No Nordeste, RN é 1º em capital humano e 2º em produção científica, aponta ranking da FIEC

Publicação: 2020-11-01 00:00:00
Ícaro Carvalho
Repórter

Se consolidar como um Estado inovador, rico em capital humano e referência em oferta de tecnologia, mão de obra qualificada e prestação de serviços são, sem dúvida, objetivos para qualquer estado do Brasil e gestores interessados no desenvolvimento regional. 

Créditos: Alex RégisIMD, cujo parque tecnológico tem 87 empresas incubadas, tem alavancado a produção científica no RNIMD, cujo parque tecnológico tem 87 empresas incubadas, tem alavancado a produção científica no RN


Os constantes pedidos de patentes de ideias e produtos originados no Rio Grande do Norte, a criação de um parque tecnológico na maior instituição federal de ensino do Estado e a perspectiva da construção de outro parque na região metropolitana de Natal são atributos que credenciaram o RN em 1º lugar em capital humano e 2º em produção científica entre estados do Nordeste no Índice de Inovação dos Estados, projeto elaborado pelo Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC). Apesar dos bons índices, o Estado ocupa a 14ª posição de maneira geral, no País, e a 4ª no Nordeste, mas tem o terceiro menor índice do Brasil no tocante a investimento público em Ciência e Tecnologia, o que mostra que ainda há desafios a serem galgados pela produção científica potiguar.

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O Índice identifica os principais pontos relacionados à Inovação, além de classificar o patamar em que os estados brasileiros se encontram. De acordo com David Guimarães Coelho, pesquisador-economista do Observatório da Indústria/FIEC o Índice oferece uma “chancela” em termos de informações para o desenvolvimento e pleiteio de recursos para políticas públicas nas unidades federativas de todo o Brasil.

“Quando você sinaliza pontos de ambiente inovador, quanto de resultados de inovação, você chancela o gestor público, agentes do setor privado, para estarem coordenando melhor esforços para conseguirem impactar diretamente na inovação. Essa parte você aumenta o leque de possibilidades, seu leque de parceiros de exportação, conteúdo tecnológico. Vai gerando um ciclo virtuoso para o desenvolvimento do Estado” comenta o analista, que também é doutorando em Economia na Universidade de São Paulo (USP).

No Ranking geral, o RN ficou em 14º lugar, com índice 0,30. O maior é São Paulo, com índice 1,00. No Nordeste, o Estado está atrás do Ceará (0,36), Paraíba (0,37) e Pernambuco (0,38). Nos índices específicos, como o de Capacidades, o Estado é o 16º; no de Resultados, 14º. O estudo avalia dez elementos, que são classificados em dois índices: Capacidades e Resultados. O primeiro deles avalia o ambiente inovador e o segundo mede as inovações em si dos respectivos estados. São analisados pontos como Instituições, Investimento em Ciência e Tecnologia, Inserção de Mestres e Doutores na Indústria, Capital Humano (Graduação) e Capital Humano (Pós-Graduação). Além disso, Propriedade Intelectual, Produção Científica, Intensidade Tecnológica, Infraestrutura da Inovação e Competitividade Global também são avaliados.

Observando o ranking, ponto por ponto, o Estado vai bem em quesitos específicos, como Capital Humano (Graduação e Pós-Graduação), sendo o 1º do Nordeste nos dois quocientes (0,71 e 0,60, respectivamente); Produção Científica (0,77), sendo 2º no NE e 9º no Brasil. Por outro lado, o Estado acaba pecando em outros pontos, como Investimento Público em Ciência e Tecnologia, com índice 0,01, o terceiro menor do Brasil.

Na avaliação do diretor da Fundação de Apoio à Pesquisa do RN (Fapern), principal incentivadora de pesquisas na Universidade do Estado do RN (UERN), o professor Gilton Sampaio o resultado acaba sendo reflexo da falta de investimento na fundação nos últimos anos, que inclusive, geraram crises financeiras fiscais e orçamentárias, com dívidas que chegam a R$ 10 milhões. Ele comenta que a Fapern tem tentado desenvolver projetos, junto aos órgãos do próprio Estado, ao passo que se organiza financeiramente.

“Estamos numa força tarefa resolvendo as pendências, noutro campo para modernizar nossas leis do marco legal e outro campo para levar incentivos para as empresas e os próprios órgãos públicos. Queremos que os órgãos acreditem na ciência e na tecnologia, invistam nisso”, explica.

O atual secretário de desenvolvimento do RN, Jaime Calado, avalia que a atual posição do Estado no ranking é “boa” e que pode inspirar melhorias. Ele cita medidas recentes implantadas pela atual gestão da governadora Fátima Bezerra, como o Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte (Proedi), que destina uma porcentagem de 0,5% a Fapern.

“Somos o 11º em inserção de mestres e doutores na indústria. Isso é um avanço. Acho que o resultado está bom, na frente de muitos outros estados, mas, pela prioridade que o governo Fátima está dando, logo vamos melhorar de posição. Não temos outro caminho para participarmos da 4ª revolução industrial que não seja o investimento a ciência e tecnologia”, comenta. Ele acredita que a chegada do Parque Tecnológico Augusto Severo (PAX), em Macaíba, pode melhorar os índices do RN.






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