Economia
No Brasil, passagens aéreas sobem 56,8% em 12 meses
Publicado: 00:00:00 - 24/10/2021 Atualizado: 13:22:53 - 23/10/2021
No momento em que cerca de 70% da população brasileira está vacinada contra a covid-19 ao menos com a primeira dose e se sente mais à vontade para retomar viagens aéreas, um fator pode complicar os planos de voar: o preço dos bilhetes. A inflação generalizada pesou sobre o setor de aviação. No acumulado de 12 meses, as passagens aéreas tiveram alta de 56,81%, ficando atrás apenas de quatro itens, três deles do grupo de alimentos, além do etanol. A diferença é considerável se comparada ao índice geral da inflação acumulada de 12 meses, que ficou em 10,25%, o maior desde fevereiro de 2016.

Daniel Neto


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Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta dos combustíveis está diretamente ligada a essas tarifas salgadas, outro pesadelo do brasileiro. O setor aéreo é extremamente sensível a esse produto, porque o querosene de aviação é um dos principais custos para as companhias. Relatório da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) ressalta esse peso. Na média do segundo trimestre, o valor do litro do querosene de aviação ficou 91,7% superior ao verificado em igual período de 2020.

A reabertura da economia e o aumento da demanda devido ao avanço da vacinação são outros fatores que explicam o aumento no preço dos bilhetes. A busca pelos destinos nem sempre é acompanhada por uma oferta suficiente por parte das companhias.
A Anac aponta para aumento nas passagens nos meses de abril, maio e junho. Em relação aos mesmos meses do ano passado, o avanço no preço médio dos voos domésticos foi de 21,7%. A variação também pode ser explicada pela queda que o tíquete médio sofreu no segundo trimestre de 2020, quando a pandemia fez o volume de voos despencar mais de 90%.

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Tarifa dinâmica
Questionada sobre a alta que o IBGE apontou, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) afirma que o levantamento da Anac é o que "melhor retrata o comportamento das tarifas aéreas", já que considera todos os bilhetes comercializados num determinado período. Já o IPCA, do IBGE, considera um recorte específico de datas e de destinos mais visitados.

Em nota, a Abear destaca que, no segundo trimestre deste ano, a tarifa média doméstica caiu 19,98% em relação ao mesmo trimestre de 2019, anterior à pandemia. "O preço médio do bilhete foi de R$ 388,95, ante R$ 486,10. O 'yield tarifa aérea' (valor pago pelo passageiro por quilômetro voado), por sua vez, teve retração de 32,3% no segundo trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2019", diz.

A reportagem procurou as principais companhias aéreas brasileiras para que comentassem a questão. As três destacam que a precificação segue uma série de fatores. A Azul ressalta que a alta do dólar e do combustível, que vem ocorrendo sistematicamente, também influencia nos valores.
A Gol afirma que disponibiliza as vendas de seus voos, em geral, 330 dias antes da partida, possibilitando a quem se planejar com maior antecedência adquirir passagens mais baratas. Em nota, a Latam ressalta que, para a definição do valor da passagem, é preciso levar em conta que 65% dos custos da empresa são dolarizados e que o combustível da aviação representa em torno de 35% das despesas.

Redução no QAv não é suficiente para baixar preço
Desde junho de 2019, o Rio Grande do Norte tem redução do ICMS (Imposto sobre operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação) que incide sobre o QAv - querosene de aviação. Pelo decreto, a alíquota de tributos sobre o combustível poderia chegar até zero se as companhias aéreas seguissem as regras estabelecidas pelo poder estadual.
Segundo Luciano Kleiber, apesar do esforço do governo em tentar fazer algo para deixar o preço médio da passagem mais competitivo, a situação continua complexa por alguns motivos. 

“Mas isso, por si só, não resolve, até porque vários estados estão fazendo o mesmo. O que precisamos é apostar em divulgação dos nosso destino em polos emissores de turistas e incentivar o surgimento de novos atrativos. Resorts, parques aquáticos, rotas diferenciadas. São atrações que fazem o destino ser único e, por isso, mais desejado. Somente ações de médio e longo prazos, neste sentido, podem efetivamente baixar estes preços para Natal e deixá-los mais competitivos”, acrescentou Luciano.

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