No Nordeste, potencial indica boas perspectivas

Publicação: 2019-08-25 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Raimundo Reis

Quem começou a produzir leite na região Nordeste entre 2001 e 2011, período de chuvas regulares e com pluviosidades acima da média, provavelmente pensou que seca por ali era coisa do passado. Naquele período, a produção de leite na região cresceu 89,8%, saltando de 2,16 bilhões para 4,10 bilhões de litros. Resultado de investimentos constantes, com introdução de tecnologias nas fazendas, estimulados pela disponibilidade de recursos e pela crescente demanda de lácteos no período.

Em Alagoas e também no Rio Grande do Norte, plantar palma foi saída para alimentar rebanhos
Em Alagoas e também no Rio Grande do Norte, plantar palma foi saída para alimentar rebanhos

Tudo estava caminhando bem, mas, a partir do 2012, a nova geração de produtores se deparou com um novo e longo ciclo de seca, com baixas pluviosidades que perdurou até 2017, sendo considerado o pior dos últimos 100 anos. Foi um período difícil, com sequelas ainda em curso, porém de grande aprendizado não só para a nova geração de produtores, mas também para os mais tradicionais e experientes.

Entretanto, apesar dos efeitos negativos do longo período de estiagem, também ocorreram efeitos benéficos. Um deles gerado pela falta do alimento nas propriedades, fazendo surgir na região do semiárido a produção  profissional e/ou terceirizada de volumosos, cultivados em áreas de sequeiro ou irrigado. Outro efeito foi a seleção voluntária do gado, já que era preciso se desfazer de parte do rebanho para preservar a atividade e salvar o patrimônio.

A seca foi cruel com os produtores ineficientes e para os que ainda insistiam em ter a exploração leiteira como hobby. De acordo com os dados do Censo Agropecuário (2017), 60.627 produtores nordestinos deixaram a atividade entre 2006 e 2017, ou seja, redução de 14,8% do total de produtores de leite na região. Isso significou a saída de 15 produtores/dia no período avaliado.

Nos Estados de Pernambuco e Alagoas, o impacto foi ainda maior, com redução de 39,5% e 22,6% dos produtores, respectivamente. Em 2012, no primeiro ano de seca, a produção de leite na região Nordeste sofreu grande impacto negativo, passando de 4,1 bilhões para 3,5 bilhões de litros, redução de 14,6%. Porém, nos anos subsequentes, até 2015, a produção se recuperou, chegando a 3,96 bilhões de litros/ano.     Voltou a cair em 2016, porém apresentou novo crescimento em 2017. Fazendo o comparativo entre 2011 (antes da seca) e 2017, a produção de leite na região Nordeste sofreu redução de 5,0%, passando de 4,1 bilhões para 3,89 bilhões de litros de leite/ano.

Produção e produtividade
Considerando a severidade e a intensidade da seca ocorrida no período, o impacto não foi tão relevante, evidenciando que a atividade leiteira na região Nordeste apresenta grande resiliência.

Dentre os Estados, o destaque positivo ficou para Alagoas, que mesmo com o longo período de estiagem apresentou expressivo aumento de 83% na produção de leite entre os anos de 2011 a 2017, passando de 238 milhões para 436 milhões de litros de leite produzidos/ano.

Nesse caso, a palma forrageira assumiu protagonismo, já que praticamente todas as propriedades leiteiras alagoanas têm a planta como base alimentar, opção produtiva e de alto valor nutricional. Nos demais Estados, Ceará e Sergipe também apresentaram crescimento na produção de leite, 27% e 7%, respectivamente. Entre os Estados que apresentaram maiores quedas na produção de leite está a Bahia, que mais sofreu o impacto da seca, reduzindo em 26% a produção de leite entre 2011 e 2017, seguida de Piauí (-18%) e Pernambuco (-17%).

Por outro lado, a decisão de muitos produtores de enxugar o rebanho e melhorar o trato fez com que houvesse aumento de produção de leite por vaca, que, em média, cresceu 41,5% na região. Neste indicador, o Estado da Bahia foi o que apresentou maior salto, passando de 561 litros para 1.087 litros/vaca/ano, aumento de 94%. Em seguida, ficaram Sergipe (44%) e Ceará (40%).

As condições climáticas na região não são bem um “problema ou um fator limitante” à produção de leite, mas, sim, um desafio que só pode ser transposto com conhecimento. Pesquisas já foram realizadas por diversas instituições ao longo de décadas. Portanto, para cada propriedade, levando-se em conta suas peculiaridades, existem tecnologias validadas e capazes de tornar à atividade leiteira eficiente e rentável.

Números
60.627 produtores nordestinos deixaram a atividade leiteira de 2006 a 2017

83% foi o percentual de aumento da produção leiteira em Alagoas




continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários