação em 1987, e fiquei por uns dez anos. Depois fui para a hidroginástica, que era ótimo. Muito bom para socializar, conversar. Tentei pilates também, mas tinha dificuldade para ficar no chão. Só saí da hidro por causa da pandemia”, conta. Mercedes diz que seu único grande problema é a artrose, que é genética. Hoje, ela gosta de levar os exercícios de uma forma mais tranquila, mas sempre em movimento.  

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