No jardim das distrações

Publicação: 2019-09-11 00:00:00 | Comentários: 0
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Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

Tenho lido diariamente que o filósofo cover Olavo de Carvalho é uma figura abjeta e insignificante. Os principais veículos de imprensa são os que mais repetem que o maluco não merece crédito. Mas, no entanto, o velhote arrota uma tese ou peida uma frase e a mídia de Pindorama se derrama em manchetes e matérias caceteando a versão astrológica do antigo pistoleiro na pele de James Drury, o Homem de Virgínia, no saudoso seriado de bang bang.

Ontem, contei nada menos que quarenta sites brasileiros – sem falar uma dezena em inglês e até em alemão – repercutindo a pilhéria de Olavo sobre uma suposta relação entre os Beatles e o pensador marxista Theodor Adorno, um dos filósofos da Escoa de Frankfurt, que teria composto algumas canções dos Fab Four dentro de um plano macabro do comunismo gramsciano para corromper o comportamento dos jovens na explosão cultural dos anos 1960.

Diante da carraspana jornalística, busquei elementos para compreender o contexto e postei uma mensagem no Orkut do meu correspondente em Manhattan, Ugo Vernomentti, um velho estudioso da beatlemania revisionista.

Vivendo há vinte anos incógnito num porão do velho Gramercy Park Hotel, sobrevivendo de pequenas reportagens para a revista “AM New York” e o jornal “Gotham Gazette”, o italiano do Seridó me respondeu na madrugada de hoje:

- Prezado colunista, o assunto circulou por aqui também nos cafés do Brooklin e naquele boteco do Queens onde há seis anos eu e você tomamos um pileque com a Sarah Pallin e a Condoleezza Rice. Segue o que este amigo apurou.

Vamos lá. Durante aquele quiproquó entre o Adorno e seu colega Herbert Marcuse, o autor de Dialética Negativa sentiu remorso pela atitude contra os estudantes grevistas, então resolveu fazer uma média procurando os Beatles.

Durante a gravação do Álbum Branco, o filósofo mostrou a John Lennon, que já andava interessado nas suas teses marxistas, três versões de Revolution e que foram devidamente gravadas no revolucionário disco. Mas, não foi só isso.

Adorno havia emprestado para George Harrison o livro Revolução dos Bichos, de George Orwell, e o convenceu a escrever algo contra o establishment. A canção Piggies tem letra de George e o título é de Adorno e Charles Manson.

A faixa Blackbird é fruto de um papo entre o filósofo e Paul McCartney, na verdade um oportunismo político de Adorno para demonstrar simpatia pelos direitos civis e individuais, um tema que Marcuse dominava mais do que ele.

Adorno foi uma espécie de Doutor Fausto para os rapazes de Liverpool, um remake do encontro do diabo com o compositor Adrian Leverkühn. Lembra da arte de satanás em mudar de figura? Gravata, colarinho oclinho redondo...

Em Octopus Garden (Jardim dos Polvos) do disco Abbey Road, o velho marxista compôs pela última vez, morrendo logo depois. Aliás, a foto da capa do disco mostra os Beatles indo encontrar ele do outro lado da rua londrina.

Eu soube por Yoko Ono que Theodor Adorno teve um filho com uma muçulmana que foi empregada do Olavo quando ele vivia no Brasil. O cara reside no Rio, se chama Ahmed e compõe pra Chico Buarque. Sem mais, Ugo Vernomentti.

Infoxicados
Um termo criado pelos estudiosos da nova moléstia desses tempos tecnológicos. O vício das redes sociais, dos aplicativos e outros serviços internéticos é considerado um veneno, que está “infoxicando” as pessoas.

Sacanagem
Um jovem ser prejudicado pela histeria das redes pelo fato de o pai dele administrar uma casa de drink, um cabaré no termo clássico. O episódio da nomeação e destituição na Câmara é a verdadeira putaria a ser renegada.

Cabaré
Minha geração e as anteriores frequentaram as chamadas “casas de recurso” como centros de aprendizados nas relações homem e mulher. Um cabaré é mais instrutivo do que os medíocres sketches de teatro ideológico-universitário.

Antropofagia
O pau tá cantando na eleição do diretório do PT no Espírito Santo, ocorrida segunda-feira. Os companheiros da chapa derrotada descobriram que o número de votantes é maior que o de filiados. É ladrão roubando ladrão.

Cinema
Vale a pena conferir no Facebook do jornalista Rodrigo Hammer as listas dos melhores títulos de filmes da história, feitas por renomados críticos locais: Valério Andrade, Anchieta Fernandes, Bené Chaves e J. Charlier Fernandes.

Audiovisual
Entre 24 e 28 deste setembro, realiza-se em Natal o I Seminário Audiovisual & Mercado, com painéis, palestras, mesas redondas, oficinas e workshops para reflexões sobre a estrutura mercadológica do segmento em solo potiguar.

Augusto
Recado do jornalista Augusto Nunes, via Heraldo Palmeira: “Grande Heraldo, diga a Alex que um elogio de alguém tão íntegro e talentoso quanto ele é condecoração. Um abração pra ele e outro pra você. Augusto Nunes”.

Novela Neymar
Parece não haver mais clima para Neymar no PSG. O jornal italiano Tuttosport publicou que o executivo do time francês, Leonardo Araújo, vai encaminhar de novo a venda do jogador a partir da janela de inverno, em 1 de janeiro.

Froner 100 anos
Hoje é o centenário de nascimento de um dos grandes treinadores do País, o gaúcho Carlos Froner, ou Capitão Froner (foi do Exército). Comandou mais de uma dezena de clubes, entre eles Grêmio, Inter, Cruzeiro, Flamengo e Vasco. Treinou a seleção gaúcha que representou o Brasil na Taça O’Higgins em 1966 e a seleção do mundo em 1975. No Flamengo, tirou Júnior da lateral direita e botou na esquerda, onde o paraibano se consagraria.



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